Origem: Revista O Cristão – Esperança
Há Esperança
Desde o momento em que nascemos, a esperança é uma parte necessária de nossa existência, e sem ela a tragédia acontece. A manchete de hoje fala de uma famosa cantora que se suicidou, deixando dois filhos, sendo o mais novo um menino de apenas dez meses. O pai tirou a vida há um mês. Embora não conheçamos os detalhes que levaram a essa terrível tragédia, podemos considerar qual é a nossa esperança, a qual nos manteria focados no real significado da vida. Temos motivos para desistir da esperança? Alguma circunstância é tão ruim que Deus não consiga transformar em bem? Desde o princípio, quando o pecado veio ao nosso mundo, Deus sempre colocou a esperança diante do homem. Ele prometeu que a semente da mulher feriria a cabeça da serpente (Satanás) (Gênesis 3:15). Essa esperança foi assegurada por meio do Senhor Jesus Cristo. Ele viveu a perfeita vida exemplar de dependência e obediência a Deus, até a morte. A raça humana, uma vez condenada a morrer sem esperança, agora tem uma visão brilhante por meio da ressurreição de Jesus Cristo. “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a Sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo, dentre os mortos” (1 Pe 1:3).
“Tu fizestes-Me confiar” (TB)
No Salmo 22, lemos sobre os pensamentos e sentimentos que o Senhor Jesus tinha para com Deus ao contemplar ser abandonado na cruz. Ele Se refere ao tempo de Seu nascimento, quando, ainda Bebê, confiava em Deus: “Mas Tu és o que Me tiraste do ventre; fizeste-Me confiar, estando aos seios de Minha mãe. Sobre Ti fui lançado desde a madre; Tu és o Meu Deus desde o ventre de Minha mãe” (Sl 22:9-10). Aí vemos completa dependência de Deus desde o Seu começo como Homem. Entre todas as criaturas que Deus criou, os humanos recém-nascidos são os mais dependentes de seus pais para sobreviver. Desde Seu nascimento, o Senhor sempre confiou em Deus e nunca deixou de confiar em Deus, mesmo diante da morte. Ele morreu confiando. Ele Se resignou a qualquer resposta que Deus desse e prometeu louvar a Deus em companhia de Seus irmãos, que seriam os beneficiários com Ele. “Salva-Me da boca do leão; sim, ouviste-Me, das pontas dos bois selvagens. Então declararei o Teu nome aos Meus irmãos; louvar-Te-ei no meio da congregação” (Sl 22:21-22). Ele sentiu o terrível juízo, mas quão perfeitamente Ele obedeceu, apesar de tudo. A resposta à Sua oração veio em ressurreição e, de acordo com as palavras do Salmo, a resposta correspondente de louvor a Deus seria para todos os que temem ao Senhor entoar com Ele. Deus honrou essa fé e obediência. O Senhor Jesus rompeu os laços da morte e deu esperança à raça humana. Nenhuma circunstância pode separar das bênçãos de Deus os eleitos e chamados, nem mesmo a morte. O capítulo 8 de Romanos desenvolve esse tema e nele a esperança é mencionada sete vezes. Somos salvos na esperança e temos todos os motivos para ter esperança até o fim.
“Espera em Deus”
No Salmo 42, temos outro exemplo de como o Senhor Jesus manteve a esperança diante d’Ele enquanto passava sob as águas do juízo. O salmo diz: “Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda O louvarei pela salvação da Sua face” (v. 5). Quando uma alma justa está sofrendo, surge a pergunta lógica: por que é assim? Esse sentimento não é errado em si mesmo, mas dúvidas ou desconfianças em Deus nunca devem ser permitidas. Quando sentimos sofrimento e dor, é correto orar e gemer, mas reclamar e procurar ajuda em outro lugar é errado. O salmo continua recordando o gozo das bênçãos de Deus, o que leva o salmista a repreender o desânimo e a esperar em Deus. O último versículo do salmo repete as mesmas palavras com uma pequena mudança que parece torná-lo uma expressão de determinação de “esperar em Deus”, Aquele que é “a salvação da minha face”. O desânimo se foi e a ocupação com Aquele que é a salvação de sua face é tudo.
Esperança até o fim
Quando o Senhor Jesus foi entregue e crucificado, Ele demonstrou perfeitamente essa confiança em Deus diante dos insultos de Satanás. Lemos como os principais sacerdotes, junto aos escribas e anciãos, disseram: “Confiou em Deus; livre-O agora, se O ama; porque disse: Sou Filho de Deus” (Mt 27:43). Este foi o supremo teste de fidelidade. Uma coisa é confiar em Deus quando as coisas estão indo bem, mas essa era a hora de Satanás e o poder das trevas, mesmo assim o Senhor Jesus nunca Se desviou da perfeição. O resultado dessa obediência até a morte é que Deus O ressuscitou dentre os mortos; o Senhor rompeu os laços da morte e das trevas e trouxe à luz a vida e a incorruptibilidade por meio do evangelho, para que nós, os que colocamos o nosso refúgio em reter a esperança proposta que temos diante de nós. “Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo; Como filhos obedientes… andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação. Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o Qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós e por Ele credes em Deus, que O ressuscitou dentre os mortos, e Lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus” (1 Pe 1:13‑21).
