Origem: Revista O Cristão – Arrebatamento
Esperando por Ele
O que deve caracterizar os santos não é meramente sustentar a doutrina da vinda do Senhor, como aquilo em que creem, mas sua alma deve estar na atitude diária de expectativa, esperando e desejando Sua vinda! Mas por quê? Para que eles possam ver Ele em Si mesmo, estar com Ele e ser como Ele para sempre – não porque o mundo, que tem sido tão hostil a eles, será julgado, embora Deus ferirá os ímpios.
É verdade que haverá misericórdia para com os que forem preservados. No entanto, obtivemos misericórdia agora e estamos, portanto, esperando por Ele, pelo que Ele é em Si mesmo para nós, e não por causa do julgamento. Isso não seria motivo de gozo para mim, ainda que para alguns na Terra, pois “a cada pancada do bordão do juízo que o SENHOR der, haverá tamboris e harpas” (Is 30:32). Esta não é a nossa esperança, mas simplesmente esperamos por Ele. Toda a caminhada e caráter de um santo dependem disso, em sua espera pelo Senhor. Todos deveriam ser capazes de nos perceber dessa forma, como não tendo nada a ver com este mundo, mas como estando apenas de passagem por ele, e não como tendo qualquer porção nele, mas como aqueles que dos ídolos se converteram a Deus “para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar dos céus a seu Filho”. Isto agora é considerado estranho, mas os tessalonicenses se converteram a esta esperança – porque pertenciam a um mundo que tinha rejeitado o Filho de Deus; portanto, eles tiveram que abandonar esses ídolos para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar por Seu Filho vindo do céu.
Esperando pelo Senhor
O que eu desejo passar para todos vocês e para mim também é a espera individual pelo Senhor, não como uma mera doutrina, mas como uma espera diária por Ele. Qualquer que seja a vontade do Senhor, eu gostaria que Ele me encontrasse fazendo isso quando Ele vier. Mas essa não é a questão, porém, será que estou esperando por Ele dia a dia? No segundo capítulo da primeira carta de Tessalonicenses, a esperança está ligada ao ministério: “Qual é a nossa esperança, ou gozo, ou coroa de glória? Porventura, não o sois vós também diante de nosso Senhor Jesus Cristo em Sua vinda?” (v. 19). Então, Paulo receberia a recompensa de seu serviço aos santos. A seguir, no terceiro capítulo, a esperança está ligada à nossa caminhada, como motivo de santidade: “irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, com todos os Seus santos” (v. 13). Depois no quarto capítulo, a doutrina da esperança é revelada; a maneira como é apresentada: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Ts 4:16-17).
Uma expectativa presente
Assim, vemos o que era a expectativa presente da vinda do Senhor, por isso, Paulo diz: “nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados”. Mas por que ele diz “NÓS”? Porque ele já estava esperando. Esse era o caráter de Paulo já naquela época, o de esperar pelo Senhor. E ele perdeu esse caráter, porque morreu antes de Cristo vir? Não, de modo nenhum.
Embora Paulo tivesse recebido uma revelação de que ele deixaria o tabernáculo de seu corpo, ainda assim ele continuou esperando pela vinda do Senhor, e este continuará sendo o caráter de Paulo quando o Senhor vier, ele não perderá nada por causa de sua morte. “E sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor”. O caráter de sua espera deveria ser igual à de um servo à porta de entrada, que quando seu senhor batesse, ele estaria pronto para abrir imediatamente para ele. Essa é uma figura, claro, aqui, mas é o poder da presente expectativa a que se faz alusão. E a ruína da Igreja chegou praticamente dizendo, “O meu senhor tarda em vir”. “Bem-aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando!” (Lc 12:37).
Lombos cingidos e candeias acesas
“Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas, as vossas candeias” (Lc 12:35). “Tendo cingidos os vossos lombos com a verdade” (Ef 6:14), para o serviço. (N.T. cingir tem o sentido de restringir-se, de reprimir. “Ter nossos lombos cingidos com a verdade implica que todos os nossos movimentos na vida são governados pelos princípios da verdade de Deus” – Bruce Anstey – A Epístola de Paulo aos Efésios, 1ª ed. 2018). Você não deve deixar suas roupas fluírem soltas; isto é, você não deve deixar seus pensamentos e afeições fluírem para longe da verdade, mas esteja pronto, com suas vestes bem cingidas e suas luzes acesas. Este não é um momento de descanso, pois é extremamente cansativo ter de se sentar e vigiar durante uma noite longa e escura. Mas no espírito de serviço, o coração, os afetos, os pensamentos, os sentimentos e os desejos devem ser todos cingidos. E isso requer cuidado para não deixar a carne seguir seu próprio caminho, pois é um grande alívio fazer isso às vezes, mesmo que apenas por um momento, mas se o fizermos certamente adormeceremos como as virgens. Assim como as virgens dormiram com o óleo em suas lâmpadas, aqueles de nós que estiverem dispersos poderão dormir. Da mesma maneira que as virgens dormiram com óleo em suas lâmpadas, assim podemos dormir com o Espírito Santo em nosso coração. Mas, bem-aventurados são aqueles servos que forem achados vigiando. O Senhor disse que este é o nosso tempo para estar cingidos; a nossa vez de, em amor, servir e vigiar; e disse: quando Eu voltar, e tudo estiver conforme Minha vontade, então será Minha vez de, em amor, cingir a Mim mesmo e descingir vocês, e então vos servirei. Vocês devem estar bem cingidos e vigilantes no meio do mal, mas quando o mal estiver desfeito, então poderão descansar. Quando estiverem na casa do Pai, poderão se deitar e ficar à vontade. Então suas vestes poderão se arrastar pelo chão sem qualquer temor de que elas fiquem sujas. Naquele lugar abençoado de santidade e pureza vocês poderão deixar fluir suas afeições, pensamentos e desejos sem temor de que sejam contaminados.
