Origem: Revista O Cristão – A Família da Fé

Coloque Sua Casa em Ordem

“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” (At 16:31). “E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6:4). “Pois que não busco o que é vosso, mas sim a vós: porque não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais para os filhos” (2 Co 12:14).

Deus criou a unidade familiar e escolheu abençoar famílias inteiras, não apenas indivíduos. O significado das bênçãos de Deus para toda a família entrou em cena no momento do dilúvio, quando Deus considerou necessário julgar o mundo por causa da violência e corrupção da raça humana. “Depois, disse o SENHOR a Noé: Entra tu e toda a tua casa na arca, porque te hei visto justo diante de Mim nesta geração” (Gn 7:1 – ARC). Foi a fé e a obediência de Noé que foram instrumentos para salvar a casa inteira. Isso é confirmado no Novo Testamento: “Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé” (Hb 11:7). A fé de Noé fez com que ele trabalhasse muitos anos se preparando para o juízo vindouro; não era apenas um bilhete gratuito de fuga entregue a ele por Deus. A fé de Noé o levou a agir; ele preparou uma arca para salvar sua casa. Acaso todo chefe de família sincero que creu no que Deus disse a Noé faria algo para salvar toda a sua família, e não apenas a si mesmo?

Abraão 

O segundo exemplo que desejamos considerar nos dá uma visão de por que Deus escolheu revelar Seus caminhos a Abraão e torná-lo um depositário de Suas bênçãos. Ele disse a Abraão: “Porque Eu o tenho conhecido, e sei que ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para agir com justiça e juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado” (Gn 18:19). As bênçãos de Deus são inestimáveis e devem ser tratadas de acordo. Deus não lança suas pérolas aos porcos. Em vez disso, Ele as confia àqueles que O honram no uso delas. Isso inclui transmitir as bênçãos confiadas, da maneira correta, às gerações seguintes. O Salmo 78 afirma de uma forma bela: “Não os encobriremos aos seus filhos, mostrando à geração futura os louvores do Senhor, assim como a Sua força e as maravilhas que fez” (v. 4). Isso é feito com o objetivo de fazer com que cumpram os mandamentos do Senhor, como segue no versículo 7: “Para que pusessem em Deus a sua esperança, e se não esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os Seus mandamentos”. Isso só pode ser feito na medida em que andamos em obediência e no bem dessas coisas. Envolve todas as partes de nossa vida, como o Senhor disse a respeito de Abraão: “Ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele”. E então continua dizendo: “para que guardem o caminho do Senhor, para agir com justiça e juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado” (Gn 18:19). Temos neste exemplo ampla evidência do que Deus procura naqueles a quem Ele confia Sua bênção. Deve estimular nosso interesse e fortalecer nosso desejo.

O fundamento da graça 

Passamos agora a um exemplo na vida de Ezequias, que era um bom rei que confiava no Senhor Deus de Israel como nenhum antes ou depois dele. No entanto, há uma lição a ser aprendida de sua vida, a respeito de seu pedido para que sua vida fosse prolongada. O que vamos observar é possivelmente uma das armadilhas mais fáceis de cair, especialmente para alguém que tem sido usado pelo Senhor em bênção. Quando Isaías disse ao rei Ezequias que pusesse sua casa em ordem, porque ele estava prestes a morrer, ele chorou amargamente e orou ao Senhor para que Se lembrasse de como havia caminhado diante d’Ele em verdade e com um coração perfeito, fazendo o que era bom aos Seus olhos. Foi um apelo ao Senhor baseado em sua caminhada piedosa. Este não é um bom fundamento para se tomar diante de Deus; de fato, é muito arriscado. A graça de Deus é um fundamento melhor sobre o qual interceder com Deus. O Senhor acrescentou quinze anos à sua vida e prometeu livrar Jerusalém das mãos da Assíria por causa de Davi, seu pai. Parece que a referência do Senhor a Davi foi uma maneira de apontar Ezequias para o exemplo de como Davi intercedeu com o Senhor. Não foi com base em sua própria justiça. Em uma ocasião, Davi disse: “Se achar graça nos olhos do Senhor, Ele me tornará a trazer para lá e me deixará ver a ela e a Sua habitação” (2 Sm 15:25). Em outra ocasião ele disse: “Ainda que a minha casa não seja tal para com Deus, contudo estabeleceu comigo uma aliança eterna, que em tudo será bem ordenado e guardado” (2 Sm 23:5). Este é um exemplo de alguém que permanece no fundamento da graça.

Os tesouros 

Depois de o Senhor ter restabelecido a saúde de Ezequias, o rei da Babilônia enviou-lhe cartas de condolências por sua doença. Ezequias recebeu os homens e mostrou-lhes todas as riquezas de sua casa. Que loucura para um rei que estava cercado por nações inimigas mais fortes que ele! Uma coisa é tornar públicos os tesouros de Israel em um tempo de grande força como o de Davi e de Salomão, mas outra bem diferente é fazer isso num dia de fraqueza. O profeta Isaías chama sua atenção para o resultado de mostrar seus tesouros a esses visitantes – os tesouros serão levados e seus filhos serão feitos eunucos no palácio da Babilônia. Ezequias, ao mostrar os tesouros, não deu a glória ao Senhor. Ele poderia defender esses tesouros por conta própria? Antes, quando Senaqueribe veio contra Jerusalém, Ezequias intercedeu de maneira tão bela diante do Senhor, reconhecendo sua própria falta de força (2 Reis 19).

A próxima parte da história, embora tão triste, revela uma lição importante para as famílias, pois revela os motivos de Ezequias. “Então disse Ezequias a Isaías: Boa é a palavra do Senhor que disseste. Disse mais: E não haverá, pois, em meus dias paz e verdade?” (2 Rs 20:19). Que falta de cuidado com a próxima geração! O egocentrismo não contribui para o fortalecimento de um lar. O que Ezequias disse é muito pior do que o adesivo que diz: “Estou aposentado – gastando a herança de meus filhos”. Muito mais em jogo do que dinheiro; a questão envolve o bem-estar moral e espiritual das gerações seguintes. É uma maneira de ensinar que achamos que é correto ser egoísta. Acaso é de admirar, neste caso, que Manassés, filho de Ezequias, não fosse um rei piedoso? Certamente Manassés também deve dar conta de seu próprio fracasso. Além disso, para ser justo em comentar a história, devemos lembrar que Ezequias não tinha a vantagem de um pai piedoso para ensinar-lhe essas coisas. Que cada um de nós, na medida em que vemos estas coisas, as pratique e dê graças ao Senhor por Sua misericórdia conosco, na medida em que somos preservados dessas armadilhas.

Nossas falhas e expectativas 

Quantas vezes somos levados a sentir nossa fraqueza e falha ao colocar adequadamente em prática esses princípios em nossa casa! E, junto com isso, com que frequência temos expectativas não cumpridas! Em nossas tentativas de ordenar nossa família, o tempo passa e nem sempre vemos aqueles que estão em nossa casa do jeito que esperávamos. Então podemos ficar desanimados. Estar angustiado por desonra feita ao Senhor mostra um motivo certo, mas é fácil confundir isso com nossos próprios motivos. Vamos ter um espírito contrito e humilde nessas coisas. O Senhor promete habitar com tais (Is 57:15).

O inimigo é sutil em nos confundir, procurando nos fazer pensar que, por causa de nossas falhas, a graça de Deus cessará e nossa casa não será abençoada. Embora seja verdade que colhemos o que plantamos, isso não impede Deus de abençoar de acordo com Suas riquezas em Cristo Jesus. Vamos nos apegar à Sua promessa com fé. Nunca deixemos de confiar em Deus, não importa o que aconteça, pois, ao fazê-lo, estamos deixando o terreno da graça. Considere os do Velho Testamento que reivindicaram bênçãos para sua família e observe com que frequência os que tinham fé em suas famílias falhavam em como agiam. Noé ficou bêbado, Moisés matou um egípcio, Raabe mentiu e David teve uma lista de falhas graves. Sem dúvida, cada uma dessas falhas trouxe consequências governamentais, mas isso não impediu Deus de honrar a fé deles.

Mais uma palavra sobre o cumprimento das expectativas: “Não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão. Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa” (Hb 10:35-26). Não podemos esperar ver todos os frutos de nosso trabalho nesta vida. Com alguns, como Moisés, Deus os deixa para treinar em Sua escola por um longo tempo. Sem dúvida, os pais de Moisés viram muito pouco de seus desejos realizados em sua vida. O objetivo final nisto não é para nós vermos o fruto agora, mas para que o Senhor o cumpra por Sua causa em Seu tempo. Fazer coisas como recompensa nesta vida não é a melhor opção. O Senhor falou disso a respeito daqueles que buscavam a glória diante dos homens e disseram: “já receberam o seu galardão”. Que possamos ser encorajados a confiar no Senhor no que diz respeito a nossa família, “até que o Senhor venha, o Qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor” (1 Co 4:4-5)

D. C. Buchanan

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