Origem: Revista O Cristão – Fundamentos
Antes da Fundação do Mundo
Não sabemos quão antigo é este mundo, mas o próprio Jeová diz ao Filho: “Desde a antiguidade fundaste a Terra” (Sl 102:25). Como é maravilhoso considerar que Deus nos fala em Sua Palavra sobre coisas que aconteceram antes da fundação do mundo!
A primeira referência que consideraremos está no ministério de Pedro, onde lemos: “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis… que fostes resgatados… mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o Qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós” (1 Pe 1:18-20).
A obra de Cristo na cruz e Seu sofrimento pelo pecado não foram um pensamento posterior para Deus. Não, Deus sabia que o pecado viria e corromperia Sua bela criação, seja uma criação que ocorreu “desde a antiguidade”, seja quando foi modificada antes da criação do homem. Deus sempre teve diante de Si a exaltação de Seu Filho amado, como o “Cordeiro de Deus” que “tira o pecado do mundo” (Jo 1:29). Ele foi “pré-ordenado” (At 3:20 – JND) ou predestinado a ser Aquele que realizaria essa obra grandiosa.
Como criaturas que nasceram em um contexto de tempo, não conseguimos entender o conceito de eternidade, embora possamos entender o termo e seu significado. Mas Deus vive e Se move na eternidade, e determinou o remédio para o pecado, não apenas antes que o pecado entrasse neste mundo, mas muito antes da fundação do mundo!
Isso nos dá paz e descanso, enquanto contemplamos com reverência a Divindade, que pôde conceber tal plano. Não podemos medir a eternidade, de modo que não nos é dito quão longe na eternidade essa predestinação se estendeu. Somente o próprio Deus pode medir isso, mas podemos descansar no Cordeiro de Deus, que veio no tempo determinado para ser “manifestado nestes últimos tempos”.
Escolhidos em Cristo
A segunda referência está em Efésios, onde lemos: “O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo… nos elegeu n’Ele (em Cristo) antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante d’Ele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para Si mesmo, segundo o beneplácito de Sua vontade” (Ef 1:3-5). Isso traz todo o plano de Deus ainda mais perto de nós nesta dispensação, pois é somente a respeito dos santos que fazem parte da Igreja que a Palavra de Deus diz que fomos escolhidos dessa maneira. Sim, aqueles salvos neste tempo especial da graça de Deus são trazidos a um favor distinto diante de Deus e foram escolhidos para fazer parte da Igreja – um lugar de proximidade com Cristo que outros não terão.
Embora todos na Igreja sejam escolhidos, eles são escolhidos individualmente e, em seguida, acrescentados à Igreja. Acaso já consideramos que lugar privilegiado temos? Muitos queridos crentes que fizeram e fazem parte da Igreja se perguntaram: “Por que fui escolhido?” A única resposta é que se trata da graça soberana de Deus. Deus pôde escolher Saulo de Tarso para fazer parte da Igreja, embora ele pudesse se descrever com precisão como o principal dos pecadores. Deus está formando Sua Igreja a partir de todas as nações hoje, e juntos eles comporão a Noiva de Cristo. Novamente, que lugar privilegiado temos! Se tivéssemos podido escolher quando nascer neste mundo, não poderíamos ter escolhido um momento melhor. É de fato “segundo o beneplácito de Sua vontade, para louvor da glória da Sua graça” (Ef 1:5-6).
Tu Me amaste
Finalmente, temos a terceira referência, e talvez a mais preciosa de todas. Lemos no evangelho de João: “Pai, aqueles que Me deste quero que, onde Eu estiver, também eles estejam Comigo, para que vejam a Minha glória que Me deste; porque Tu Me amaste antes da fundação do mundo” (Jo 17:24). Talvez possamos conectar isso com o versículo anterior (v. 23), onde lemos: “Para que o mundo conheça que Tu Me enviaste a Mim, e que os tens amado a eles como Me tens amado a Mim”. Aqui somos levados diretamente para fora de nós mesmos, para um amor divino que existiu entre o Pai e o Filho em uma eternidade passada, e é a mesma afeição com que o Pai nos ama. Novamente, não nos diz quão distante esse amor remonta, pois não podemos medir a eternidade. Mas esse amor que começou na eternidade perdurará por toda a eternidade, porque é amor divino. Antes da criação do mundo – em eras anteriores à existência do tempo – o Pai amava o Filho e agora nos tem demonstrado esse mesmo amor.
O pensamento é avassalador, pois somos introduzidos àquilo que está, em última análise, além do nosso entendimento, embora não além do nosso desfrute. Não apenas desfrutaremos desse amor por toda a eternidade, mas lemos em Sofonias: “Jeová teu Deus… descansará no Seu amor, exultará sobre ti com júbilo” (Sf 3:17 – TB). Isso, sem dúvida, se refere ao gozo de Deus na nação restaurada de Israel num dia vindouro, mas será plenamente realizada quando a Igreja for trazida à plena bênção. Nosso gozo será grande, mas o gozo do Senhor será maior. Ele descansará em Seu amor – aquele amor que existia antes da fundação do mundo.
