Origem: Revista O Cristão – Fundamentos

Uma Cidade que Tem Fundamentos

Fiquei impressionado com o fato de que em Apocalipse 4, ao falar do trono do governo de Deus, há povos, anjos, assembleias, criaturas viventes – uma população inteira ali – mas quando chego à cidade celestial (Apocalipse 21), há um muro alto, ruas, portões de pérola, mas onde estão as pessoas? Ninguém é mencionado ali, porque as pessoas estão extasiadas na ideia da glória de Deus e do Cordeiro, e nada mais é pensado (embora saibamos que ela é a noiva do Cordeiro), pois Deus e o Cordeiro estão lá.

Abraão “esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o Artífice e Construtor é Deus” (Hb 11:10).

Foi a busca por essa cidade que fez de Abrão um peregrino e um estrangeiro. O mundo não conseguia entendê-lo e poderia ter dito: “Agora que Abrão está na terra, o que ele possui?” Nada, pois ele não podia explicar-lhes como era, mas ele tinha visto pela fé aquela cidade cujo Construtor era Deus. Vemos, então, que Abrão é chamado e, tendo entrado pela fé nas condições do chamado, ele entra na terra. Lá ele tem uma revelação presente do Senhor, que é o fundamento de sua adoração, mas ele não teve descanso; os cananeus estavam lá.

Se Deus me chamou para fora, devo deixar o mundo como ele está, e não pensar em consertá-lo. Não se pode ter um relacionamento com Cristo e com o mundo ao mesmo tempo. A adoração a Deus se fundamenta no conhecimento da posição celestial em que nos encontramos, sendo chamados para fora do mundo para a comunhão com Ele próprio. Não temos uma coisa sequer em comum com o mundo, mas podemos cantar sobre a redenção, como se estivéssemos agora no céu. Meu relacionamento com Deus não mudará em nada quando eu chegar à casa; será exatamente o mesmo então como é agora. Ele nos colocou em Cristo, e podemos dizer, como em Deuteronômio 26:3: “Hoje declaro perante o SENHOR teu Deus que entrei na terra” – não “entrarei”. Estamos lá e temos o entendimento de como Deus cumprirá Suas promessas – na “tua semente”. Não o descanso terrenal no cumprimento de uma promessa ao homem, mas o descanso celestial onde Ele habita, onde a glória de Deus o ilumina, e o Cordeiro é a sua luz.

J. N. Darby

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