Origem: Revista O Cristão – Fundamentos
A Sunamita
Os recursos de Deus não se esgotam pelas falhas do homem, e a fé não se distrai. Mas, nos dias atuais do Novo Testamento, temos algo mais a observar: a plena satisfação que a fé encontra naquilo que Deus já lhe proporcionou. Temos o zelo e o cuidado do Espírito, para que usemos, e nos apeguemos a isso, na perfeita satisfação de que é suficiente para atender a todas as novas e crescentes demandas. Em outros tempos, a fé contava com aquilo que ainda receberia; nestes dias atuais, ela é fiel e permanece naquilo que já recebeu. Pois ela recebeu Cristo, o fim de todas as provisões divinas.
A sunamita, em 2 Reis 4, ilustra essas belas formas de fé, e o faz de maneira primorosa. Somos lembrados daquele versículo: “Se forem destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?” (Salmo 11:3). A sunamita não se deixou abater ou distrair por um dia de fracasso e confusão; ela está preparada para isso sob as mãos do homem; mas tendo entendido e alcançado a Deus e Seus recursos, ela está satisfeita e permanece ali.
Isso se mostra bem em sua história. No início, ela apreende Eliseu com justiça. Sem apresentações, ela percebe que ele é “um homem de Deus” e, como tal, o acolhe e o hospeda. Ela pode contar com o fato de Deus ter Seus recursos à disposição, embora o reino seja reprovado. E ela faz isso da maneira adequada. Ela conhece o caráter dele, tão bem quanto sua pessoa. Se ele é um homem de Deus, ela confiará nele por ter os gostos e empatias dele, e como tal ela prepara para ele – um pequeno quarto junto ao muro, e os móveis necessários: uma cama, uma mesa, uma cadeira, um castiçal. Não para exibir os tesouros de sua casa, mas para recebê-lo em seu caráter, é o que ela pensa; e isso é comunhão. Seus instintos estão certos, pois sua fé é forte e inteligente.
O cenário era celestial, pois tudo ao redor daquele quarto falava de sermos estrangeiros celestiais na Terra nos dias de corrupção e apostasia. As coisas estavam então em completa ruína moral. A família de Acabe, a casa de Onri, estava no trono, e nada no reino, naquele momento, era digno de Deus. Pequenas coisas eram suficientes, e somente elas eram suficientes para o povo de Deus naquela época. Nos dias de Salomão será diferente. Agora, uma cama, uma mesa, uma cadeira e um castiçal são suficientes; Então, os servos, suas vestes e seus assentos, com tudo o mais, demonstrarão a grandeza terrenal e secular. Tudo isso é cheio de beleza e significado.
Essa querida mulher apreende o testemunho de Deus naquele dia mau. Ela sabe que Deus é verdadeiro, embora todo homem seja mentiroso. Ela sabe que, se os fundamentos forem destruídos, ainda há algo que os justos podem fazer (Salmo 11:3). Deus ainda está em Seu santo templo. Naquele dia mau, ela viu os recursos de Deus em Seu vaso, Eliseu. Ele é um estrangeiro, um homem solitário, uma espécie de Jonas em Nínive, sem apresentação, sem reconhecimento. Mas ela o apreende e, tendo-o aceitado, permanece firme por meio dele. O marido pode falar de luas novas e sábados; o próprio Eliseu pode falar do servo e do bordão; mas para ela, o vaso de Deus é tudo. Ele foi o princípio de sua confiança, e ela o terá como tal, firme até o fim.
A fé, tanto naqueles dias quanto nestes dias, se apega aos recursos de Deus. A fé busca repetidamente, como eu já disse, novos recursos, à medida que novas necessidades surgem; mas enquanto esses recursos estavam nas mãos de Deus para o Seu povo, até que dessem lugar a outros novos motivos, devido a uma nova corrupção, a fé se apegava a eles. Assim foi esta sunamita para com o profeta, quando todo o reino das dez tribos, tanto no trono quanto no santuário, estava em ruínas.
