Origem: Revista O Cristão – Graça
A Graça Prática
Hebreus 12 fala de dois montes – um que fala da lei e a outro que fala da graça. E é uma questão importante para nossa alma, para qual desses montes somos trazidos, pois em conexão com um, temos que tratar com Deus fazendo exigências sobre nós, enquanto em conexão com o outro, nos relacionamos com Deus agindo em graça.
Deus age conosco em graça. Só nesse princípio podemos seguir com Deus. Esta é uma imensa verdade para nossa alma apreender, pois somente quando nos apegamos a isso, podemos compreender o caráter de nossos relacionamentos com Deus e uns com os outros como Cristãos, e os princípios que devem nos governar nos nossos caminhos uns para com os outros. Nossos pecados foram purificados por meio do sangue de Cristo. Isso é pura graça.
Mas a santidade não é necessária? Sim! Somos informados no versículo 14 que sem santidade, nenhum homem pode ver o Senhor. Isto também é graça? A necessidade de santidade certamente não é graça, mas se o caráter e a natureza de Deus são tais que ninguém pode estar em Sua presença sem santidade, Ele a fornece para nós em graça, bendito seja o Seu nome! Nós não temos santidade de nós mesmos ou em nós mesmos, mas Ele nos torna “participantes da santidade”, mesmo que Ele tenha que nos castigar a fim de quebrantar nossas vontades e nos levar a esse exercício de alma em que nós podemos receber tudo d’Ele. Toda bênção flui d’Ele em perfeita graça, e nosso lugar diante d’Ele é de recebedores sujeitos.
Imitadores da graça de Deus
Mas agora, se Deus age em nosso favor no princípio de graça, devemos ser imitadores d’Ele, como filhos queridos. A graça é o princípio sobre o qual devemos agir, um em relação ao outro. Percebemos isso suficientemente em nossa alma a fim de agir de acordo com os princípios divinos?
Todos nós estamos peregrinando juntos e, como em um rebanho de ovelhas, há os fracos e os coxos, não para serem deixados para trás, mas para serem ajudados. Há “mãos cansadas” e “joelhos desconjuntados”. Como devemos agir em relação a isso? A passagem é simples: “Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas e os joelhos desconjuntados, e fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja se não desvie inteiramente; antes, seja sarado”. Este não é o monte terrível que queimava em fogo; é a pura graça de Deus.
Por um lado, a graça nos leva a ministrar ajuda aos fracos e aos débeis. Por outro lado, ela nos levará a sermos vigilantes, atentos aos nossos próprios caminhos, para que o coxo não seja desviado do caminho. Há coxos no rebanho, e eles não se saem bem, mas o chicote não seria um remédio para eles. Não devemos agir em relação a eles no princípio dos feitores e exatores de Faraó para com os filhos escravos de Israel. Este não é o caminho de Deus. Ele age conosco em graça e nos ajuda em nossas fraquezas, ou se Ele castiga, quando necessário, é “para sermos participantes da Sua santidade”. O que devemos pensar de um pastor que dá chicotadas em uma ovelha pobre e fraca? No entanto, quantas vezes isso é feito entre o rebanho de Cristo! O chicote em vez de graça! Monte Sinai em vez do Monte Sião! A Palavra de Deus é: “antes, seja sarado”.
Não é que a santidade possa ser dispensada e, portanto, está escrito: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”. Somente nos lembremos, o chicote e o monte ardente não curarão nem produzirão santidade. Só a graça pode fazer ambas as coisas, e assim é acrescentado: “tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus”. Se eu perder em minha alma a percepção daquela graça em que Deus está sempre agindo em relação a mim, fracassarei em manifestar graça para com meus irmãos. E quem pode dizer qual será a perda e dano aos santos? Alguma raiz de amargura surge, e surge o problema, e muitos são assim contaminados. Que tristeza às vezes é causada na assembleia de Deus, porque alguém – um líder, pode ser – fracassou na graça de Deus e agiu no espírito da lei em vez do Espírito de Cristo! Ou alguém, por ganância, fez um algo autoritário ou defraudou seu irmão! Ou alguma palavra foi falada inadvertidamente, e uma semente má foi semeada em algum coração, que surge como raiz de amargura, produzindo problemas, que passa de boca em boca, contaminando muitos. Certamente tal conduta é muito triste, totalmente contrária ao Espírito de Cristo, e se não for julgada de forma severa por aqueles que assim agem, trará a mão do Senhor na disciplina.
Oh, perceber em nossa alma mais íntima que somos salvos pela graça, que estamos em graça, e que é graça a cada passo do caminho até o fim! E perceber que somos chamados a viver e agir em relação ao outro no poder da mesma graça em que Deus agiu e sempre age conosco.
Christian Truth, vol. 7, pág. 23 (adaptado)
