Origem: Revista O Cristão – Imoralidade
O Caráter Moral dos Últimos Dias
Quando o apóstolo Paulo revisou sua vida e ministério com os anciãos de Éfeso, em Atos 20, ele mencionou três assuntos principais sobre os quais havia pregado – o evangelho da graça de Deus, o reino de Deus e todos os conselhos de Deus. A ordem destes é importante. Devemos ouvir e crer no evangelho primeiro, para ter uma nova vida em Cristo. Então devemos entender o reino de Deus e, finalmente, podemos aprender todo o conselho de Deus. É o reino de Deus que desejamos considerar neste artigo.
O reino de Deus
Quando o Senhor Jesus estava na Terra, falou com frequência do reino de Deus, pois Ele havia vindo para estabelecer esse reino. A expressão realmente se refere ao caráter moral adequado ao reino de Deus e, em Seu ministério, o Senhor Jesus instruiu Seus ouvintes Judeus sobre o que seria uma conduta apropriada em Seu reino. O homem natural não pôde aceitar isso e, consequentemente, rejeitou o Senhor Jesus, Aquele que podia dizer de Si mesmo: “o reino de Deus está entre vós” (Lc 17:21).
Estando consumada Sua obra na cruz, os crentes que agora têm nova vida em Cristo são chamados a servir de exemplo, em sua caminhada diária, daquele caráter adequado ao reino de Deus. Não existe reino visível hoje, pois o legítimo Rei foi rejeitado e ainda não voltou para estabelecer Seu reino. No entanto, aqueles que reconhecem o legítimo Rei são chamados a agir de acordo com a qualidade moral desse reino. Nunca enfatizaremos o suficiente a importância disso. Em seu ministério, Paulo fala repetidamente sobre o reino de Deus e diz a seus ouvintes que aqueles que se envolvem na prática de atos perversos e carnais não herdarão o reino de Deus. Mesmo antes de Paulo, Filipe pregou as coisas “acerca do reino de Deus” (Atos 8:12), e o Senhor Jesus falou disso em ressurreição – “falando das coisas concernentes ao reino de Deus” (At 1:3).
Verdadeiro Cristianismo
A exibição prática do reino de Deus em nossa vida é a verdadeira essência do verdadeiro Cristianismo. C. H. Mackintosh expressou bem isso na seguinte citação:
“O Cristianismo é uma realidade viva e divina. Não é um conjunto de doutrinas, por mais verdadeiras que sejam; ou um sistema de ordenanças, por mais imponente que seja; ou uma série de regras e regulamentos, por mais importantes que sejam. O Cristianismo é muito mais do que qualquer uma ou todas essas coisas. É uma realidade viva, que respira, que fala, poderosa – algo a ser visto na vida cotidiana – algo a ser sentido nas cenas da história pessoal e doméstica de hora em hora – algo formativo e influente – um poder divino e celestial introduzido nas cenas e circunstâncias pelas quais temos que nos mover como homens, mulheres e crianças de domingo de manhã até sábado à noite.”
“O Cristianismo é a vida de Cristo comunicada ao crente – habitando nele – e fluindo d’Ele, nos dez mil pequenos detalhes que compõem nossa vida prática diária.”
A influência do mundo
Ao escrever Sua Palavra, o Senhor sabia muito bem como a influência do mundo ao nosso redor tenderia a enfraquecer e até corromper tudo isso. Por todas as eras do testemunho Cristão, os esforços de Satanás têm sido arrastar a vida e o comportamento do crente para baixo.
Quando temos que viver e nos mover em uma condição terrível de coisas, é muito fácil ceder a ela, pelo menos até certo ponto. Nossa linguagem pode tender a assumir o caráter do mundo, e talvez expressões ásperas, rudes ou mesmo imorais escapem de nossos lábios, em vez de nossa fala ser “sempre agradável [com graça – ARA], temperada com sal” (Cl 4:6). Hoje, até mesmo as mulheres costumam usar termos vulgares que raramente seriam ouvidos em público há apenas alguns anos atrás.
Mostrando o reino de Deus
Nossa vida pessoal e doméstica, em vez de ser modelada e governada pela Palavra de Deus, pode inclinar-se a seguir as tendências encontradas nas revistas, na televisão ou nos filmes do mundo. Aqui está uma área em que uma família Cristã pode mostrar o reino de Deus. Nós nos vestimos de uma maneira modesta? Como família, dedicamos tempo para as coisas do Senhor? Lemos a Palavra de Deus juntos e falamos sobre ela? As crianças aprendem pelo exemplo, principalmente de seus pais e dos mais idosos. Que sejamos uma influência positiva.
Em nossa vida profissional e de negócios, em vez de procurar servir “a Cristo, o Senhor” (Cl 3:24), podemos adotar práticas mundanas, como mentir e trapacear, juntamente com um egocentrismo que se esforça para progredir a todo custo. Podemos rir de piadas obscenas, esquecendo que “os insentatos zombam do pecado” (Pv 14:9). Podemos adotar o hábito de tomar dinheiro emprestado de forma imprudente ou viver a crédito quando há pouca ou nenhuma capacidade de pagar. Podemos nos mergulhar tão fundo no modo de pensar do mundo que deixamos de reconhecer que o que estamos fazendo é realmente desonesto. Mas será que outro crente consideraria isso correto e honesto? Meus colegas de trabalho me veriam como uma “pessoa justa”?
O estado moral correto
Tudo isso enfraquece muito nosso poder espiritual e estraga efetivamente qualquer testemunho para os incrédulos. Em vez de nos afastarmos do mal, como Abraão, ou estarmos dispostos a sofrer mais a perda do que o pecado, como José, nos tornamos como Ló. Apesar de suas boas intenções, o fato de querer o melhor neste mundo resultou em sua degradação progressiva até que ele quase pereceu no julgamento de Deus sobre Sodoma. Além de tudo isso, não podemos realmente apossar-nos de “todo o conselho de Deus”, a menos que tenhamos primeiro levado a sério as coisas do reino de Deus. A menos que nosso estado moral esteja correto diante de Deus, o Espírito de Deus não nos confiará “as profundezas de Deus” (1 Co 2:10). Permaneceremos bebês em Cristo e não seremos capazes de lidar com o “sólido mantimento” que é reservado “para os adultos” (Hb 5:14 – ARA). Mais do que isso, não teremos nossos “sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal” (Hb 5:14). Como o mal se tornou algo comum para nós, será impossível diferenciar entre o bem e o mal.
Isso não precisa ser assim. Se buscarmos a graça do Senhor para ler Sua Palavra, andar em Sua força e viver moralmente em separação deste mundo, descobriremos que o próprio Senhor desejará nossa companhia. Ele diz: “se alguém ouvir a Minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele Comigo” (Ap 3:20).
