Origem: Revista O Cristão – Imoralidade
Enfrentando a Tentação
Quando eu pedi minha esposa em casamento, a resposta dela foi: “Eu mal te conheço”. Tenho certeza de que nos amávamos naquele momento, mas agora, depois de mais de quarenta anos, sou eu quem diz a ela: “Ainda estou te conhecendo”. Eu percebi como os relacionamentos são construídos sobre confiança, honra e respeito mútuos, além do amor. Eles são os blocos de construção para um bom relacionamento, não apenas durante o namoro, mas durante os anos do casamento. A crescente disponibilidade de pornografia e a exposição frequente e inevitável a anúncios sedutores e todos os tipos de mídia colocam diante de nós tentações às quais devemos resistir. Se não aprendermos a resistir, ela nos destruirá. O mais querido e valioso relacionamento está em jogo. Quando os blocos de construção do relacionamento matrimonial são comprometidos, as consequências são devastadoras.
A resistência de José à tentação
O exemplo de como José resistiu à tentação quando a esposa de seu senhor lhe disse: “deita-te comigo”, revela as coisas encobertas que estão em jogo e como superar a tentação. Há três partes na resposta dele. Antes de mais nada: “Ele recusou, e disse à mulher de seu senhor: Eis que meu senhor não toma conhecimento de coisa alguma comigo; o que há na casa, e tudo quanto ele tem, ele entregou em minha mão” (Gn 39:8 – JND). José honra a confiança e a convicção que seu mestre deposita nele; ele é fiel ao seu mestre. Qualquer quebra de relacionamento adequado com a esposa de seu mestre seria não apenas pecaminosa, mas também uma traição à confiança. Qualquer ação que violasse essa confiança não poderia ser amor verdadeiro. É dito da mulher virtuosa em Provérbios: “O coração do seu marido confia nela, e não haverá falta de ganho” (Pv 31:11 – ARA).
Segundo, José diz: “Ninguém há maior do que eu nesta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto tu és sua mulher” (Gn 39:9). Ele preserva a honra que seu mestre havia lhe dado, recusando-se a agir de maneira desonrosa. Ele honra seu mestre ao reconhecer seu relacionamento adequado com a esposa de seu mestre. Nós, como Cristãos, precisamos defender a honra que nos é depositada. Ceder à tentação desonra nosso Senhor; devemos agir como filhos de Deus. “Força e honra” são as roupas (testemunho público) da mulher virtuosa e “seu marido é conhecido nas portas” (Pv 31: 23,25).
Terceiro, José diz: “como pois faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?” (Gn 39:9). Ele viveu na percepção da presença de Deus. A tentação foi vista não apenas como um pecado contra seu mestre, mas também como um grande pecado contra Deus. Os olhos d’Ele o viam. José levanta a capa do segredo e revela o olho de Deus que tudo vê. Lembremos que nunca saímos impunes do que fazemos! “Todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos d’Aquele com Quem temos de tratar” (Hb 4:13).
Evite a tentação
Desejamos chamar atenção para outro ponto a respeito de como José se comportou depois que a esposa de Potifar tentou seduzi-lo. “E aconteceu que, falando ela cada dia a José, e não lhe dando ele ouvidos, para deitar-se com ela, e estar com ela” (v. 10). Ele não apenas não deu ouvidos a ela, mas também evitou a situação que o colocaria em casa a sós com ela. Sempre que houver um local conhecido de tentação, devemos sempre procurar evitá-lo e, se isso não for possível, melhor ter alguém conosco enquanto enfrentamos a situação. A instrução de Salomão em Provérbios é a única maneira correta de lidar com a situação: “Não entres pela vereda dos ímpios, nem andes no caminho dos maus. Evita-o; não passes por ele; desvia-te dele e passa de largo” (Pv 4:14-15).
Além disso, somos aconselhados nas palavras de sabedoria que Deus deu ao rei Salomão nos capítulos 6‑7, de que existem duas maneiras de nos preparar para resistir à tentação da imoralidade sexual, como retratado na mulher estranha. O capítulo 6:20‑35 fornece a preparação interna do coração, recebendo instruções e permitindo que elas formem nosso caráter; o capítulo 7 adverte sobre as formas e táticas externas da mulher estranha e para onde elas levam no final. À medida que nos aproximamos do fim dos tempos, em que a violência e a corrupção são cada vez mais predominantes, nossa sobrevivência moral será grandemente aprimorada por estarmos bem armados com essas duas defesas.
O tempo do silêncio
A conduta enganosa da esposa de Potifar depois que José recusou as investidas dela prova o quão egoísta ela era. Não havia amor em seu coração; era apenas concupiscência. Confiança, honra e respeito um pelo outro são necessários para que exista uma relação de amor. José, ao guardar esses princípios, permaneceu calado quanto às falsas acusações; nós o vemos assumindo a culpa em vez de se justificar. Ele não se tornou um fofoqueiro para se salvar. Ele respeitava e honrava seu mestre a um grande custo. Se, em sua própria defesa, ele contasse o que realmente havia acontecido, isso causaria grandes danos ao casamento de Potifar. “Não erreis: Deus não Se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6:7). No tempo de Deus, a verdadeira história foi divulgada.
A veste
A veste que José deixou para trás quando fugiu tornou-se testemunha de dois testemunhos opostos. Na realidade, isso era evidência do amor fiel, da honra e do respeito de José por seu mestre. A esposa de Potifar a usou falsamente como evidência de concupiscência, desonra e desrespeito. Qual testemunho será acreditado? Nesses casos, na maioria das vezes, o testemunho que as pessoas acreditam é aquele em que elas desejam acreditar. Os julgamentos são feitos de acordo com a inclinação do coração, e Potifar acreditou no que estava de acordo com seu coração. O verdadeiro discernimento para avaliar corretamente tais situações pertence apenas àqueles que, em submissão à Palavra de Deus, andam de acordo com Seus ensinamentos. Ao fazer isso, eles não se deixam cegar pela sua própria vontade, mas mantêm o amor, o respeito e a honra uns pelos outros.
Esses são os fatores importantes com os quais devemos lidar, ao enfrentarmos tentações imorais. Devemos ter a preparação interna de nosso coração e também a vigilância sobre as circunstâncias exteriores que podem levar à tentação. “Também da soberba [pecados de presunção[1] – TB] guarda o Teu servo, para que se não assenhorie de mim. Então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão. Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a Tua face, SENHOR, Rocha minha e Redentor meu!” (Sl 19:13-14).
[1] N. do T.: Ou pecado feito propositalmente, “à mão levantada” (Nm 15:30 – ARC). ↑
