Origem: Revista O Cristão – Imoralidade

Homossexualidade

Nossa inclinação natural pode ser facilmente a de evitar uma discussão sobre esse tema, mas a publicidade dada ao assunto no mundo de hoje e o fato de ser mencionado várias vezes na Palavra de Deus tornam apropriado considerarmos o que Deus tem a dizer sobre a questão.

Antes de tudo, é de suma importância entender que a Palavra de Deus condena as práticas homossexuais nos termos mais severos possíveis. De acordo com a lei de Moisés, aqueles que se envolviam em tais atividades deveriam ser “extirpados do seu povo” (Lv 18:22, 29; também Lv 20:13). Da mesma forma, Paulo menciona o mesmo pecado em Romanos 1:26‑27, 1 Coríntios 6:9-10 e 1 Timóteo 1:10; em todos os casos, a prática é abominável e profundamente condenada. Na referência em Romanos 1, é dada uma causa raiz do problema: “Porquanto, tendo conhecido a Deus, não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si” (Rm 1:21-22, 24).

Esta é sem dúvida uma referência ao tempo imediatamente após o dilúvio de Noé, quando Noé e sua família possuíam o conhecimento do Deus verdadeiro. Mas com que rapidez sua posteridade abandonou esse conhecimento e se voltou para a idolatria! Como resultado, Deus os abandonou, permitindo que eles vissem a completa consequência de seu distanciamento d’Ele. A prática da homossexualidade era obviamente comum em Sodoma, resultando no julgamento de Deus naquela cidade perversa, e o incidente que ocorreu em Israel nos dias dos juízes é assustadoramente semelhante ao que ocorreu em Sodoma – veja Juízes 19:22.

Legalização 

Até muito recentemente, leis rigorosas contra práticas homossexuais existiam na maioria dos países ocidentais e também em muitos dos chamados países pagãos. Embora essas atividades sem dúvida ocorressem, elas eram, em grande parte, praticadas em oculto. Agora, o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi legalizado em alguns países, como Holanda, Bélgica, Canadá, Espanha, Portugal e em alguns Estados dos EUA. Em tais jurisdições, a prática da homossexualidade é abertamente permitida e é ensinada em escolas públicas como uma alternativa aceitável a um relacionamento heterossexual.

Fatores contribuintes de sua origem 

Está além do escopo deste artigo entrar em uma discussão detalhada da origem dessas tendências em alguns indivíduos. Provavelmente, existem fatores presentes na constituição genética de algumas pessoas que as tornam suscetíveis à atração por pessoas de mesmo sexo. Além disso, às vezes existem fatores resultantes do ambiente em que a pessoa é criada que podem agravar ou até estimular essa tendência. No entanto, há duas razões apresentadas na Escritura que são claras e definidas, e preferimos confiar na Palavra de Deus em vez de especular do ponto de vista humano.

Antes de tudo, temos a passagem em Romanos 1, já citada, que nos diz que essa tendência (entre outras práticas imorais) era um juízo direto de Deus sobre aqueles que haviam voluntariamente abandonado o conhecimento d’Ele. Deus não Se deixa escarnecer, e se os homens O excluem de sua vida, há consequências, tanto no presente quanto na eternidade. O surgimento do vírus da Aids, cerca de trinta anos atrás, parece ser outro exemplo de “homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro” (Rm 1:27).

Segundo, quando o pecado entrou neste mundo como resultado da queda do homem, a natureza do homem se tornou corrupta, e lemos que “a Terra estava corrompida e encheu-se a Terra de violência” (Gn 6:11). Embora não lemos especificamente sobre a homossexualidade antes do dilúvio, outras práticas imorais eram obviamente desenfreadas, e não temos motivos para acreditar que a homossexualidade não foi praticada. A atração pelo mesmo sexo é, portanto, parte do triste resultado da queda do homem, além de ser um juízo direto de Deus sobre o homem.

A atitude do crente 

Qual deve ser a atitude do crente em relação ao assunto? Antes de tudo, a perspectiva do crente nunca deve ser determinada pela corrente de pensamento no mundo ao seu redor. A Escritura nos diz que nos últimos dias “os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados” (2 Tm 3:13), e, ao vermos isso acontecendo, devemos guardar nossos pensamentos com mais cuidado ainda, certificando-nos de que sejam formados pela Palavra de Deus e não pela sabedoria humana. Ao vermos grande parte do mundo agora tolerando a homossexualidade, devemos ter em mente que a Escritura a identifica como algo de gravidade extrema. Mesmo entre muitas pessoas ímpias, ainda existe um forte repúdio. Sem dúvida, isso ocorre porque não é apenas moralmente errado, mas também um afastamento da ordem natural de Deus na criação.

No entanto, devemos fazer uma distinção entre pecado e pecador. Deus abomina o pecado, mas ama o pecador. Além disso, devemos distinguir entre a tendência ou atração por indivíduos do mesmo sexo e a prática de atos homossexuais. Em Romanos, o apóstolo fala de ambos os pecados, (atos individuais de pecado, seja em pensamento voluntário ou em palavras e ações) e pecado (a velha natureza pecaminosa, que é a raiz de todos os pecados). Enquanto todos os pecados não são iguais diante de Deus, todos os pecados são o resultado da queda do homem e são merecedores do juízo de Deus.

Tendências para pecados diferentes 

Todos nós temos uma velha natureza pecaminosa e somos afligidos por tendências a pecados diferentes. A Escritura reconhece o “homem de grande apetite” (Pv. 23:2 – TB), e para esse, comer demais pode se tornar um pecado. Sabe-se que alguns, devido à sua constituição genética, tornam-se viciados em álcool com muito mais facilidade do que outros. Uns podem ter uma forte tendência à imoralidade, mas ser naturalmente gentil e bondoso. Outro pode abominar a imoralidade, mas ter uma forte predisposição à ira e à violência. Ainda outro pode abominar tanto a imoralidade quanto a violência, mas se inclinar a coisas como mentir, enganar e trapacear de modo dissimulado. (Vemos isso na vida de Jacó, até que a disciplina de Deus produziu uma mudança).

A imoralidade que transgride a ordem de Deus na criação (como pedofilia e homossexualidade) tende a provocar fortes reações por parte de alguns, mesmo no mundo em geral. Sabe-se que mesmo criminosos endurecidos, que pouco se importariam com roubos e violência, muitas vezes ameaçam até a vida de um companheiro de prisão condenado por molestar crianças. Às vezes, os crentes levantam questões sobre se alguém com tendência à pedofilia ou à homossexualidade poderia realmente ser salvo. É importante perceber que essas inclinações podem afligir certos indivíduos e exigir graça do Senhor para superá-las, assim como outros podem ter que superar uma propensão a coisas como mentira, violência ou imoralidade heterossexual.

Julgando a raiz 

Como ocorre com todos os impulsos na velha natureza pecaminosa do crente, as tendências homossexuais devem ser reconhecidas como um efeito da queda e uma raiz de grave imoralidade. A inclinação deve ser julgada sem complacência perante o Senhor, reconhecendo que estamos “mortos para o pecado, mas vivos para Deus” (Rm 6:11). Assim como muitos queridos crentes foram libertados de coisas como vícios em álcool, drogas e imoralidade heterossexual, também não podemos limitar o que a graça de Deus pode fazer ao libertar da imoralidade homossexual. Para alguns, a luta pode ser difícil, a ponto de tornar difícil desfrutar de um relacionamento heterossexual normal, mas certamente o Senhor que deu Sua vida por nós, ouvirá e concederá a graça necessária, se olharmos para Ele. Mas, mesmo que a tendência persista, certamente podemos nos apoderar das palavras do Senhor a Paulo: “a Minha graça te basta” (2 Co 12:9), e esperar por Ele para nos ajudar a não ceder à inclinação e assim cometer um ato manifesto de pecado.

Ajuda pastoral 

Também é importante que outros crentes, que não têm essa tendência, não evitem ou nem se afastem de alguém com tendência homossexual. A prática da homossexualidade deve ser fortemente condenada, mas as pessoas afligidas por esse problema precisam de ajuda, encorajamento e cuidado pastoral, a fim de ajudá-las a evitar cair em pecado. Deve haver liberdade para elas pedirem ajuda, sem medo de serem rejeitadas e evitadas.

Nestes últimos dias, quando toda a restrição parece ter sido abandonada, é preciso uma verdadeira dependência do Senhor para se manter longe da escancarada imoralidade que é exibida por toda parte, seja homossexual ou heterossexual. No entanto, Deus não nos disse para sermos vencedores se isso fosse impossível.

Libertação 

Uma questão final pode surgir sobre se a pessoa com tendência homossexual pode ser completamente libertada dela, de modo a ser capaz de levar uma vida normal e entrar em um relacionamento matrimonial feliz. Esta é uma questão sobre a qual é difícil de se afirmar algo, pois, nas palavras de alguém, “não há nada mais forte que a graça de Deus, mas nada mais fraco que a carne.” Há pessoas com alguns tipos de doenças mentais, por exemplo, que são incapazes de agir de uma maneira completamente normal em alguns aspectos da vida, apesar de caminharem com o Senhor e dependerem d’Ele. Do mesmo modo, alguns com fortes tendências homossexuais podem ter que reconhecer suas limitações e buscar a graça do Senhor para vencê-las dentro de tais limites. Deus não tirou todos os efeitos do pecado neste mundo, nem mesmo para o crente, mas aqueles que glorificam a Deus, apesar de tais limitações, sem dúvida colherão uma grande recompensa nos dias vindouros. No entanto, dizer que alguém não possa se libertar de tal aflição é limitar a graça e o poder de Deus. Em qualquer situação, no entanto, somos sempre responsáveis pelos motivos de nossas ações, e podemos pedir ao Senhor graça para viver uma vida para Sua glória aqui embaixo e andar em comunhão com Ele.

Depois de se referir a vários pecados, incluindo a prática da homossexualidade, Paulo poderia dizer aos coríntios: “E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus” (1 Co 6:11). As práticas que os caracterizaram antes de serem salvos deveriam ser abandonadas, e certamente Deus dará a graça necessária para isso hoje, como Ele fez nos tempos de Paulo.

W. J. Prost

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