Origem: Revista O Cristão – Imoralidade
Ló e o Último Dia de Sodoma
Antes de Deus destruir Sodoma e Gomorra, Ele enviou anjos para verificar se a condição em Sodoma era tão grave quanto se observava. Naquela época, Abraão intercedeu diante de Deus para poupar a cidade, caso nela fossem achadas dez almas justas. Infelizmente, os anjos encontraram menos de dez; o tempo de juízo para Sodoma era iminente. Ló, que morava na cidade, não pôde adiar o juízo. O único recurso era salvar almas de Sodoma, mas Ló não tinha poder moral para convencer alguém a deixar a cidade. Embora ele estivesse “enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis” (2 Pe 2:7), ele também disse sobre a vida na cidade: “Deixe-me escapar para lá… para que minha alma viva” (Gn 19:20). Sua relutância em deixar a cidade de Sodoma também foi evidência de seu apego a ela. Essa duplicidade de espírito o deixou com pouco poder para convencer até os membros de sua própria família a deixar a cidade antes do juízo iminente. Não existe poder moral para o bem sem estar separado do mal contra o qual testemunhamos.
Hospitalidade do Ló
Ló foi hospitaleiro com os mensageiros, dizendo: “Eis agora, meus senhores, entrai, peço-vos, em casa de vosso servo, e passai nela a noite, e lavai os vossos pés; e de madrugada vos levantareis e ireis vosso caminho” (Gn 19:2). Ele sabia que não era seguro para eles passarem a noite nas ruas, mas aparentemente ele não percebia o quão madura a cidade estava para o juízo. Ele lhes diz: “passai nela a noite, e lavai os vossos pés; e de madrugada vos levantareis e ireis vosso caminho”. Eles lhe dizem: “Não… Porque nós vamos destruir este lugar, porque o seu clamor tem aumentado diante da face do SENHOR” (Gn 19:2, 13). Pedro nos adverte sobre esse perigo: “nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências, E dizendo: Onde está a promessa da Sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação” (2 Pe 3:3‑4).
A hospitalidade de Ló foi uma refeição que incluía pão sem fermento – pão da aflição – que, embora possa ter sido apropriado para a ocasião, se destaca em forte contraste com a refeição que Abraão já havia servido. Abraão não estava enredado na condição daqueles que viviam ao seu redor e podia desfrutar de uma refeição de bolos assados na lareira, além de uma vitela tenra e boa com manteiga e leite. Porque tal diferença? É um caso de estar separado da sujeira do pecado, não apenas uma separação física do mal que nos cerca (embora muitas vezes essa seja a melhor opção), mas uma separação moral. Ló morava moralmente em Sodoma, afligindo-se. Nessa condição, ele não podia desfrutar das melhores coisas da vida, assim como podia Abraão. Quantos verdadeiros Cristãos ficam tão ocupados com o mal que os rodeia que perdem esse tipo de comunhão com o Senhor!
A condição moral de Sodoma
A visita dos anjos a Sodoma revela a condição moral dos que nela vivem e como Ló lidou com essa condição. Isso nos permite saber em que ponto Deus decide julgar. Notemos o que a Escritura diz sobre os homens de Sodoma. Primeiro, vemos que eles se ajuntaram para fazer o mal (Gênesis 19:4). Além disso, eles abandonaram a ordem de Deus quanto ao casamento e foram entregues a afeições desordenadas (v. 5). Vemos que eles resistiram a qualquer julgamento contra si mesmos por seu comportamento. Finalmente, eles usariam força ou violência para resistir (vs. 9-10). Tal é a terrível condição degradada do homem entregue à imoralidade. Esta foi a condição que Deus considerou madura para o juízo.
As palavras de Ló: “meus irmãos, rogo-vos que não façais mal”, não têm proveito algum. O que Ló oferece aos homens de Sodoma em suas filhas mostra o quanto ele havia perdido a noção de certo e errado em relação à preservação de sua própria família. Ele estava se comprometendo com os homens de Sodoma, em vez de testemunhar o que era certo, e isso se tornou um laço para sua família. Depois de serem tratados como foram, não seria de se admirar que mais tarde as duas filhas de Ló tenham se comportado daquela maneira com o pai! “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes”.
O julgamento de Deus sobre a imoralidade
Trememos ao considerarmos como a imoralidade ao nosso redor reflete os dias de Noé e Ló. Deus “não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, pregoeiro da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios; E condenou à destruição as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinza, e pondo-as para exemplo aos que vivessem impiamente” (2 Pe 2:5‑6). O Senhor nos avisou que nos últimos dias a imoralidade seria como nos dias de Noé e Ló: “Assim será no dia em que o Filho do Homem Se há de manifestar” (Lc 17:28-30). Neste momento, existem almas que precisam ser resgatadas das mandíbulas do pecado e de Satanás, mas é inútil procurar corrigir a condição do mundo. As palavras de Judas sobre o último tempo são relevantes: “Conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna. E apiedai-vos de alguns, usando de discernimento; e salvai alguns com temor, arrebatando-os do fogo, odiando até a túnica manchada da carne. Ora, Àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a Sua glória, ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém” (Jd 21-25).
