Origem: Revista O Cristão – Imoralidade

Vício em Imoralidade

“Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da prostituição; Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra” (1 Ts 4:3‑4).

Uma esmagadora maioria das pessoas admitiria que a pornografia é algo mau, mas isso não impediu seu rápido crescimento; agora é calculado como sendo um negócio de bilhões de reais. Os avanços da tecnologia, juntamente com a falta de uma firme regulamentação sobre os meios de comunicação, tornam necessário que o Cristão levante barricadas contra ela. Imagens sexualmente explícitas contaminam a mente, a alma e o corpo. Esse tipo de contaminação não é novo, mas seu perigo é muito maior devido à capacidade dos meios de comunicação de reproduzir imagens gráficas sedutoras e torná-las facilmente acessíveis. A pornografia é altamente viciante e destrutiva. A recuperação é possível, mas quanto mais profunda for a dependência e os prazeres pecaminosos que a acompanham, mais difícil será a reabilitação e menor será a probabilidade de recuperação. Essas coisas também roubam do casamento, o mais íntimo de todos os relacionamentos, a santidade que Deus lhe atribuiu e o degradam em prazer pecaminoso. A concupiscência é confundida com o amor, pois a pornografia é desprovida de amor e, portanto, deixa de lado o fundamento de um bom relacionamento. “Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará” (Hb 13:4).

Por que está errado 

Um olhar atento à Palavra de Deus dá instruções sobre o que está no cerne deste pecado. O Senhor Jesus apontou a causa raiz quando disse a respeito do adultério: “Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mt 5:28). A intenção da pornografia é apresentar algo para a concupiscência, e o olhar sensual é o primeiro passo em direção ao pecado sexual. O Livro de Tiago apresenta o processo que segue o olhar sensual: “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tg 1:14-15). A maneira de tratar com isso é recusar-se a olhar para ele. Se neste assunto sempre fizéssemos isso, poderíamos ser capazes de dizer: “Sim, irmão, o assunto foi resolvido. Conte-me mais sobre o Senhor Jesus – o Homem perfeito que tornou isso tão claro”. Mas o coração nem sempre resolve o problema com tanta simplicidade.

Outro engano é que, enquanto finge oferecer um relacionamento, a pornografia realmente destrói o fundamento de um bom relacionamento. É egoísta e dá uma “excitação” sem um relacionamento legítimo. Destrói a formação de um relacionamento que poderia levar a um cônjuge virtuoso e a um casamento feliz. Portanto, ela é enganosa e destrutiva. Os verdadeiros relacionamentos são desenvolvidos apenas onde há respeito, honra e amor um pelo outro.

A pornografia abre as portas para comportamentos promíscuos e todos os tipos de pecados sexuais. As prisões estão cheias de criminosos que se envolveram com ela e não conseguiram se controlar. Que ninguém pense que pode olhar para isso e não ser afetado.

A defesa necessária 

Todo Cristão deve levantar um escudo contra a imoralidade, pois o mundo está cheio de tentações atraentes que alimentam “a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida” (1 Jo 2:16). A tática do inimigo sempre foi tentar o homem com essas coisas. Devemos tomar as medidas preventivas necessárias para garantir que não fiquemos contaminados por ela e que aqueles em nossa casa não estejam expostos a ela. O lar deve manter do lado de fora as contaminações do mundo, como Deuteronômio 22:8 diz: “Quando edificares uma casa nova, farás um parapeito, no eirado, para que não ponhas culpa de sangue na tua casa, se alguém de algum modo cair dela”. Famílias, sejam vigilantes fiquem atentas aos vídeos, revistas, TV, jogos de computador e Internet permitidos em casa; essas formas de mídia devem ser cuidadosamente controladas ou talvez nem devam ser permitidas. Por exemplo, mantenha o computador em um local aberto onde possa ser monitorado. Lembre-se de que a mulher estranha espreita nas trevas e diz: “As águas roubadas são doces, e o pão tomado às escondidas é agradável” (Pv 9:17). E se vemos em nós mesmos ou em qualquer pessoa em nossa casa uma fraqueza ou incapacidade de resistir a esse tipo de tentação, são necessárias medidas mais drásticas para manter a mídia fora. “Se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno” (Mt 18:9). Sugerimos primeiro tentar a medida menos drástica de se livrar da mídia que apresenta as atrações que despertem a concupiscência dos olhos e da carne.

Vício inicial 

Aqueles que trabalharam com homens em busca de recuperação do vício observaram que há estágios do vício. Nos estágios iniciais, é praticado em segredo, e o vício é negado. No entanto, aqueles que lançam um segundo olhar já estão se tornando viciados. “Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?” (Rm 6:16). Bastou apenas um dia para o rei Davi. O guarda-chuva do segredo não o manterá guardado, mas é uma desculpa para permitir que continue. Não existe algo como não ser descoberto. Pode-se ser capaz de escondê-lo, por um tempo, daqueles que estão ao redor mas nunca de Deus. A confissão do pecado é o caminho correto para superar o vício, e o perdão está disponível, pois “se confessarmos os nossos pecados, Ele é Fiel e Justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (1 Jo 1:9). O perdão dos membros de nossa família também é muito mais prontamente estendido quando o pecado é confessado nos estágios iniciais. Se o assunto for deixado de lado, a situação só piorará.

Outros vícios 

O curso de ação que Davi seguiu depois que ele viu do terraço Bate-Seba, que estava se lavando, é um exemplo de vício mais grave (2 Sm 11). O Senhor deu a Davi advertências quanto à raiz de seu erro no decorrer dos eventos, mas ele não lhes deu atenção. Podemos perguntar por que ele não percebeu os avisos e reagiu para interromper o curso de seu vício. A razão é clara e simples; anteriormente ele havia cedido ao desejo de agradar a si mesmo, e agora isso estava controlando Davi. Os versículos 1‑2 revelam como ele se entregou ao descanso quando deveria estar com seus soldados. Parece que o viver para agradar a si mesmo está no fundo de todos os pecados sexuais.

O vício de Davi tornou-se cada vez mais evidente quando ele tentou encobri-lo chamando Urias de volta do campo de batalha. Mas Urias, o homem contra quem ele pecou, deu um testemunho notável ao rei da própria coisa que Davi havia falhado em cumprir. “E disse Urias a Davi: A arca, e Israel, e Judá ficaram em tendas; e Joabe, meu senhor, e os servos de meu senhor estão acampados no campo; e hei de eu entrar na minha casa, para comer e beber, e para me deitar com minha mulher? Pela tua vida, e pela vida da tua alma, não farei tal coisa” (2 Sm 11:11). Seu cuidado estava voltado para a arca, para Israel e para seu senhor Joabe. Estando corretamente ocupado com essas coisas, ele não estava apenas longe de cair em tentação, mas também foi capaz de dar testemunho de verdadeira piedade a Davi. Seu coração estava próximo de seus companheiros de batalha. Que belo testemunho foi esse para Davi; era o que Davi não tinha! O Senhor recompensará Urias por isso em Seu reino de glória. Mas Davi falha em entender o ponto, pois ele está preso pelas cordas de seus pecados. Sua mente está envolvida em agradar a si mesmo, e ele prossegue usando aquilo que havia sido sua tentação para instigar Urias a voltar para sua casa. Ele deu vinho a Urias, para que ele descesse e fosse dormir com sua esposa. Toda a mentalidade de Davi era governada por seu vício e seu esforço para encobrir os resultados, enquanto Urias estava livre disso e era capaz de fazer o que era correto. Ele foi forte em recusar a tentação, mesmo sob a influência do vinho.

Enquanto isso, Davi não confessa seu pecado, mas segue um plano para se livrar daquele que lhe testemunhou onde ele havia falhado. Ele faz com que Urias seja morto e depois toma Bate-Seba como sua esposa. Deus não interveio até este ponto. Que triste história! É uma advertência para nós e para nosso lar acerca de quão dominador é o vício e de como somente a intervenção governamental de Deus pode interromper o seu curso quando o vício se torna grave. É a misericórdia de Deus que intervém de maneira governamental.

O governo de Deus 

A misericórdia do Senhor enviou Natã, o profeta, a Davi depois que ele tomou Bate-Seba como esposa. E acaso não podemos ver que a sabedoria de Deus escolheu esperar até esse momento para tratar com ele em juízo governamental? Quanto mais alguém se afastar do caminho, mais severo será o juízo. Deus sabia até onde permitir que Davi fosse e, de acordo com isso, trouxe sobre ele Seu juízo que correspondia à sua ação, para o seu bem. Conhecer a sabedoria e a misericórdia de Deus em Seus juízos governamentais deve nos levar a nos submeter humildemente a eles quando falhamos.

A parábola que Natã contou a Davi sobre o homem rico que tomou a ovelha do pobre fez Davi pronunciar seu próprio juízo contra si mesmo. Que justiça da parte de Deus! Davi disse que o homem deveria morrer e restituir quatro vezes mais. Restituir quatro vezes era o que a lei prescrevia quando as ovelhas eram roubadas e degoladas (Êx 22:1), mas se o animal fosse encontrado vivo, a restituição devia ser em dobro (Êx 22:4). Davi foi longe em seu caminho de desobediência, e o preço da restituição foi alto. Deus assim trata conosco conforme o que é justo.

Dois juízos são colocados sobre Davi. A espada nunca se apartaria de sua casa porque ele matou Urias, e Deus permitiria que as esposas de Davi fossem publicamente tomadas dele por seu próximo. Não existe algo como um pecado oculto para com Deus. Durante a vida de Davi, quatro de seus filhos foram levados pela morte, embora a vida de Davi tenha sido poupada, pois o Senhor ainda o usaria. O descendente de Davi, Jesus Cristo, seria Aquele que poderia, com a Sua morte, tirar o pecado do mundo. Durante o restante da vida de Davi, a disciplina parece tê-lo preservado de repetir o pecado. Ele mostrou uma atitude humilde, especialmente quando fugiu de seu filho Absalão, que se levantou contra ele. Sem dúvida, naquele momento, ele reconheceu que era o juízo governamental de Deus sobre ele. Isso contribui grandemente para uma restauração feliz.

Restauração 

No Salmo 51, Davi descreve a experiência de alma pela qual passou após o pecado com Bate-Seba. É uma descrição de como é ter pecado sobre si ao retornar a Deus – a culpa, a falta de gozo, a falta de comunhão e o desejo de restauração. O Senhor deseja e preparou um caminho para a plena restauração, mas isso só é possível trazendo tudo à luz diante d’Ele. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é Fiel e Justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1:9).

É óbvio neste salmo que Davi considerou que vale a pena passar por isso para ser restaurado. Ele também escreveu: “O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas. Refrigera [restaura – JND] a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do Seu nome” (Sl 23:1-3). Neste salmo, vemos como Davi atribuiu sua restauração ao Senhor.

D. C. Buchanan

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