Origem: Revista O Cristão – Indo ao Lar

Os Melhores Anos

Ao longo dos anos, tenho mantido os idosos em profunda e sempre crescente reverência, e agora que eu mesmo estou envelhecendo, a reverência se aprofundou em amor. Eles atravessaram o mar tempestuoso da vida assolado pela tempestade e, ao fazê-lo, encontraram ventos fortes e marés crescentes; eles suportaram pesadas provações e sofreram muitas tristezas. Mas quando, apesar dessas coisas, eles retêm, como uma criança, sua confiança em Deus e continuam a crer de todo o coração que “todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus”, eles tornam-se testemunhas notáveis da graça de seu Senhor.

A magnitude 

“Coroa de honra são as cãs, quando elas estão no caminho da justiça” (Pv 16:31). Quando você pensa sobre isso, as melhores coisas do universo são antigas: montanhas antigas, rios antigos, mares antigos, estrelas antigas, e isso é igualmente verdadeiro no campo da vida humana.

Como todo conhecimento, crescimento, desenvolvimento e caráter são cumulativos, segue-se inevitavelmente que, quando aqueles que amam o Salvador chegam ao fim da vida, são:

“Ricos em experiência que os anjos podem cobiçar;
Ricos em uma fé que cresceu com os anos”.

Eles podem não ter acumulado muito dos bens materiais deste mundo; seus nomes podem nunca ter aparecido nos pergaminhos da fama terrenal, mas, como o coração deles possui a paz que transcende o conhecimento de Deus e o profundo e abundante gozo do céu, eles nunca sentem falta daquelas coisas que são tão cobiçadas pelos homens do mundo.

Os pesares 

Há, no entanto, muitos dos nossos companheiros de jornada que pouco ponderam sobre o aspecto da velhice que acabei de enfatizar. Por causa de falhas, fracassos e pecados, eles estão obcecados com seus pesares.

De fato, já foi dito que, assim como a expectativa é própria dos jovens, os pesares são muitas vezes a posse dos idosos. Antes de prosseguirmos em nossa caminhada e conversa, portanto, desejo que cada um de nós enfrente os fatos e se livre, de uma vez por todas, das coisas que ocasionam apreensão e inquietação. Repetidas vezes, as pessoas disseram: “Oh, se eu pudesse reviver os últimos trinta, quarenta, cinquenta anos novamente. Quão diferente eu viveria!” Mas temos certeza disso? Vimos que a maior universidade da vida é a escola da experiência, mas, como Coleridge[1] nos lembra, a experiência é como a luz de popa de um navio no mar, que ilumina apenas a porção que já foi percorrida, não poderíamos, mesmo com um novo começo, termos a experiência acumulada daqueles anos cujas falhas tão profundamente lamentamos. No entanto, existe outro sentido, mais profundo, no qual podemos recomeçar, e aqui chego ao tema que mais quero enfatizar. Que Deus possa ungir seus olhos enquanto lê, pois Ele tem uma mensagem maravilhosa para entregar a você.
[1] N. do T.: Um poeta inglês.

As alegrias 

Vamos passar para uma fase mais feliz do nosso tema. Falamos dos pesares da velhice; Agora, vamos pensar em suas alegrias.

Começo citando o testemunho de alguém que bebeu profundamente delas e cujas palavras foram uma bênção para mim. Ele diz: “Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de cânticos”. Sinto muito pelas pessoas que não gostam de envelhecer, que tentam o tempo todo esconder o fato de estarem envelhecendo e que têm vergonha de dizer quantos anos têm. Eu me deleito com meus anos; eles me enriquecem. Se Deus me disser: “Vou deixar você começar de novo, e você pode ter sua juventude de volta mais uma vez”, devo dizer: “Oh, meu Senhor, se Tu não Te importares, prefiro continuar envelhecendo”.

Eu não trocaria a paz de espírito, o descanso permanente da alma, a medida de sabedoria que adquiri com as experiências doces, amargas e desconcertantes da vida, nem a fé confirmada que tenho agora na ordem moral do universo e nas infalíveis misericórdias e no amor de Deus por todas as brilhantes e incertas esperanças e tumultuadas alegrias da juventude. Na verdade, eu não trocaria!

Esses são os melhores anos da minha vida – os mais doces e os mais livres de cuidados ansiosos. O caminho fica mais brilhante; os pássaros cantam mais doce; os ventos sopram mais suaves; o Sol brilha mais radiante do que nunca. Suponho que o meu “homem exterior” está perecendo, mas o meu homem “interior” está sendo alegremente renovado dia após dia (2 Co 4:16).

As limitações 

Outra coisa sobre a velhice, da qual nos tornamos cada vez mais conscientes com o passar dos anos, são suas limitações.

Você não é mais o mesmo para as tarefas que uma vez empreendeu com facilidade. Os olhos podem estar escurecidos, os ouvidos surdos, o fôlego curto, o coração fraco, a mão trêmula e copo de ouro da vida quase despedaçado. Como essas coisas contrastam com o longo dia de utilidade que você desfrutou; você está inclinado a ficar desanimado; você sente que é um fardo para os outros e que está no caminho deles. O Dr. Robert Horton, que, no auge de seu poder, conseguiu manter as multidões fascinadas pela magia de sua eloquência, sofreu nos últimos anos com esse mesmo sentimento. As congregações não queriam ouvi-lo pregar; os editores não queriam seus manuscritos; as pessoas não pediam seu conselho.

No entanto, se aceitarmos nossa porção com uma silenciosa paciência e não nos irritarmos com ela, podemos descobrir que ela não fica sem as suas compensações. De fato, sua própria aceitação pode nos trazer paz. Eu estava conversando outro dia com um amigo sobre um homem cuja saúde debilitada o levou, com muita relutância, a renunciar a uma posição importante. Ele começou a se recuperar a partir o dia em que decidiu que não poderia mais continuar. O mesmo vale mesmo quando não está envolvida nenhuma questão de saúde corporal.

Há outra maneira pela qual muitos estão angustiados, e isso diz respeito à falha de memória. Eles frequentemente acham difícil, e às vezes impossível, lembrar as palavras sagradas que eles amam tanto. Ouça algumas palavras de Quem nunca esquece. No passado, Ele diz do Seu povo: (Eu) os tomei pela mão” (Hb 8:9); do presente, “Eu, o SENHOR te tomarei pela mão” (Is 42:6) e do futuro: “Não te deixarei, nem te desampararei” (Hb 13:5).

A solidão 

Em sua longa experiência de vida, você certamente terá observado que uma das coisas mais angustiantes sobre a velhice é sua solidão.

Tornamo-nos cada vez mais conscientes disso à medida que os anos passam velozes sobre nossa cabeça, pois, um por um, nossos entes queridos que nos deixam, até que, por fim, nos encontramos sozinhos. No caso de um casamento idealmente feliz, a perda de qualquer dos parceiros pode ocasionar grande tristeza, pois sempre, no coração daquele que fica, há o clamor por aquele toque da mão que desapareceu e o som da voz que está silenciosa.

Nosso Pai não é indiferente à nossa necessidade de companhia durante os dias do nosso tempo sobre a Terra, e Ele fez graciosa provisão para isso. Quando examinamos essa provisão, encontramos que, enquanto nossas amizades humanas estão sujeitas às vicissitudes do tempo, o companheirismo divino é independente delas – que, enquanto aquelas podem ser abaladas a qualquer momento, este permanecerá até que os dias da jornada estejam concluídos.

Amados filhos de Deus, lembremo-nos sempre, à medida que amigo após amigo nos deixa, que o Deus que tem estado conosco desde o princípio é exatamente o mesmo hoje. Ele permanece (Hb 1:11), Ele continua, e ‘o deserto e o lugar solitário’ podem ainda tornar-se o lugar de ‘alegria e canto’.
A mensagem que nos vem deste capítulo da vida está contida em Isaías 46:4: “E até à velhice Eu serei o mesmo, e ainda até às cãs eu vos carregarei; Eu vos fiz, e Eu vos levarei, e Eu vos trarei, e vos livrarei”.

Selecionado de “The Best Is Yet to Be

G. Henderson

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