Origem: Revista O Cristão – Indo ao Lar

Não Estou Morrendo – Estou Indo Viver

Há uma grande diferença entre uma doutrina, por mais verdadeira que seja, e a Pessoa viva do Senhor ressuscitado. O coração nunca pode encontrar seu lar e descanso em uma doutrina ou dedução por meio de raciocínio, por mais correta ou plausível que seja; ela precisa ter a plena garantia e gozo de um amor que nunca pode mudar. O próprio pensamento da possibilidade de uma mudança seria atormentador. O amor imutável de Cristo é o único lugar de descanso do coração humano. Nada além de amor jamais satisfará o amor, mas quando o coração descansa e se deleita em Seu amor, todo o medo de cair ou não perseverar até o fim é desconhecido – não é sentido. O grande pensamento do coração é: “Eu sou do meu Amado, e o meu Amado é meu”. Ele me trouxe para Si e me preparou para Si mesmo, como resposta aos desejos de Seu próprio coração. E agora Ele está satisfeito, e eu estou em descanso.

Mas no que eu estou pensando? Minha fé? Minha conversão? Meus sentimentos? Meus feitos? Minha perseverança? Não! Certamente, só tenho que pensar n’Ele, olhar para Ele, deleitar-me n’Ele, falar d’Ele e falar com Ele. Toda a minha fé Cristã resultou no conhecimento, na posse e no gozo d’Aquele que me amou e Se entregou por mim. Não há voo de fé mais elevado do que esse, e em qualquer voo abaixo desse não há lugar de descanso. O conhecimento da verdade, obviamente, e especialmente o conhecimento da obra consumada de Cristo, são necessários para conhece-Lo, por meio do ensino do Espírito Santo. Mas todos estes são como meios para um fim, o pleno conhecimento d’Ele mesmo. Precisamos conhecer o valor de Sua obra, antes que o coração se eleve ao único desejo de conhecer a Ele. “Para conhecê-Lo”, diz Paulo (Filipenses 3:10), enquanto João diz: “No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor” (1 João 4:18). É o conhecimento do Seu amor perfeito, um amor que tem a sua fonte e poder em Si mesmo e acima da influência dos nossos fracassos e falhas, que liberta a alma de todo o medo e a preenche com uma santa ousadia em todas as circunstâncias. O sentimento não é mais a respeito do que eu sou ou posso ser, em algum momento futuro, mas o que Ele é. Acaso Ele vai mudar algum dia? Seu amor esfriará? Ele pode perder Seu lugar no céu? Assim, o coração encontra perfeito descanso em Sua presença, estando n’Ele e sendo um com Ele, vos alegrais com gozo inefável e glorioso.

Uma cena de encerramento 

Como exemplo, damos em substância a seguinte cena final:

O médico estava fazendo sua visita médica habitual. A doença havia sido longa e muitas visitas haviam sido feitas, mas nessa última visita a mudança era aparente. Virando-se para uma irmã que estava no quarto, ele disse calmamente: “Ela está morrendo”. Ele era amigo da família e também seu médico e simpatizava com os amigos enlutados. Mas havia outra na sala pronta para confortar todos eles. Quando as palavras “Ela está morrendo” chegaram ao seu ouvido, elas não transmitiram alarme à sua alma; tudo era paz e, fazendo um pequeno esforço para olhar para o amigo, ela respondeu calmamente: – “Não estou morrendo, doutor – estou indo viver. Não, não estou morrendo; isso é viver – eu estou seu consegindo morar com Jesus”. E com grande presença e compostura da mente, ela expressou sua gratidão ao médico por todas as suas atenções e bondade e assegurou-lhe que sentia que ele havia feito tudo o que o homem podia fazer, e se despedindo ela orou por ele e para que sua família fossem abençoados: “Que Deus te abençoe, doutor, e que Ele abençoe sua família”. Essas últimas palavras de sua paciente foram mais do que ele poderia suportar; ele saiu da sala em um estado de emoção mais profunda. Ele voltou no dia seguinte para vê-la dormindo em Jesus e para falar da bênção que ele havia recebido.

O trabalho dela estava agora finalizado. Assim como seu Senhor e Mestre, ela saiu de cena com as mãos erguidas em bênção. Ela era Cristã há muitos anos e tinha a calma e sólida realidade de uma mente bem instruída. Naturalmente, foi somente a graça de Deus que a capacitou a prestar tal testemunho pela verdade e por Cristo, mas foi a doce sensação de Sua presença com ela naquele quarto de sofrimento e morte que preencheu toda a sua alma com tal paz e descanso. Ele estava com ela e isso era suficiente. A força de Seu braço, o resplendor de Seu semblante, assim como o amor de Seu coração, eram todos dela mesma. Ela está agora ausente do corpo, mas presente com o Senhor. Ela se uniu àquela multidão de milhares de pessoas acima, calmamente para esperar com elas e com Ele, o dia de Sua glória vindoura. Nós nos encontraremos pela manhã, aquela manhã de gozo eterno e sem nuvens. Até lá, que possamos cessar de nós mesmos, alegrar-nos em Cristo Jesus e buscar a bênção dos outros.

Things New and Old, 16:296

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