Origem: Revista O Cristão – Intercessão

A Comunicação de Deus e a Intercessão dos Santos

Em Gênesis 18, lemos como o Senhor comunicou o conhecimento do que Ele estava prestes a fazer com relação à Sodoma. O lugar que a Igreja ocupa é semelhante ao de Abraão com Deus, e esta passagem é uma descrição muito precisa da base de intimidade sobre a qual o Senhor estabelece o Seu povo. Deus nos revelou “o mistério da Sua vontade”.

Os homens se levantaram e olharam para o lado de Sodoma. O Senhor os orientou como executores do Seu julgamento, e Abraão foi com eles para lhes mostrar o caminho. O Senhor faz dos Seus santos Seus companheiros, não invariavelmente, mas ainda assim é um privilégio deles. “Quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo?… Mas nós temos a mente de Cristo” (1 Co 2:16). Assim, nas comunicações que Deus nos fez, Ele nos tornou Seus companheiros da melhor maneira, comunicando-nos Seus pensamentos e sentimentos. “Andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para Si o tomou” (Gn 5:24). Portanto, devemos andar com Cristo até que Ele venha nos levar para Si mesmo. O exercício e o caminho da fé estão aqui embaixo, mas a Igreja não é objeto de julgamento, embora não esteja acima de disciplina para o seu bem. Ló olhou para Sodoma, mas Abraão estava fora dela. Abraão, sendo companheiro do Senhor, não apenas é libertado do juízo, mas quando o Senhor estava indo julgar, Ele avisa Abraão. “Ocultarei Eu a Abraão o que faço?… Porque Eu o tenho conhecido” (Gn 18:17, 19). Assim é conosco; o fundamento desta comunicação é o pensamento que o Senhor tem a nosso respeito; Ele concentrou o Seu amor sobre nós e, portanto, nos introduz à Sua confidência. Ele uniu a Igreja a Cristo; associou-a a Cristo. Deus nos revelou o mistério da Sua vontade por causa do lugar que Ele colocou a Igreja.

“Eu o tenho conhecido”. Há grande bênção nesta palavra. É diferente para aqueles que estão sob julgamento. O Senhor não fala dessa maneira sobre aqueles que Ele vai julgar. Quando Ele fala sobre julgamento, Ele fala sobre investigação: “Descerei agora, e verei”, e até que Ele tenha investigado completamente, Ele não os tocará. O clamor de Sodoma chegou aos ouvidos de Deus, mas antes de executar o juízo, Ele descerá e verá se eles agiram de acordo com o clamor que chegou até Ele. “Então viraram aqueles homens os rostos dali, e foram-se para Sodoma; mas Abraão ficou ainda em pé diante da face do SENHOR” (Gn 18:22). Isso é bem-aventurado. Assim, o Senhor Se revela a Abraão, para que ele possa receber a bênção, e Abraão permanece com o próprio Senhor. Ele trará juízo sobre o mundo, mas não ferirá até que não possa mais evitar, mas nenhum juízo que venha sobre o mundo pode separar Abraão de Deus. O olhar de Deus repousa sobre Abraão de tal forma que Abraão repousa tranquilamente em Deus. E assim é conosco: qualquer que seja a provação que esteja vindo sobre o mundo, nosso lugar é permanecer com o próprio Senhor e, então, como Abraão, o efeito de termos bebido dessa graça será estarmos calmos, tranquilos e felizes. Nosso lugar não é descer para sondar as profundezas da iniquidade. Há muitos como Ló que afligem sua alma com essas coisas, mas estejamos com Deus no monte, permanecendo em perfeita paz com o próprio Senhor. Abraão, estando em perfeita paz, não tinha nada a pedir para si mesmo e, portanto, estava livre para interceder pelos outros. Possuir a mente do Senhor dá o poder de interceder pelos outros. Jacó procurou obter a bênção para si mesmo e, portanto, não tinha poder para obtê-la para os outros, mas Abraão tinha o conhecimento dessa comunhão que produz grande paz e alegria. “E retirou-Se o SENHOR, quando acabou de falar a Abraão; e Abraão tornou-se ao seu lugar” (Gn 18:33). A posição de Abraão é com o Senhor em perfeita paz, em confiança inquestionável, sem ter nenhuma questão a resolver com Deus, mas naquele terreno onde ele pode desfrutar de perfeita comunhão e, assim, interceder pelos outros.

Bible Treasury (adaptado)

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