Origem: Revista O Cristão – Intercessão
Dois Intercessores Perfeitos
Em Romanos 8:26-34, aprendemos que Deus nos providenciou dois intercessores perfeitos. Um no céu e outro na Terra. Temos a intercessão do Espírito Santo em nós e a intercessão de Cristo por nós. “E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (v. 26). Aqui temos a intercessão do Espírito Santo que habita em nós para nos ajudar em nossas fraquezas e realizar Sua obra de intercessão. Ele cria desejos na alma que são profundos demais para serem expressos em palavras e não podem ser representados por linguagem humana.
Há mais do que isso. Não temos apenas o Espírito Santo habitando e agindo em nós aqui na Terra, mas temos também o Senhor Jesus Cristo vivendo e agindo por nós lá no céu. “Quem é que condena? Pois é Cristo Quem morreu, ou antes Quem ressuscitou dentre os mortos, o Qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” (v. 34). Que provisão plena! Que consolação abundante! Que encorajamento precioso! Que misericórdia saber que, mesmo em nossos momentos mais frios, sombrios e áridos, quando mal conseguimos pronunciar uma única sílaba, o Espírito Santo geme em nós e Cristo toma esses gemidos inexprimíveis e os apresenta ao Pai, em toda a preciosidade e aceitabilidade d’Aquele que os produz e d’Aquele que os apresenta! A dupla intercessão é continua, desde a manhã, ao meio-dia, à tarde e à meia-noite, o Espírito Santo age em nós e Cristo age por nós. “E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14:16). “Portanto, (Jesus) pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7:25).
O Espírito em nós e Cristo por nós
Essa dupla ação jamais pode ser interrompida por um único instante sequer. Até mesmo o crente mais fraco é sustentado diante de Deus pelo poder divino dessa dupla intercessão. A intercessão do Espírito nele e a intercessão de Cristo por ele. Que consolo para o coração há nisso! Frequentemente acontece que o Cristão se vê afligido, em seus períodos de recolhimento, com excessiva esterilidade e desorientação. Ele tenta orar, mas não consegue. Acha impossível expressar seus desejos de forma inteligível. Ele geme, e esse gemido é fruto da poderosa operação do Espírito; ela ascende, como tal, ao trono de Deus e é apresentado ali por Aquele Bendito que vive para sempre para interceder por nós. Nada sobe senão o que é do Espírito. O gemido inexprimível é produzido em nós pelo Deus Espírito; sobe pelas mãos sacerdotais do Deus Filho e é assim apresentado a Deus Pai.
O Senhor Jesus sabe separar o precioso do vil em todas as nossas ações e práticas. Ele rejeita o vil e apresenta o precioso a Deus em nosso favor. Temos uma ilustração disso no final de Levítico 1. Ali vemos o ofertante trazendo uma oferta de aves ao sacerdote. “E o sacerdote a oferecerá sobre o altar, e tirar-lhe-á a cabeça, e a queimará sobre o altar; e o seu sangue será espremido na parede do altar; E o seu papo com as suas penas tirará e o lançará junto ao altar, para o lado do oriente, no lugar da cinza; E fendê-la-á junto às suas asas, porém não a partirá; e o sacerdote a queimará em cima do altar sobre a lenha que está no fogo; holocausto é, oferta queimada de cheiro suave ao SENHOR” (Levítico 1:15-17). O olhar do sacerdote discernia quais partes da oferta eram adequadas para o altar de Deus e quais eram para “o lugar das cinzas”. Essa era a sua função. O ofertante trazia o sacrifício ao sacerdote, e este o preparava para o altar. Ele separava o precioso do vil. O olhar e a faca do sacerdote eram necessários para que o sacrifício estivesse em condições adequadas a ser apresentado no altar do Deus de Israel.
Tudo isso é repleto de significado e conforto para o Cristão. Em nossos melhores serviços e sacrifícios, há abundância que corresponde ao “papo com suas penas”. Mas, bendito seja Deus, temos “um Grande Sumo Sacerdote” em cujas mãos podemos colocar todas as nossas ofertas, com a plena certeza de que Ele sabe o que fazer com elas. Quando passarem sob o Seu olhar sacerdotal e sob a ação de Sua mão sacerdotal, elas ascenderão ao trono de Deus em toda a fragrância do Seu nome excelentíssimo. Isso é eminentemente calculado para infundir confiança em nosso coração enquanto buscamos, apesar de nossa perceptível fraqueza, responder à exortação do apóstolo: “Por Ele, pois, ofereçamos sempre a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o Seu nome. Mas não vos esqueçais de fazer o bem e de repartir com outros, porque com tais sacrifícios Deus Se agrada” (Hb 13:15-16 – AIBB). Não precisamos ter receio de trazer a menor das ofertas. Se tão somente o Espírito Santo der origem ao sacrifício, então Cristo certamente o apresentará, e Deus ficará satisfeito.
Things New and Old (adaptado)
