Origem: Revista O Cristão – Intercessão
Não Houve Intercessor
“E vendo que ninguém havia, maravilhou-se de que não houvesse um intercessor; por isso o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria justiça o susteve” (Is 59:16). “E (Jesus) estava admirado da incredulidade deles. E percorreu as aldeias vizinhas, ensinando” (Mc 6:6).
A maravilha desses dois casos merece nossa atenção. É incrível como podemos esperar tanto tempo e como as coisas podem piorar antes de chegarmos ao ponto de interceder uns pelos outros. Com o Senhor Jesus foi exatamente o oposto: depois de ter demonstrado de forma extraordinária Sua capacidade de ajudar os necessitados, Ele Se admirou da incredulidade deles em aceitar Seus ensinamentos.
Uma leitura atenta de todo o capítulo 59 de Isaías revela condições semelhantes às dos nossos dias. A condição descrita por Isaías está resumida nos versículos 14 e 15: “Por isso o direito se tornou atrás, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a equidade não pode entrar. Sim, a verdade desfalece, e quem se desvia do mal arrisca-se a ser despojado; e o SENHOR viu, e pareceu mal aos seus olhos que não houvesse justiça”. Seria de se esperar que, em uma condição tão deplorável e degenerada, alguém tentasse interceder. Quão diferente isso é das ações de Moisés quando Israel fez o bezerro de ouro e o Senhor lhe disse que destruiria Israel por sua maldade. Moisés, a princípio, desconhecia a condição deles e, depois, ficou irado com eles. Mas, quando chegou o momento em que Deus destruiria o povo de Israel e faria uma nação a partir da família de Moisés, ele recusou a oferta e intercedeu por Israel. Seu coração foi movido por um cuidado amoroso por eles, apesar da grandeza de sua maldade. E Deus estava disposto a aceitar o pedido de misericórdia e não destruí-los. Que possamos ver no ocorrido que Deus estava procurando um israelita para interceder junto a Ele em favor deles. A intercessão possibilitaria que a grandeza da Sua misericórdia fosse conhecida por todos, sem comprometer a justiça.
Abigail foi outra que, ao ver o juízo iminente sobre a casa de seu marido, foi interceder junto a Davi. “Vendo, pois, Abigail a Davi, apressou-se… e prostrou-se sobre o seu rosto diante de Davi, e se inclinou à terra. E lançou-se a seus pés, e disse: Ah, senhor meu, minha seja a transgressão; deixa, pois, falar a tua serva aos teus ouvidos, e ouve as palavras da tua serva” (1 Sm 25:23-24). Ela estava disposta a assumir a culpa pelo erro e, ao fazê-lo, defendeu tanto a misericórdia quanto a verdade. Esses exemplos nos mostram como Deus vê a intercessão e como Ele responde àqueles que intercedem por outros. Ao observarmos as necessidades ao nosso redor, que muitas vezes são o resultado de nossa própria fraqueza e falha, que sejamos fortalecidos para, em fé, dar um passo à frente antes que as coisas se deteriorem e interceder seriamente por aqueles que nos cercam.
Admirado pela incredulidade
O Senhor Jesus Cristo, o Servo perfeito, foi o braço da salvação de Deus segundo a justiça. Ele foi enviado para suprir as necessidades daqueles que O rodeavam, demonstrando como Ele era capaz de atender a essas necessidades urgentes. Diz-se d’Ele: “E, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-O, se admiravam, dizendo: De onde Lhe vêm estas coisas? e que sabedoria é esta que Lhe foi dada? e como se fazem tais maravilhas por Suas mãos?” (Mc 6:2). Mas, por causa da incredulidade, “não podia fazer ali obras maravilhosas; somente curou alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos. E estava admirado da incredulidade deles” (vs. 5-6). Com Ele havia poder presente para suprir a necessidade, mas a incredulidade os impedia de se apropriarem do que estava disponível. Eles podiam contemplar as palavras e as obras com espanto, mas depois duvidavam. Isso O fez se maravilhar com a incredulidade deles. Não duvidemos. A percepção da capacidade do Senhor de suprir nossas necessidades é o que deve nos encorajar a interceder em oração. “Acaso, para o SENHOR há coisa demasiadamente difícil?” (Gn 18:14 – ARA). “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6:2). Samuel diria a Israel: “E quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o SENHOR, deixando de orar por vós; antes vos ensinarei o caminho bom e direito” (1 Sm 12:23). Não cometamos a dupla falha de ignorar as necessidades urgentes ao nosso redor e duvidar do desejo e da capacidade do Senhor de supri-las. “Senhor, ensina-nos a orar” (Lc 11:1).
