Origem: Revista O Cristão – Jesus Cristo Nosso Senhor

“Tu Nem Ainda Temes a Deus?”

O caso do ladrão na cruz que creu é uma ilustração extraordinariamente bela da poderosa obra de Deus em uma alma – a mudança total no homem. Além disso, temos nesta cena a poderosa obra de Cristo por ele, que lhe permitiu ocupar o seu lugar com Cristo naquele mesmo dia.

O caso do outro ladrão também é verdadeira e profundamente solene – uma alma que passa deste mundo para outro, aproximando-se dos portais de uma eternidade da qual não há retorno com um escárnio nos lábios e a provocação em sua boca dirigida ao Bendito: “Se Tu és o Cristo, salva-Te a Ti mesmo, e a nós”. Quão profundamente solene é a hora final da breve vida de um homem aqui, sem Cristo, sem fé, pecando contra sua própria alma. Bem se diz dos ímpios: “não há apertos na sua morte, mas firme está a sua força. Não se acham em trabalhos como outros homens” (Sl 73:4-5).

Vejamos a mesma hora na vida do outro ladrão – a hora mais brilhante que já conhecera. “Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus?” – grande ilustração da obra de Deus na alma. Começou com apenas uma pequena palavra, mas uma palavra pela qual se lê um coração que havia sido ensinado nos caminhos da sabedoria, pois “O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria” (Pv 9:10). Temos nesta pequena palavra uma obra preciosa de Deus em sua alma. Dizem os ímpios: “Não há temor de Deus diante de seus olhos” (Rm 3:18). Deus não está em nenhum de seus pensamentos. “Tu nem ainda temes a Deus?” Aqui estava a raiz dessa poderosa mudança neste homem: o santo temor de Deus. Deus tinha o devido lugar em seus pensamentos, embora ainda não O conhecesse como Salvador. Era como o comentário de Abraão sobre os homens de Gerar: “Certamente não há temor de Deus neste lugar, e eles me matarão por amor da minha mulher”. Foi o temor de Deus que guardou o coração de José, quando estava na terra de seu exílio: “como pois faria eu este tamanho mal, e pecaria contra Deus?” É isso que guarda o coração em um mundo de pecado. É o princípio da sabedoria. Sua ausência deixa espaço para as ações da vontade corrupta e perversa do homem.

Podemos perguntar como estamos nisso? Podemos dizer que esse santo temor de Deus tem sido o guia e formador de todos os pensamentos e intenções de nosso coração, as ações de nossa vida e os motivos que têm governado nossos caminhos? Tudo isso têm sido governados pelo temor do Senhor? O temor de Deus tem refreado nossa vontade? Jó era um homem que “temia a Deus e se desviava do mal”; Cornélio, aquele que era “temente a Deus com toda a sua casa”. “Então aqueles que temeram ao SENHOR falaram frequentemente um ao outro; e o SENHOR atentou e ouviu; e um memorial [livro de memória – TB] foi escrito diante d’Ele, para os que temeram o SENHOR, e para os que se lembraram do Seu nome” (Ml 3:16). Foi a prova da fé de Abraão: “porquanto agora sei que temes a Deus” (Gn 22:12). Ora, esse “O temor do SENHOR é fonte de vida, para desviar dos laços da morte” (Pv 14:27). “O temor do SENHOR encaminha para a vida” (Pv 19:23), e vemos isso de maneira notável no ladrão na cruz. Isso o levou a tomar seu verdadeiro lugar diante de Deus. Bendita paz – reconhecer, de maneira completa, nossa verdadeira e apropriada condição diante de Deus e, assim, levar a sentença de morte para nossa alma, como ele fez. Como a obra de Deus se tornou mais e mais brilhante, até que ele estivesse com Cristo no paraíso! Deus tinha Seu verdadeiro lugar em sua alma, e ele estava em seu verdadeiro lugar diante de Deus!

Words of Truth, 1:66 (adaptado)

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