Origem: Revista O Cristão – Judeu, Gentio e a Igreja de Deus
Considerações Práticas
Ao longo da minha vida, encontrei pessoas que menosprezavam a verdade dispensacional e a referência bíblica às três categorias – Judeus, gentios e Igreja de Deus. Alguns aderiam ao que é comumente conhecido como teologia da aliança ou reconstrucionismo, enquanto outros queriam se concentrar na pregação do evangelho e abertamente não se importavam com a verdade da Igreja. Neste artigo, gostaria de abordar alguns efeitos muito práticos do entendimento da verdade dispensacional e, particularmente, as vantagens de ver a diferença entre Judeus, gentios e Igreja de Deus.
Inteligência
Em primeiro lugar, lemos em João 15:15 que o Senhor Jesus disse aos Seus discípulos: “O servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de Meu Pai vos tenho feito conhecer”. O Senhor Jesus nos acolheu em Sua confiança, como Seu corpo e Sua noiva, e Ele quer que saibamos tudo o que Ele está fazendo. Deus Pai tem propósitos a respeito de Seu Filho amado e comunicou todos esses propósitos a Ele. Ele, por sua vez, quer que sejamos inteligentes quanto a tudo o que Lhe diz respeito, pois somos um com Ele. Ele quer que tenhamos conhecimento sobre o que está acontecendo neste mundo, à medida que os eventos começam a se estruturar para a realização desses propósitos a respeito d’Ele.
Em segundo lugar, e relacionado ao que dissemos no parágrafo anterior, o Senhor quer que estejamos em paz em meio a toda a turbulência deste mundo. Aqueles que não conhecem o Senhor um dia sentirão seu coração “desmaiando de terror” (Lc 21:26), e à medida que os eventos mundiais começam a se tornar mais caóticos e confusos, essa atitude está tomando conta de muitos até mesmo agora. Os crentes que não entendem os propósitos de Deus podem muito bem ser apanhados por esse terror também. Como sabemos como tudo vai acabar, podemos estar em paz, e nossa paz é nosso testemunho para este mundo. Quando o mundo nos pergunta como podemos estar em paz, podemos aproveitar a oportunidade para lhes dizer como eles também podem conhecer a Cristo como Salvador e não sucumbir ao medo que está dominando os outros.
Confiança
Em terceiro lugar, entender como os “Judeus, os gentios e a Igreja de Deus” se encaixam nos propósitos de Deus permite que o crente hoje exiba a aparente contradição de ser confiante, mas preocupado. Estamos confiantes quanto ao nosso próprio futuro, mas preocupados com os perdidos neste mundo que ainda não conhecem o Salvador. Nossa confiança não tira nossa preocupação, mas nossa preocupação também não resulta em atividade frenética e irracional. O crente tem sempre “calçados os pés na preparação do evangelho da paz” (Ef 6:15).
Em quarto, somos capazes de ordenar nossa vida da maneira certa, de acordo com a mente de Deus, para o dia em que vivemos. A menos que vejamos claramente as diferentes maneiras de Deus tratar com vários grupos de pessoas neste mundo hoje, ficamos confusos e talvez comecemos a agir como se vivêssemos nos tempos do Velho Testamento. Tenderemos a aplicar mal a Escritura e tirá-la de seu contexto, criando assim um conjunto de crenças que nada mais é do que “erro sistematizado” (Ef 4:14 – JND). Deus quer que Seus filhos manejem “bem a palavra da verdade” (2 Tm 2:15), e isso só é possível quando entendemos os propósitos de Deus.
A honra e a glória de Cristo
Finalmente, e mais importante, entender os propósitos de Deus traz diante de nosso coração o resultado final de todos esses propósitos – a honra e a glória de Seu Filho amado. Quando nos deixamos levar pelo homem e por todos os seus propósitos e planos, tendemos a perder de vista os propósitos de Deus. Desde uma eternidade passada, Ele tem tido diante de Si a glorificação de Seu Filho amado, e Ele criou tanto este mundo, como também o tempo, a fim de realizar isso. Desde o tempo em que “saiu Caim de diante da face do Senhor”, o homem tem tentado dispor deste mundo como seu próprio, sem reconhecer as reivindicações de Deus como o Criador dele. Mas os propósitos de Deus serão realizados, enquanto os propósitos e movimentos do homem cairão por terra, exceto quando cumprirem os propósitos de Deus. Verdadeiramente, “o Seu domínio é um domínio sempiterno, e o Seu reino é de geração em geração… e segundo a Sua vontade Ele opera… entre os moradores da Terra” (Dn 4:34-35 – AIBB).
