Origem: Revista O Cristão – Justiça

A Necessidade de Justiça Prática

Justiça pode ser definida como conduta que está de acordo com aquilo que é correto. Em termos espirituais, é uma conduta que reconhece Deus e Suas reivindicações e age de acordo com tudo o que Deus é em Seu caráter. Ela reconhece o que é correto como Deus o vê, e não de acordo com a moral mutável deste mundo. Como podemos ver em outros artigos desta edição, o crente já é posicionalmente a “justiça de Deus n’Ele [Cristo], enquanto espera por aquela justiça perfeita que será manifestada em todos os crentes na vinda do Senhor. Ao nos colocar nessa posição, Deus agiu perfeitamente de acordo com Seu santo caráter, pois a questão do pecado foi resolvida na cruz e de modo justo. “Para demonstração da Sua justiça neste tempo presente, para que Ele seja Justo e Justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3:26).

Os efeitos extensivos da justiça 

Também sabemos que a obra consumada de Cristo terá efeitos de longo alcance quanto à justiça. Porque Ele sofreu, não apenas pelos pecados, mas também pelo pecado, João Batista poderia dizer: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29). Do mesmo modo, lemos em Hebreus 9:26: “agora na consumação dos séculos uma vez Se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de Si mesmo”. Por causa de Sua obra de tirar o pecado, Deus exaltou soberanamente Seu Filho amado, e Ele será vindicado no dia em que “reinará um Rei com justiça, e dominarão os príncipes segundo o juízo” (Is 32:1). Por todo o dia do milênio, a justiça reinará, e o julgamento será executado todas as manhãs contra aqueles que pecarem abertamente.

Mais do que isso, chegará um dia eterno em que a profecia de João Batista será cumprida. A justiça reinará durante os mil anos do milênio, mas no estado eterno lemos sobre “novos céus e nova Terra, em que habita a justiça” (2 Pe 3:13). Todo pecado terá sido removido, e nunca mais poderá levantar sua cabeça novamente. Por toda a eternidade, a cena no céu e na Terra dará testemunho do fato de que a justiça habita.

A justiça sofre 

Onde tudo isso nos deixa agora, neste mundo? É triste dizer que a justiça não reina nem habita no mundo atualmente. Antes, a justiça sofre, porque o “Sol da justiça” (Ml 4:2) foi rejeitado e crucificado. Os homens escolheram Barrabás em vez do Senhor Jesus, e com uma só voz disseram: “Não queremos que Este reine sobre nós” (Lc 19:14). A razão foi claramente declarada pelo próprio Senhor: “O mundo não vos pode odiar, mas ele Me odeia a Mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más” (Jo 7:7). Até que o Senhor volte em poder e glória como o Sol da justiça, Satanás permanece o deus e o príncipe deste mundo, e a justiça sofre.

Infelizmente, encontramos nestes últimos dias que a injustiça está chegando a um ponto crítico. A descrição dada em 2 Timóteo 3:1‑7 é a da Cristandade, quando as reivindicações de Deus e a verdade da Palavra de Deus têm sido rejeitadas. Os detalhes apresentados são típicos do pior tipo de injustiça, que sem dúvida aumentará com o passar do tempo.

A influência da injustiça 

Existe um sério perigo de que nós, como crentes, sejamos atraídos para esse vórtice e adotemos, em nossa vida cotidiana, as práticas injustas do mundo ao nosso redor. À medida que o mal continua a aumentar, a “ética situacional” e a conveniência política tornam-se a base sobre a qual as decisões morais são tomadas. O homem se recusa a reconhecer qualquer padrão objetivo de certo e errado. Requer cada vez mais diligência para andar de acordo com a verdade da Palavra de Deus e conduzir nossa vida de maneira justa. Alguns anos atrás, um crente foi preterido para uma promoção em sua empresa, embora ele fosse de longe o mais qualificado para o trabalho. Seu chefe simplesmente lhe disse: “Você é um homem bom demais”. A empresa percebeu que o crente em questão se recusaria a conduzir os negócios de maneira injusta e, portanto, ele não seria adequado para preencher a posição.

Graça e injustiça 

No entanto, Deus nos deu tudo para que possamos manifestar justiça prática em nossa vida. O livro de Tito é conhecido por sua ênfase nas boas obras, não para obter a salvação, mas para mostrar os resultados dela em nossa vida. O poder de fazê-lo nos é dado claramente: “Porque a graça de Deus, que traz consigo salvação para todos os homens, apareceu, ensinando-nos que, tendo negado a impiedade e as concupiscências mundanas, vivamos sobriamente, e justamente, e piedosamente no presente curso das coisas” (Tt 2:11‑12 – JND). Podemos procurar refrear nossa tendência à injustiça por meio de um apelo à consciência ou à energia humana. No entanto, a força mais poderosa para impedir o crente de pecar é um sentido em sua alma da graça de Deus. Ela apareceu a todos os homens, embora muitos não creiam. Mas Deus Se revelou em Seu Filho, que não apenas manifestou justiça em Sua caminhada por este mundo, mas que fez um caminho para que todos se tornassem “a justiça de Deus n’Ele” (JND). Eu sugeriria que um dos testemunhos mais fortes deste mundo é uma caminhada justa, não em bases legais ou egocêntricas, mas por causa de nossa apreciação da graça de Deus. Tanto a graça quanto a justiça devem caracterizar o crente, como ele conduz seus negócios neste mundo.

W. J. Prost

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