Origem: Revista O Cristão – Justiça

O Que É a Justiça de Deus?

“A justiça de Deus” abrange toda a manifestação dos caminhos de Deus em Cristo. Se quisermos comparar as coisas que são totalmente perfeitas em seu lugar, uma das menores foi o cumprimento de Sua lei aqui embaixo, pois a lei não se destinava a expressar plena e absolutamente a natureza e o caráter de Deus. Ela afirmava, se assim pudermos dizer, os termos mais baixos sob os quais o homem poderia viver diante d’Ele. Era a exigência do que Deus requeria, mesmo de um israelita pecador, se ele pretendesse obedecer a Deus; ao passo que, embora o Senhor Jesus tenha sido feito sob a lei e, em Sua graça, submetido a todas as reivindicações dessa lei, Ele foi muito além dela, mesmo em Sua obediência em vida e infinitamente além dela em Sua morte. Para os justos, a justiça da lei proclama a vida como sua porção, e para os injustos proclama a morte. Mas a justiça de Deus é imensuravelmente mais profunda e mais elevada. É uma justiça justificativa, não condenatória, como a da lei deve ser para o pecador que não a possui. Portanto, o próprio Senhor estabeleceu as sanções da lei da maneira mais solene, sofrendo até a morte sob a sua maldição: Ele suportou a pena dos ímpios, cuja substituição a lei nada sabia e, portanto, morrer é graça. Não houve abrandamento, muito menos anulação da autoridade da lei.

A justiça divina proveu Aquele que podia e queria resolver para o pecador toda a sua questão com Deus. E isso não é tudo, pois Deus ressuscitou Cristo dentre os mortos. O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação. Ele foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai; em resumo, o Seu ser moral, os Seus propósitos, a Sua verdade, o Seu amor, o Seu relacionamento, a Sua glória estavam em jogo no túmulo de Cristo. Mas Deus O ressuscitou e O colocou à Sua direita no céu, como parte de Sua justiça divina. Nenhum assento, nenhuma recompensa inferior a isso, poderia ser adequado para Aquele que havia vindicado a Deus em toda a Sua majestade, santidade, graça e verdade, Aquele que, por assim dizer, tornou possível a Deus realizar o Seu precioso desígnio de justificar o ímpio, permanecendo Ele mesmo Justo o tempo todo.

Para aquele que tem fé, não se trata mais de uma questão da lei ou de justiça legal, que repousava sobre a responsabilidade do homem, mas tendo Cristo descido à morte em expiação e, assim, glorificado a Deus ao extremo, o fundamento é mudado, e isso se torna uma questão de justiça de Deus. Se, pela lei, foi provado que o homem produziu ofensas, e somente ofensas, Deus deve ter Seus direitos, o primeiro dos quais é ressuscitar a Cristo dentre os mortos e dar-Lhe glória. Por isso, é dito em João 16 que o Espírito Santo convence o mundo da justiça, e isso não porque Cristo cumpriu o que violamos, mas porque Ele foi ao Pai e não é mais visto até que retorne em juízo. Não é a justiça na Terra, mas seu curso e caráter celestiais, na ascensão de Cristo, da qual aqui se fala.

Em 2 Coríntios 5, é em Cristo glorificado no céu que somos feitos, ou nos tornamos, justiça divina. É claro, então, que a expressão, embora sem dúvida inclua aquilo que os Cristãos querem dizer quando falam da justiça de Cristo imputada a nós, é algo muito maior e mais glorioso. Ela abrange não apenas aquilo que glorificou a Deus na Terra por meio de uma obediência viva, mas a morte de cruz, a qual, se ela atendeu às necessidades mais profundas do pecador, também quebrou o poder de Satanás em sua última fortaleza e estabeleceu o fundamento imutável para que a graça de Deus reinasse por meio da justiça.

Em Romanos 1:17, diz-se que a justiça de Deus é revelada no evangelho em contraste com a justiça do homem reivindicada na lei, e sendo revelada, é “de fé”, não de obras da lei – isto é, é uma revelação sobre o princípio de fé, não uma obra a ser feita com base na responsabilidade humana. Portanto, é “para a fé” (JND). Quem crê recebe a bênção. Em Romanos 3:21-22, é formalmente contrastado com qualquer coisa sob a lei, embora a lei e os profetas dessem testemunho a seu respeito. É “a justiça de Deus sem a lei”, pela fé em Jesus Cristo e, portanto, “para todos” os homens, mas que só produz efeito “sobre todos os que creem”. Aqui ela está em conexão especial com a redenção, e, portanto, acrescenta-se que Deus estabeleceu a Cristo como uma propiciação (ou um propiciatório) por meio da fé em Seu sangue (Rm 3:24-26).

Em Romanos 10, isso se mostra incompatível com a tentativa de estabelecer a própria justiça. Sendo a justiça de Deus completa, o objeto da fé em Cristo deve ser submetido a ela ou não temos parte nela.

O capítulo 5 da segunda epístola aos Coríntios eleva-se mais alto e mostra o que o santo é, de acordo com o evangelho da glória de Cristo, feito justiça divina n’Ele ressuscitado e glorificado. Portanto, na epístola aos Filipenses, Paulo, arrebatado até o fim por essa nova e divina justiça, mostra-nos que, em comparação com ela, ele não quereria a justiça da lei, mesmo que pudesse tê-la, pois o que era da lei não tinha glória em seus olhos por causa da glória excelente – aquela que vem pela fé em Cristo, a justiça de Deus pela fé (Filipenses 3). Longe de anular a piedade prática, esta justiça de Deus em Cristo ataca raízes profundas no coração e brota em uma colheita de frutos semelhantes, que é por Jesus para glória e louvor de Deus (Fp 1:11).

The Bible Treasury

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