Origem: Revista O Cristão – Moisés

O Caminho dos Reis do Oriente

Entre os terríveis julgamentos que cairão neste mundo no final da grande tribulação, encontramos o seguinte: “E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do oriente” (Ap 16:12).

A última parte deste versículo pode ser traduzida com mais precisão: “Para que o caminho dos reis que vem do nascente do Sol possa ser preparado” (JND). Vale ressaltar que há uma referência semelhante ao rio Eufrates em Apocalipse 9:13-14, onde lemos que “E tocou o sexto anjo a sua trombeta, e ouvi uma voz que vinha das quatro pontas do altar de ouro, que estava diante de Deus, a qual dizia ao sexto anjo, que tinha a trombeta: Solta os quatro anjos, que estão presos junto ao grande rio Eufrates”.

O rio Eufrates 

Com um comprimento de quase 3.000 quilômetros, o rio Eufrates é o rio mais longo do oeste da Ásia e está associado ao comércio e negócios de grandes cidades e impérios há milhares de anos. Tendo sua nascente no que hoje é a Turquia, ele percorre a Síria e o Iraque e, por fim, se une a outro rio antigo bem conhecido, o Tigre, antes de desaguar no Golfo Pérsico. É mencionado muitas vezes na Palavra de Deus, desde o Jardim do Éden, pois o Eufrates era um dos quatro braços nos quais o rio do Éden se dividia (Gênesis 2:10-14). A terra chamada Mesopotâmia era a terra entre esses dois rios, geralmente chamada de “crescente fértil”, e geralmente reconhecida como a parte do mundo em que a civilização começou.

O rio Eufrates sempre foi a fronteira tradicional entre o Oriente e o Ocidente. É verdade que o império persa e o de Alexandre, o grande, se estenderam além desse ponto, mas a fronteira oriental do império romano sempre foi considerada o rio Eufrates, e é em grande parte com esse império, em sua forma revivida, que a profecia no livro do Apocalipse é ocupada.

A referência em Apocalipse 16:12 à secagem do rio Eufrates, a fim de preparar o caminho para os reis do oriente, tem sido objeto de especulações entre os estudantes de profecia por muitos anos. Este versículo significa que o rio literalmente secará ou a linguagem é simbólica? Que papel os reis do oriente desempenham na cena final do julgamento? Como eles irão interagir com aqueles que fazem parte da confederação ocidental, sob a besta romana? Eles serão aliados ou inimigos? A Escrituras não responde diretamente a essas perguntas, mas dois desenvolvimentos recentes no mundo são dignos de nota a esse respeito.

Antes de tudo, houve uma notável secagem do rio Eufrates nos últimos cinco anos, e isso não mostra sinais de que esteja diminuindo. A seguinte citação do New York Times de 16 de julho de 2009 resume a situação: “Por toda a região dos pântanos, os coletores de juncos, pisando sobre a terra onde antes eles flutuavam, gritam aos visitantes em um barco que passa. ‘Maaku mai!’ eles gritam, levantando suas foices enferrujadas. ‘Não há água!’ O Eufrates está secando. Estrangulado pelas políticas hídricas dos vizinhos do Iraque, Turquia e Síria, por uma seca de dois anos e anos de uso indevido pelo Iraque e seus agricultores, o rio está significativamente menor do que era há apenas alguns anos atrás. Alguns oficiais temem que ele possa em breve ter metade do tamanho que tem agora.”

Não colocaríamos ênfase indevida nesse fato, pois o problema é parcialmente causado pelo homem. A Turquia e a Síria construíram várias barragens no rio para atender às suas próprias necessidades, e o próprio Iraque utilizou mal a água que estava fluindo para ele. No entanto, é claro que as chuvas estiveram muito abaixo do normal nos últimos anos, e isso certamente contribuiu para a escassez de água.

Além disso, devemos reconhecer que a profecia não se refere diretamente a eventos durante o período da Igreja e, portanto, o que lemos em Apocalipse 16:12 não ocorrerá até a última parte da grande tribulação. No entanto, Deus pode, em Suas advertências ao homem, permitir que seja montado o cenário desses julgamentos, e nós, como crentes, podemos certamente ver “que se vai aproximando aquele dia” (Hb 10:25), ao observarmos esses desenvolvimentos. Uma coisa é certa: Deus acabará por remover qualquer barreira entre o Oriente e o Ocidente, para que toda a humanidade esteja envolvida nos juízos de Deus sobre este mundo – juízos que terão como centro a terra de Israel.

Há outro desenvolvimento, no entanto, que é muito mais sinistro e importante – o da ascensão militar da China. Durante séculos, a China geralmente ficou de fora da interação das potências mundiais e se contentou em buscar seus próprios fins. Foi reconhecida como uma das grandes potências do mundo por causa de sua grande população, mas até recentemente não participou amplamente dos assuntos mundiais. Tão recentemente quanto a Segunda Guerra Mundial, a China foi devastada por ataques do Japão. Nos anos seguintes a 1945, foi dividida pela guerra civil, que culminou na vitória dos comunistas em 1949, forçando o governo nacionalista de Chiang Kai-shek a ir para a ilha agora chamada Taiwan.

No entanto, nos últimos vinte anos, a China “atingiu a maioridade” e, há vários anos, deslocou o Japão para se tornar a maior potência econômica da Ásia atualmente. Como resultado de uma grande quantidade de mão-de-obra relativamente barata e de algumas reformas que favoreceram as empresas privadas, seus produtos agora são enviados ao redor do mundo em enormes navios porta-contêineres, resultando em um fluxo de caixa sem precedentes para o país. Mantendo seu status de grande potência mundial, a China iniciou um aumento notável nos gastos militares. No passado, a China geralmente contava com seu grande exército (ainda o maior do mundo numericamente), mas agora também começou a adquirir armas modernas. Embora seu orçamento de defesa seja inferior a 25% do dos EUA, ela tem aumentado esse orçamento em média 12% ao ano na última década. Como podemos esperar, tudo isso causou preocupação e até alarme entre alguns dos vizinhos da China. A China insiste que toda essa mobilização é defensiva, mas o resultado final pode ser uma corrida armamentista na Ásia, já que outros países tentam combater a ameaça aumentando seus gastos militares. Países como Japão, Austrália, Coréia do Sul e Índia estão agora gastando mais em defesa, com ênfase no poder marítimo. Apesar das afirmações da China de que suas intenções são pacíficas, existe a preocupação de que a direção adotada por um Estado autoritário possa mudar rápida e radicalmente. Isso, por sua vez, poderia fazer com que outros reagissem, pois o homem raramente desenvolveu um potencial militar que ele acabou não utilizando. Todas as nações asiáticas dentro da esfera de influência da China poderiam muito bem estar entre as referidas como “os reis que vem do nascente do Sol”.

Armagedom 

Tudo isso está muito de acordo com o que lemos na Escritura sobre os propósitos de Deus. Está claro nas profecias que Ele reunirá o mundo inteiro para juízo. “E os congregaram no lugar que em hebreu se chama Armagedom” (Ap 16:16). A potência ocidental (o império romano reavivado), o rei do norte (provavelmente uma confederação de nações árabes, talvez apoiada pela Rússia) e a potência russa, todos têm seus lugares bem definidos na conflagração que ocorrerá no fim da tribulação. Mas o Oriente não será deixado de fora, pois todos serão reunidos no Armagedom. Embora a China possa ver seu aumento do poder militar como sendo necessário para proteger seus interesses econômicos e suas reivindicações de soberania, ela também deixou claro que está pronta para usar esse poder de forma mais agressiva, se necessário. Por exemplo, a economia em expansão da China gerou um rápido aumento em sua necessidade de petróleo. Se seu acesso ao petróleo estiver comprometido, ela poderá reagir com bastante força.

No entanto, o Senhor terá a palavra final. Ao vermos uma trindade profana se unir durante a tribulação, composta por Satanás, a besta romana e o anticristo (Ap 16:13-14), somos lembrados que o Senhor diz: “Eis que venho como ladrão” (Ap 16:15). “E a arrogância do homem será humilhada, e a sua altivez se abaterá, e só o SENHOR será exaltado naquele dia” (Is 2:17).

W. J. Prost

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