Origem: Revista O Cristão – O Mundo Espiritual
Feitiçaria
No que diz respeito à feitiçaria, alguns tomam como certo que isso não existe. Mas é algo muito conveniente ao inimigo, no caso de mentes ignorantes e supersticiosas, fazer aquilo que estabelece sua autoridade da maneira mais adequada ao estado delas, e ele tem feito isso em todo o mundo. Eu admito que muito disso seja falso, mas um exame preciso dos fatos mostra um tipo de poder, que não é meramente humano, exercido sobre os homens. Quando esse poder é adquirido e está nas mãos dos homens, é usado para enganar e impor credulidade. Mas como veio essa influência a existir em todo o mundo? O diabo – um ser malicioso, aterrorizante e corrupto – conseguiu ser adorado por meio de alguma influência sobre a mente dos homens. Isso é um fato.
Aqueles que sustentaram a influência misteriosa e foram libertados dela reconheceram que a maior parte é um fingimento, mas também declararam que estavam sob uma influência desconhecida em certos momentos. Veja a história dos oráculos. Duvido que não seja corrupção, mas eles existiram e houve uma influência misteriosa. Portanto, de vários efeitos além do poder humano. A cessação dos oráculos quando o Cristianismo começou a prevalecer, a libertação indubitável de pessoas sofrendo sob certos sintomas angustiantes durante e após os dias dos apóstolos, e o fato do senso universal do homem de alguma ação superior (como mostrado no terror e no mal que nenhuma mente justa atribuiria ao Deus verdadeiro) tudo concorda em provar que existe um poder maligno exercendo uma influência real sobre o corpo e mente dos homens. Não duvido que haja superstição e atos de impostores, mas a história do mundo mostra a existência de um poder desconhecido agindo sobre a mente e o corpo dos homens – um poder do qual o Cristianismo se liberta inteiramente.
Eles têm presumido que a ciência deixou toda a feitiçaria, possessão e coisas do tipo para trás nas trevas, e que, na luz que eles possuem, essas coisas não ousariam se manifestar. Mas eles se enganam. Se os homens são completos infiéis, confiando em sua razão insignificante, não há necessidade de superstição para deslumbrá-los com o que é falso, pois eles já são cegos. Mas, no meio de sua pretensa luz, fenômenos como conversar com espíritos, o colocar as pessoas para dormir e tomar a mente deles, em certo sentido, em possessão, e a idêntica necromancia que lemos na Escritura ainda é vista. Não há dúvida de que há uma grande quantidade de engano, mas eles não explicaram e não conseguem explicar a metade. A feitiçaria não se foi.
