Origem: Revista O Cristão – O Mundo Espiritual

O Homem Sem Deus!

O homem expulso do Jardim do Éden foi deixado entregue a si mesmo e tornou-se totalmente sem lei. O registro divino é que a Terra se encheu de corrupção e violência; de fato, tornou-se tão má que Deus a purificou pelo dilúvio, que destruiu o homem e suas obras. Essa não é a história do progresso e desenvolvimento, mas do retrocesso e do crescente fruto do pecado.

Romanos 1 revela os segredos das eras passadas, quando o homem afundava cada vez mais na depravação moral e espiritual. O homem caído não foi deixado sem o devido testemunho de seu Criador, “porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as Suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o Seu eterno poder, como a Sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis” (Rm 1:19-20).

Deus julga o homem de acordo com a medida de sua luz e privilégio, e sempre houve o testemunho do poder criador de Deus para ser visto em Suas obras: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite”. Isso é encontrado no Salmo 19, onde o salmista acrescenta que esses corpos celestes criados não tinham fala nem linguagem, mas, mesmo sem isso, sua voz era ouvida pelos homens. Isso os deixou “inescusáveis”, pois ignoraram o testemunho de Deus na criação, o qual os cientistas do século XXI também são propensos a fazer.

A degeneração após o dilúvio 

Romanos 1:21 acrescenta: “Porquanto, tendo conhecido a Deus, não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças”. Após o dilúvio, todo homem na Terra tinha um conhecimento definitivo de Deus; tudo o que saiu da arca conhecia da maneira mais notável o poder e o juízo de Deus. Esse conhecimento tornou-se tradicional e foi transmitido de pai para filho, mas, infelizmente, eles não agradeceram a Deus. Isso não tem contrapartida nos dias atuais? Quão poucos são aqueles que agradecem a Deus por Suas misericórdias como Criador, ou que elevam suas vozes a Ele em ações de graças pelo próprio alimento que comem. Este é realmente um passo em declínio.

Em seguida, eles “antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu” (v. 21). Será que eles foram os únicos que deixaram sua imaginação desenfreada? Isso não está sendo feito hoje, muitas vezes sob o disfarce da ciência? E “dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (v. 21). A vã presunção do homem sempre levou, mais cedo ou mais tarde, à exposição de sua loucura.

O homem, tendo abandonado o conhecimento do verdadeiro Deus, inventou deuses próprios – deuses da luxúria e paixão. As evidências desenterradas de formas grosseiras e vulgares de religião apenas confirmam o registro divino, em vez de provarem uma evolução na religião. Um servo do Senhor disse uma vez: “O homem abandonou o conhecimento de que Deus era santo e fez deuses de seus desejos; ele abandonou o conhecimento de que Deus era bom e tentou apaziguar um Deus irado”.

Sacrifícios aos demônios 

O processo degenerativo continuou, pois numa escala descendente o homem passou da adoração de imagens de homens caídos à adoração de répteis; eles “mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (v. 23). O dedo de Satanás é aqui evidente, pois foi ele quem tomou a forma de uma serpente quando seduziu Eva. Ele estava levando os homens para baixo, da adoração a Deus à adoração real (embora muitas vezes disfarçada) de si mesmo. Os homens adoravam ídolos, mas por trás deles havia espíritos maus. “Antes, digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios e não a Deus” (1 Co 10:20).

Nesta corrupção da religião reside o segredo da imoralidade mais grosseira e da degradação geral da humanidade. Desistiram voluntariamente do conhecimento do verdadeiro Deus quando o possuíam e se entregaram para se tornarem ferramentas de espíritos iníquos. Os homens também procuravam se comunicar com o mundo espiritual e obter o favor de certos espíritos malignos, mas, infelizmente, foram capturados por poderes satânicos. Degradados espiritual e moralmente, afundaram-se cada vez mais na maneira de viver.

A linha de fé 

No entanto, havia uma linha de fé, nos descendentes de Sete, que se separaram desses vícios e viveram e morreram na fé (Gênesis 5; Hebreus 11:13). Essa linha se afunilou até Noé e seus filhos, que passaram pelo dilúvio, preservados por Deus. Após o dilúvio, a linha de fé seguiu por Sem, Abraão, Isaque e Jacó, para que Deus sempre tivesse algum testemunho entre os homens. Eles foram justificados pela fé, e Deus mais tarde foi declarado Justo por ter passado por cima dos pecados deles – isto é, depois que Seu amado Filho morreu por pecadores na cruz (Rm 3:25). Isso estava diante d’Ele desde o princípio, pois assim que o pecado entrou no mundo, Ele falou da vinda da semente da mulher que feriria a cabeça da serpente (Gênesis 3:15).

Depois que os homens abandonaram o conhecimento de Deus e, na medida do possível, degradaram a glória do Deus incorruptível, Ele, em Seu justo governo, os entregou à imundícia. Três vezes em Romanos 1, lemos que Deus os abandonou: “Pelo que também Deus os entregou às concupiscências do seu coração, à imundícia, para desonrarem o seu corpo entre si; pois mudaram a verdade de Deus em mentira e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém! Pelo que Deus os abandonou às paixões infamesE, como eles se não importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convém” (vs. 24‑28).

Será que precisamos imaginar que o homem perdeu o senso de propriedade de vestir roupas e viver de maneira civilizada? Tome um homem deste grande século XXI e o entregue à demonolatria, ao vício em drogas e aos vícios associados, e veja o que ele se torna em uma única geração.

A corrupção de Israel 

Considere a nação favorecida de Israel, a quem Deus tirou do Egito com grandes demonstrações de Sua bondade e poder e o que aconteceu com eles quando mudaram do único Deus verdadeiro para a idolatria egípcia, adorando o bezerro de ouro. Eles “se corromperam”. Quando Moisés desceu do monte com as tábuas de pedra, “E, vendo Moisés que o povo estava despido, porque Arão o havia deixado despir-se para vergonha entre os seus inimigos” (Êx 32:25). Evidentemente, eles imediatamente adotaram algumas das orgias pagãs. Pense no que mil ou mais anos fariam com qualquer povo. Deus teve que advertir Seu povo terrenal repetidamente contra seguir os caminhos dos pagãos, e quando se afastaram d’Ele, se entregaram a práticas repulsivas e proibidas, como oferecer seus próprios filhos em sacrifícios a ídolos, atrás dos quais havia demônios.

A degeneração do tempo presente 

Que o mundo avançou e que grande parte dele abandonou as formas mais grosseiras relacionadas à religião é verdade, mas isso se deve em grande parte à luz de Deus que brilhou por meio de Sua verdade, revelada em Israel e mais tarde no Cristianismo, embora obscurecida por seus respectivos fracassos. Os homens não ousam fazer na luz o que fariam avidamente nas trevas. Mas a luz de Deus está sendo novamente extinta em grande parte do mundo por meio dos avanços do comunismo ateísta e da rejeição clara e direta da revelação divina. Como a influência do comunismo diminuiu um pouco nos últimos vinte anos, vemos essa tendência ateísta manifestada em uma busca por dinheiro sem Deus. Que o mundo tenha certeza de que “Deus não Se deixa escarnecer” (Gl 6:7) e que essa civilização ocidental iluminada será abandonada por Deus para receber a mentira do diabo em um dia não muito distante. “Porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade” (2 Ts 2:10-12). Deus desistiu do mundo pagão; Ele desistiu de Israel depois que eles rejeitaram o Messias (Miquéias 5:3), e com toda a certeza abandonará o povo de hoje às trevas profundas e a todos os resultados delas.

Lembremos que “se eles não falarem segundo esta Palavra (a Palavra de Deus), nunca verão a alva” (Is 8:20). Não é que eles tenham uma pequena luz, mas não têm nenhuma sequer. Lembre-se também de que “toda a Palavra de Deus é pura” (Pv 30: 5). É viva e operativa, e penetra nos recessos mais íntimos do coração, revelando todos os seus conselhos (Hb 4:12-13). Sua entrada dá luz e entendimento àqueles que, em fé simples, a aceitam como ela é em verdade – A PALAVRA DE DEUS (Salmo 119:130). É isso pelo qual podemos purificar nossos caminhos (Salmo 119:9). “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito (ou completo), e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (2 Tm 3:16-17). Assuma sua posição sem vacilar quanto a ela, sem levar em consideração os escárnios e zombarias dos ímpios, e você nunca será envergonhado agora ou no futuro. Essa Palavra permanecerá por toda a eternidade: “Passará o céu e a Terra, mas as Minhas Palavras não passarão” (Marcos 13:31).

P. Wilson (adaptado)

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