Origem: Revista O Cristão – O Mundo Espiritual
O Poder de Satanás Hoje
Desde a queda do homem, Satanás tem agido neste mundo para desonrar a Deus e enganar o homem. Ele é muito versátil e suas táticas têm muitas faces. Com sua vasta experiência, ele é capaz de apelar a todo tipo de homem natural. Alguém expressou isso muito bem:
“Para o psicólogo, ele diz: ‘Eu lhe darei novos conhecimentos e entendimentos’. Para o ocultista, ele diz: ‘Vou lhe dar as chaves dos últimos segredos da criação’. Ele confronta o religioso e o moralista com uma máscara de integridade e promete a eles a própria ajuda do céu. E, finalmente, para o racionalista e o liberalista, ele diz: ‘Eu não estou lá; Eu nem existo.”
Embora Satanás tenha sido, sem dúvida, muito ativo antes do dilúvio no tempo de Noé, ele tem estado ainda mais diligente desde então. Ele não podia negar o poder de Deus como manifestado no dilúvio, mas depois disso procurou atrair o homem para si, imitando o poder de Deus. Surgiram várias formas de idolatria e falsa religião, porém todas com uma base comum: o poder de Satanás estava por trás delas. Quando o homem via poder, Satanás fazia com que esse poder fosse atribuído a ele, e não a Deus. Assim, o homem abandonou o conhecimento de Deus e abraçou o que era falso. Ele se entregou a coisas como superstição, mitologia, sacrifícios estranhos, lançamento de feitiços, consulta de oráculos[1] e muitos outros. Um resultado adicional foi que ele afundou em um nível de pecado que provavelmente excedia o que estava presente antes do dilúvio (Sodoma e Gomorra são um exemplo dessa terrível devassidão). Tudo isso foi apoiado por uma demonstração de poder satânico, combinado com um fio constante de tragédia e morte, que mantinha o homem com medo e, ao mesmo tempo, em assombro. Essa era a condição das coisas para grande parte da história do mundo desde o dilúvio.
[1] N. do T.: O oráculo é a resposta dada por uma divindade a uma questão pessoal por meio de adivinhação. ↑
A luz do Cristianismo
Aqueles que como nós cresceram nas terras ditas Cristãs foram, pelo menos no passado, amplamente protegidos de tais influências, porque a luz do Cristianismo havia expulsado essas influências pagãs, ou pelo menos as empurrou para a clandestinidade. Esta citação descreve isso muito bem:
“Agora a luz do Cristianismo baniu todos esses espectros do mal em seu poder óbvio e direto. Mas não era assim quando as Escrituras foram escritas. A mente do público estava cheia delas, embora os filósofos começassem a especular e a desprezá-las, e muitos se cansassem delas. Ainda assim, todos os hábitos foram formados sobre elas. Quando Paulo curou um homem impotente, eles quiseram oferecer-lhe sacrifício… Se ele fosse picado por uma víbora, a justiça[2] não lhe permitiria viver, e quando ele não recebeu nenhum dano, eles mudaram de ideia e disseram que ele era um deus. Esse sistema estava conectado com poder e, quando viam esse poder, ainda o atribuíram aos demônios, e não a Deus.”
[2] N. do T. A tradução de J. N. Darby usa a palavra “Nêmesis”, deusa grega da justiça ou da vingança. ↑
Quando Cristo foi pregado, João pôde dizer: “porque vão passando as trevas, e já a verdadeira luz ilumina” (1 Jo 2:8). No entanto, houve um declínio muito rápido, mesmo antes da morte dos apóstolos, e, portanto, encontramos nas epístolas posteriores várias alusões aos males das trevas que haviam sido afastados pela pregação de Cristo. Agradecemos a Deus que Ele deu avivamentos de tempos em tempos, para combater a decadência. Um avivamento mais significativo ocorreu quando, menos de duzentos anos atrás, Deus levantou homens para restaurar a verdade da Igreja. Não apenas um evangelho completo foi pregado, mas naquele tempo muitas verdades preciosas foram recuperadas – verdades que não estavam sendo conhecidas e desfrutadas (exceto talvez por poucos) por séculos. Toda a Cristandade se beneficiou dessa recuperação, mas principalmente a Europa Ocidental e a América do Norte, pois a atmosfera do Cristianismo permeava essas terras. As leis eram baseadas em princípios das Escrituras, e a Palavra de Deus era lida e honrada publicamente. Certamente Satanás continuou sua obra maligna apesar de tudo isso, mas as manifestações públicas de poder demoníaco eram relativamente poucas, e os que estavam envolvidos nela o fizeram em grande parte em segredo. A maioria das pessoas frequentava igrejas e, da mesma forma, o dia do Senhor era respeitado pela grande maioria.
As mudanças de hoje
Nos últimos quarenta anos, no entanto, temos visto uma tremenda mudança. Na maioria dos assim chamados “países Cristãos” (se é que ainda podemos usar o termo!), é apenas uma minoria que participa de um culto religioso no dia do Senhor. A Palavra de Deus tem sido banida das escolas e da vida pública, e seus princípios são abertamente desafiados e desprezados. Juntamente com isso, as manifestações do poder satânico estão se tornando mais frequentes e visíveis. Há um interesse renovado em entidades como sessões espíritas, adoração a Satanás, bruxaria, clarividência, cura oculta, ioga, tentativas de contato com o mundo invisível e muito mais. Aqueles que estão envolvidos nessas coisas são bastante abertos; não há mais vergonha relacionada a essas práticas. A música popular de hoje está repleta de conotações satânicas, enquanto vários clubes e ordens dedicadas ao ocultismo estão florescendo.
Como sempre, violência e imoralidade andam de mãos dadas com tudo isso. Alguém observou que, deixado por conta própria, o homem tem apenas a opinião pública e suas concupiscências para governar a si mesmo. À medida que o poder de Satanás se torna cada vez mais evidente, a opinião pública diminui, deixando apenas a concupiscência do homem, o que resulta em uma degradação cada vez maior. Até crianças e adolescentes agora falam sobre coisas que lhes eram desconhecidas apenas alguns anos atrás e estão envolvidas em crimes anteriormente cometidos apenas por adultos endurecidos. Enquanto escrevemos este artigo, uma garota de dezoito anos nos EUA está sendo condenada à prisão perpétua por homicídio premeditado e sem motivo de uma garota de nove anos – uma vizinha dela. Em seu diário, ela descreveu a experiência como “bastante prazerosa”. Depois de cometer o homicídio, ela aparentemente foi a um baile de jovens de sua igreja.
Como tudo isso aconteceu?
Já comentamos o que é óbvio, a saber, que Deus e Sua Palavra têm sido abandonados, e Satanás respondeu rapidamente para preencher o vácuo. Quando a verdade de Deus é conhecida e depois abandonada, é invariavelmente verdade que “são os últimos atos desse homem piores do que os primeiros” (Mt 12:45). “Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!” (Mt 6:23) Também sabemos que Deus profetizou tudo isso em Sua Palavra, dizendo-nos que “nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos” (2 Tm 3:1) e depois detalhando para nós o terrível caráter moral daquele tempo. No entanto, há outra razão para o declínio – um que nós, Cristãos, devemos enfrentar. Mais uma vez, deixe as palavras de alguém falar conosco:
“A energia e o poder da Igreja estão na graça, em Deus. Se ela é apenas um corpo liberto, é um corpo fraco. Ela precisa ser um corpo que liberta para ser um corpo preservado, porque esse é o poder da presença de Deus em Cristo e no Cristianismo… Quer seja uma reunião de santos, quer seja um indivíduo, se não houver energia de testemunho positivo que atue sobre os outros, haverá declínio… Falsos mestres, corrupção, apostasia, anticristos, etc. começam a aparecer na luz minguante da igreja. Esse declínio da igreja é a principal fonte do mal, embora não seja a única forma que ele assume. Se o poder libertador é enfraquecido, os antigos males suprimidos ressurgem, modificados talvez para se adequarem ao caso, mas são os mesmos.”
A responsabilidade do Cristão
Como Cristãos, nos é adequado lamentarmos a condição da Cristandade nestes últimos dias, quando consideramos a luz à qual essas nações foram expostas e as profundezas às quais se afundaram. É uma triste verdade que o homem tenha virado as costas à luz e tenha desistido deliberadamente do que Deus graciosamente restaurou a ele. O fim da Cristandade será um julgamento terrível, pois “o servo que soube a vontade do seu senhor e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites” (Lucas 12:47). No entanto, não sejamos complacentes em tudo isso, tendo satisfação em saber que não fazemos parte desse colapso moral. Se as influências satânicas estão agora em ascensão, devemos assumir nós mesmos alguma responsabilidade. Não nos basta apenas levar uma vida boa e moralmente correta e depois ir para o céu no final. Não, somos deixados aqui para sermos testemunhas vivas do amor e da graça que nos salvaram e nos trouxeram para as mais maravilhosas bênçãos. Estamos usando nosso tempo, energia e recursos materiais apenas para nós mesmos, ou estamos usando-os para os interesses de Cristo aqui embaixo? Estamos “conformados com este mundo” ou somos como aqueles de quem se pode dizer: “Estes que têm alvoroçado o mundo chegaram também aqui” (Atos 17:6)? O “sal da Terra” não deve ser guardado no saleiro. Como crentes, podemos muito bem prestar atenção a nós mesmos e perguntar se somos meramente libertos ou se somos libertadores.
