Origem: Revista O Cristão – Palavras aos Homens

Ainda que a Minha Casa Não Seja Tal para com Deus

Como vimos em outros artigos desta edição, Deus nos deu todas as instruções que precisamos, como homens, para cumprir nossos deveres para Sua glória e bênção de outros neste mundo. Em particular, Ele nos mostrou como nos comportar como maridos e pais Cristãos. No entanto, quantos pais Cristãos, como Davi, têm que admitir que suas casas não estão em ordem perante o Senhor como elas deveriam estar. Dificuldades conjugais podem surgir e, mesmo que o casamento permaneça feliz, com que frequência os filhos não se desenvolvem, ao menos na esfera espiritual, da maneira que esperávamos. Muitos de nós são naturalmente relutantes em abordar esta questão por causa da consciência de nosso próprio fracasso, mas tanto as dificuldades desses últimos dias como a instrução clara da Palavra de Deus nos encorajam a fazê-lo. Como devemos reagir quando descobrimos, como Davi, que a condição de sua casa não era como deveria ser?

Antes de tudo, devemos fazer a diferença entre as crianças que ainda moram em casa e as que podem, como adultos, viver sozinhas, solteiras ou casadas. Deus estabeleceu o lar como uma esfera de autoridade e responsabilidade, e Deus considera todo marido e pai responsável pela condição desse lar. Se nós, como pais, temos negligenciado nossas responsabilidades e permitimos que a desordem ou o mundanismo caracterizem nosso lar, devemos, por todos os meios, buscar a graça para corrigi-lo. Embora seja sempre bom começar cedo, nunca é tarde para procurar seguir a Palavra de Deus e corrigir o que está errado.

No entanto, em muitos casos, a situação pode estar além do nosso controle direto, pois as crianças podem ser mais velhas e viver por si mesmas. Eu sugeriria que há várias coisas a serem lembradas na busca de uma maneira correta de tratar com essa situação.

Justifique a Deus 

Antes de tudo, devemos justificar Deus em todos os Seus tratamentos conosco. Quando Jó foi provado pelas dificuldades mais severas de sua vida, incluindo a perda de todos os seus filhos, ele não entendeu e achou falha nos caminhos do Senhor para com ele. Eliú teve que lembrá-lo de que “Deus não procede impiamente; nem o Todo-poderoso perverte o juízo” (Jó 34:12). Ele tinha que ser lembrado de que, em vez de encontrar falhas no Senhor, sua oração deveria ser: “O que não vejo, ensina-me Tu” (Jó 34:32). Se as coisas derem errado em nossa família, podemos lembrar aquilo que sentimos ter sido nossa fidelidade ao Senhor e nossos esforços para criar nossos filhos para Ele, e interiormente sentimos que, de alguma forma, Deus é injusto. Essa atitude deve ser julgada a todo custo, pois “Não faria justiça o Juiz de toda a Terra?” (Gn 18:25). Devemos estar dispostos a seguir a ordem de Pedro: “Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte” (1 Pe 5:6).

Não culpe os outros 

Da mesma forma, devemos resistir à tendência muito comum de culpar os outros ou a um conjunto de circunstâncias adversas pelo que aconteceu. Devemos lembrar que Deus não tem segundas intenções e que Ele é capaz de nos dar forças para superar até mesmo as piores circunstâncias. Sem dúvida, em alguns casos, o fracasso de outros pode ter contribuído, do lado humano, para os fracassos de nossos filhos, mas devemos ter em mente que “cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Rm 14:12).

Ore ao Senhor 

Segundo, devemos apresentar-nos perante o Senhor sobre a situação, orando antes de tudo para que o Senhor possa nos mostrar por que Ele permitiu a situação. Se nos submetermos à provação e nos humilharmos, estaremos em um estado de alma adequado para o Senhor nos revelar o que devemos aprender com ela. Pode ter havido fracasso, e o Senhor pode estar tentando chamar nossa atenção para que possamos tratar com isso. Por outro lado, o Senhor pode não ter permitido a provação principalmente por causa de nosso fracasso como pais. Ele pode nos mostrar como Sua graça pode superar esse fracasso e como essa bênção é apenas sob o fundamento dessa graça. Às vezes, as observações e os conselhos de outras pessoas podem ajudar, mas apenas o Senhor é infalivelmente capaz de nos mostrar a lição que Ele deseja nos ensinar.

Muitas vezes, é sob provação que aprendemos mais e nos tornamos os mais úteis para o Senhor, pois a provação nos leva à Sua presença e nos torna dependentes d’Ele, como nada mais pode fazer. É sob provação que aprendemos como Ele pode ser um Consolador e como pode nos usar como uma bênção para os outros nas circunstâncias mais difíceis. É em circunstâncias difíceis que andamos nos passos do Mestre.

Nossos filhos 

Terceiro, devemos ir ao Senhor em oração por nossos filhos. Ele os ama mais do que nós os amamos, quer abençoá-los e é capaz de trabalhar na vida deles para realizar isso. Quando formos a Ele em “oração e súplica com ação de graças” e fizermos nossos pedidos ao Senhor, descobriremos que “a paz de Deus, que excede todo o entendimento”, manterá nosso coração e mente por meio de Cristo Jesus. Certamente, a tristeza e o sofrimento continuam presentes, e com razão, mas quando o levamos ao Senhor, Ele nos dá paz. Quando nos humilhamos verdadeiramente “debaixo da potente mão de Deus”, estamos em um estado correto de alma por estar “lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade” (1 Pe 5:7).

A graça de Deus 

Quarto, devemos perceber, como Davi, que qualquer bênção em nossa família é, em última análise, devida à graça de Deus e não a nossos próprios esforços. Nós, como pais, somos exortados a educar nossos filhos “na disciplina e admoestação do Senhor” (Ef 6:4 – ARA), e isso significa, nas palavras de alguém: “A disciplina se aplicará mais a todo o curso do treinamento ou educação; a admoestação implica vigilância constante, a fim de alertar contra perigos, esquecimentos ou afastamentos do caminho em que estão sendo conduzidos”. Embora nós, como pais, possamos procurar fazer isso, ainda temos que olhar, como Davi, para aquela “manhã sem nuvens”, quando tudo será aperfeiçoado em Cristo e não por nós. Tem havido fracasso relacionado a tudo o que Deus confiou ao homem, e nós, como pais, não somos exceção. Em Cristo, todos estarão em perfeição, naquele dia. O fracasso em nossa família, assim como na casa de Deus, faz com que ansiamos mais pela vinda do Senhor e nos impede de ficarmos muito contentes aqui.

O capítulo final 

Finalmente, devemos lembrar que, enquanto estamos aqui neste mundo, o capítulo final de nossa vida ainda não foi escrito. Segundo Samuel 23:5 poderia ser lido, em parte: “pois toda a minha salvação e todo o bom prazer, não os faria Ele crescer?” (conforme a nota de rodapé na tradução da JND). Embora isso sem dúvida tenha uma referência àquela “manhã sem nuvens”, Deus Se deleita em abençoar e fazer “tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos” (Ef 3:20). Mesmo nesta vida, Deus pode muito bem mudar as coisas para nossa família – “fazê-las crescer” aqui em baixo neste mundo. Novamente citando Eliú em seu discurso a Jó: “E quanto ao que disseste, que O não verás, juízo há perante Ele; por isso espera n’Ele” (Jó 35:14). Vamos nos submeter a Seus caminhos conosco, aprender as lições que Ele tem para nós e confiar n’Ele para trazer bênçãos de tudo o que Ele permite em nossa vida, pois “sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu decreto” (Rm 8:28).

W. J. Prost

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