Origem: Revista O Cristão – Palavras aos Homens
Autoridade e Sacrifício
Quando o Senhor Jesus estava caminhando por este mundo com Seus discípulos, houve mais de uma ocasião em que alguns deles queriam ser os maiores. Essa tem sido a tendência do coração natural do homem desde sua queda. A resposta do Senhor a eles revela o segredo da verdadeira grandeza Cristã:
“O maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve. Pois qual é maior: quem está à mesa, ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve” (Lc 22:26-27).
O Senhor descreveu a grandeza humana muito bem quando disse: “Os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que têm autoridade sobre eles são chamados benfeitores” (Lc 22:25). Como sempre, a sabedoria de Deus é exatamente o oposto da sabedoria do homem, e nosso Senhor era o Exemplo supremo da sabedoria de Deus quando se tratava de autoridade. Ele tinha poder inquestionável; como Deus, ele pôde acalmar o vento e as ondas, curar os enfermos, ressuscitar os mortos e alimentar os famintos. No entanto, toda a Sua vida aqui em baixo foi de submissão à vontade de Seu Pai – uma vida de sacrifício e serviço. Ele nunca fez nada para agradar a Si mesmo, pois podia dizer: “eu faço sempre o que lhe (ao Pai) agrada” (Jo 8:29). Mais do que isso, Ele permanecerá Servo para sempre, como vemos em Êxodo 21:1-6. Por causa de Seu amor por Seu mestre, por Sua esposa e por Seus filhos, o Senhor Jesus (como tipificado pelo servo hebreu) teve Sua orelha furada com uma sovela (que traz diante de nós Sua morte na cruz). Como resultado, Ele permanecerá um Homem por toda a eternidade e será um Servo para sempre. Quando formos levados para casa para estar com Ele, lemos em Lucas 12:37 que Ele “Se cingirá, e os fará assentar à mesa e, chegando-Se, os servirá”.
Tudo isso certamente tem voz para os homens hoje, em seu relacionamento com sua esposa e com as mulheres em geral. Deus colocou o homem em uma posição de responsabilidade e autoridade, mas é por meio de sacrifício que essa posição é eficaz. O fato de a mulher ter sido feita de uma costela, tirada do lado do homem, mostra por si mesmo que sua atitude em relação a ela é de amor e proteção.
Razões para questionar a autoridade
Vivemos um dia em que toda autoridade está sendo questionada e, muitas vezes, essa atitude se traduz em ressentimento de mulheres contra homens, que têm usado, com muita frequência, sua posição de cabeça como desculpa para exercer uma versão agressiva e egoísta de autoridade. Em vez da atitude sacrificial e protetora que deveria caracterizar seu relacionamento com as mulheres, muitas vezes houve uma tirania arrogante e dominadora. Outras vezes, os homens eram simplesmente descuidados e egocêntricos. Essas coisas, por sua vez, ajudaram a gerar o movimento feminista dos últimos anos, no qual as mulheres não apenas se rebelaram contra os homens, mas também contra sua natureza dada por Deus, que é cuidadora, adaptável e gentil. A firmeza que muitas vezes é vista entre as mulheres hoje tem suas raízes em uma rebelião contra o sofrimento que resulta quando os homens abusam de seu mandato dado por Deus. A maioria de nós, em nossos votos de casamento, não prometeu “tratar com carinho”? Estamos mantendo nossos votos?
Cuidados e proteção de mulheres
A responsabilidade do homem de cuidar e proteger a mulher é um conceito antigo e profundo que vai ao cerne do que é ser homem. Isso foi ilustrado há pouco mais de cem anos atrás, quando o Titanic afundou com a perda de mais de 1.500 vidas. Charles Lightoller era o segundo oficial do navio, e ele estava encarregado de carregar os botes salva-vidas. A história de sua experiência é muito emocionante:
“Embora ele inicialmente não achasse que o Titanic iria afundar, Lightoller foi rápido em suas tarefas, ajudando mulheres e crianças a entrarem nos botes salva-vidas do lado bombordo do navio. Ele foi rígido em controlar quem podia entrar nos botes, impondo o padrão de apenas mulheres e crianças, o que mais tarde lhe trouxe críticas. Quando um grupo de homens assumiu o comando de um dos botes, Lightoller saltou para dentro do bote e os expulsou com um revólver descarregado. Mas suas ações a bordo do Titanic estavam focadas em salvar vidas, e não para proteger sua própria pele. Mais tarde, quando o destino do navio era evidente, Lightoller recebeu ordens de um superior para subir em um dos botes de emergência, mas ele recusou com um firme: ’Isso é pouco provável’”.
(Lightoller sobreviveu, pois uma série de eventos fez com que ele fosse retirado da água e colocado perto de uma balsa de lona virada, na qual ele conseguiu subir. Seu cuidado com os homens que estavam na balsa fez com que quase todos fossem resgatados na manhã seguinte).
A afirmação dessa autoridade masculina sacrificial, não para servir aos próprios interesses, mas para proteger e, se necessário, morrer pelos que estão sob seus cuidados, é um exemplo do que realmente é a semelhança com Cristo. Para Charles Lightoller e pessoas como ele, a prioridade de mulheres e crianças sobre homens em tal situação parecia simplesmente a atitude correta e nobre a ser feita.
Amor sacrificial
Embora muitos de nós não sejam chamados a entregar nossa vida dessa maneira, ainda assim, para todo homem, o sacrifício diário por sua esposa e filhos é necessário para quem ocupa uma posição de liderança. Pode significar simplesmente fazer uma xícara de café e levá-la à sua esposa, ou oferecer esfregar as panelas e frigideiras para que ela possa relaxar depois do jantar. Pode significar consertar algo em casa, em vez de ceder à tentação de sentar e relaxar. Pode significar ler para as crianças ou passar algum tempo com elas de alguma outra maneira. Também pode significar incluir no orçamento o tempo gasto “no trabalho”, para que os que estão em casa se sintam amados pela presença do marido e do pai e por seu interesse na vida doméstica. O cuidado constante pelos outros, em um mundo que enfatiza cada vez mais o “eu”, às vezes é um fardo, mas um fardo feliz. Quando o amor é o motivo, então todo sacrifício se torna mais fácil.
Somos ordenados: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo vos amou, e Se entregou a Si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” (Ef 5:1-2). Aqui encontramos um motivo ainda mais elevado que o do bem dos outros – um motivo que nos leva ao próprio Deus. Quando o Senhor Jesus Se ofereceu como um cheiro suave, Ele era o verdadeiro Holocausto – aquela oferta que era somente para Deus. Antes de mais nada, Sua obediência era para Seu Pai, e o cheiro suave era, em certo sentido, independente de Seu sofrimento pelo pecado, embora os dois não possam realmente ser separados. Mas Sua obediência voluntária, até a morte, resultou naquilo que somente o coração de Deus podia apreciar plenamente. Quando os homens Cristãos estão dispostos a se sacrificar, seu motivo não deve ser apenas para o bem daqueles a quem eles se dão para proteger; antes, o exemplo do próprio Cristo deve estar diante de nós, para que procuremos nos tornar imitadores d’Ele.
Nenhum de nós tem força em si mesmo para fazer isso; ela deve provir da dependência constante e da oração constante ao próprio Deus. Toda semelhança com Cristo deve vir d’Ele, mas quanto mais nos ocupamos com Ele, maior será a nossa semelhança com Ele. Deus nos dará a graça para isso, se Lhe pedirmos.
