Origem: Revista O Cristão – Palavras às Mulheres

“Far-lhe-ei uma Ajudadora Idônea para Ele”

Quando Deus criou o homem, Ele disse: “e que eles tenham domínio sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a Terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a Terra” (Gn 1:26 – JND). Deus claramente teve em Seus conselhos a criação de homem e mulher, embora os detalhes não sejam dados até o próximo capítulo. Quando lemos sobre esses conselhos divinos, descobrimos que o Senhor Deus disse que não era bom que o homem estivesse sozinho; assim, Ele criaria uma “companheira de ajuda, semelhante a ele (ou contraparte) (Gênesis 2:18 – JND).

É significativo que Deus tenha tirado uma costela do lado de Adão, da qual Ele fez Eva. Primeiro de tudo, a noiva de Adão era parte dele – “osso dos meus ossos, e carne da minha carne”. Como ele poderia deixar de amá-la? Segundo, foi usada uma costela, sem dúvida indicando que a mulher deveria estar ao seu lado, perto do coração e sob sua proteção. Finalmente, ela era uma figura da Igreja – aquela a qual Cristo amou e pela qual morreu. Por esse motivo, os maridos são exortados a “amar a sua própria mulher como a seu próprio corpo” (Ef 5:28 – ARC).

O fato de a Escritura usar o termo “companheira de ajuda” para descrever a mulher nos mostra como ela deveria agir em seu relacionamento com o homem. Ela deveria complementá-lo – preencher áreas em que ele era deficiente, “arredondá-lo” e torná-lo completo. Deus, em Sua sabedoria, criou a mulher e a capacitou para esse papel.

Sociedade em mudança nos dias de hoje 

Por alguns anos no mundo de hoje, pelo menos no Ocidente, a sabedoria do homem tentou mudar tudo isso. Dizem às mulheres que não apenas elas podem fazer qualquer coisa que um homem possa fazer, mas que elas devem fazê-lo, para sua própria realização e para o suposto bem da sociedade. É-lhes dito que não precisam mais considerar o lar como seu principal local de serviço, mas que elas deveriam procurar agir no mundo de todas as maneiras que um homem age. A palavra de ordem foi: “Você pode ter tudo”, significando que uma mulher deve ter uma carreira de sucesso fora de sua casa, mas ainda assim pode ter um casamento satisfatório, criar filhos e ter uma vida familiar feliz. Muitas tentaram fazer isso, mas como podemos esperar, os resultados não foram bons. Casamentos, filhos e vida doméstica sofreram em consequência. As crianças foram deixadas nas creches, em vez de serem cuidadas, disciplinadas e receberem ensinamentos morais de uma mãe amorosa, enquanto os maridos frequentemente ficam perdidos, tentando preencher o papel de nutrir para o qual Deus capacitou as mulheres. As taxas de divórcio dispararam, e as taxas de criminalidade entre adolescentes (e até crianças ainda mais novas!) aumentaram drasticamente.

Recentemente, Anne-Marie Slaughter, ex-alta autoridade do Departamento de Estado dos EUA, escreveu um artigo em uma edição da Revista Atlântica intitulada “Por que as mulheres ainda não podem ter tudo”. Aqui está um pequeno trecho desse artigo:

“Dezoito meses depois de assumir o meu cargo de primeira mulher a ser diretora de planejamento de políticas no Departamento de Estado, um cargo de política externa cujas origens remontam a George Kennan, eu me encontrava em Nova York, na assembleia anual das Nações Unidas que reúne todos os ministros das relações exteriores e chefe de estado do mundo. Numa quarta-feira à noite, o Presidente e a Sra. Obama fizeram uma recepção glamorosa no Museu Americano de História Natural. Eu bebi champanhe, cumprimentei dignitários estrangeiros e circulava entre os convidados. Mas eu não conseguia parar de pensar no meu filho de 14 anos, que havia começado a oitava série na escola três semanas antes e já estava retomando o que havia se tornado seu padrão: não fazer a lição de casa, perturbar as aulas, ir mal em matemática e esquivar-se de qualquer adulto que tentasse alcançá-lo… Eu estava cada vez mais consciente de que as convicções feministas sobre as quais eu havia construído toda a minha carreira estavam mudando sob meus pés”

Enquanto o restante do artigo deixa claro que a autora não adota de modo algum uma visão bíblica de homens e mulheres, ainda assim, é evidente a partir de seus comentários que até mesmo o mundo está começando a perceber que um afastamento da sabedoria de Deus resulta em más consequências.

Uma companheira de ajuda 

O que significa então ser uma “companheira de ajuda”? Antes de tudo, a Escritura deixa claro que o principal local de influência e serviço da mulher está dentro da estrutura do lar. Paulo poderia exortar as mulheres mais idosas a serem “sérias no seu viver, como convém a santas”, para que, por sua vez, pudessem ensinar as jovens a serem “discretas, castas, diligentes no trabalho da casa” (Tt 2:3‑5 – JND). Por essa razão, Paulo disse para Timóteo: “Quero, pois, que as que são moças se casem, gerem filhos, governem a casa, e não deem ocasião ao adversário de maldizer” (1 Timóteo 5:14). Por toda a Palavra de Deus, esse padrão nos é dado pelo exemplo. Como outro já disse, Deus deu à mulher uma mente e inteligência iguais às de um homem, porque Ele queria alguns dos melhores cérebros no lar.

Isso significa que uma mulher pode desenvolver completamente sua mente e usar sua inteligência dada por Deus para aproveitar ao máximo o ambiente doméstico. Ela pode querer ter uma boa educação, e a Escritura não levanta nenhuma barreira a isso, se isso for feito de acordo com a mente do Senhor. Quando lemos sobre a mulher virtuosa em Provérbios 31, a encontramos dirigindo sua casa de uma maneira muito capaz. Ela cuidava de todas as necessidades de sua casa, até trazendo “de longe o seu pão”. Ela também exerceu sua capacidade comercial, pois diz que ela “Examina uma propriedade e adquire-a” (v. 16). Ela era capaz de ganhar dinheiro, pois vendia parte do que foi feito em sua casa – “Faz panos de linho fino e vende-os, e entrega cintos aos mercadores” (v. 24). Mas ela também “Abre a sua mão ao pobre, e estende as suas mãos ao necessitado” (Pv 31:20). Como resultado, “O coração do seu marido está nela confiado” (v. 11) e “Seu marido é conhecido nas portas, e assenta-se entre os anciãos da terra” (v. 23). É o seu marido que ocupa o lugar público de julgamento nas portas, enquanto ela, ao administrar a casa de maneira eficaz, o complementa e permite que ele aja bem em sua posição. Tudo está em perfeita harmonia.

Exemplos de companheiras de ajuda 

Encontramos muitos exemplos de “companheiras de ajuda” na Escritura. Joquebede, a mãe de Moisés, instruiu fielmente Moisés em seus tenros anos e também o afastou de tudo o que poderia estragar seu treinamento e ensino. Quando ela foi obrigada a entregá-lo à filha de Faraó, o Senhor honrou sua fé. Da mesma forma, Ana criou cuidadosamente Samuel para o Senhor, mas com fé o entregou “ao Senhor” enquanto ele ainda era muito jovem. Mais uma vez, o Senhor honrou sua fé, apesar do mal que estava presente no sacerdócio naquela época. Embora o termo seja usado principalmente em conexão com o relacionamento de Eva com o seu marido, Adão, certamente o privilégio de ajudar não se restringe ao marido de uma mulher. Maria e Marta foram notadas por sua hospitalidade, e é evidente que nosso próprio Senhor encontrou no lar delas um refúgio de tudo o que O ocupava nos negócios de Seu Pai. Dessa maneira, elas foram companheiras de ajuda até mesmo ao próprio Senhor. Febe foi descrita por Paulo como alguém que “tem ajudado muitos, inclusive a mim mesmo” (Rm 16:2). No curso de seu serviço, ela foi uma ajuda até para Paulo. Uma mulher é frequentemente capacitada para detectar necessidades entre outras pessoas e oferecer ajuda em situações em que os homens podem não ser tão sensíveis. Se eu puder falar de mim mesmo, minha esposa é minha principal companheira de ajuda, mas houve muitas ocasiões em que outras irmãs piedosas foram ajudantes práticas ao longo do caminho. Muitas vezes, elas cumprem o papel de serem dadas “à hospitalidade”, assim como Maria e Marta.

Irmãs, não abdiquem de sua posição como companheiras de ajuda. Antes de tudo, é uma desonra e uma afronta ao próprio Senhor, que lhe deu essa posição e capacitou você para ela. Segundo, isso não funciona e apenas traz problemas e dificuldades para quaisquer relacionamentos que estejam envolvidos, incluindo a outra ocupação. Terceiro, embora pareça lhe dar uma gratificação temporária, acabará por deixá-la infeliz, como aconteceu com Anne-Marie Slaughter. As mulheres piedosas em seu devido lugar descobrirão que são “como pedras de esquina lavradas à moda de palácio” (Sl 144:12 JND). Moral, espiritual e fisicamente, elas agirão como Deus deseja e comandarão amor e respeito de acordo com isso.

W. J. Prost

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