Origem: Revista Palavras de Edificação 10
Contrastes entre Israel e a Igreja
(continuação do número anterior)
Comemoração
Os israelitas foram redimidos do seu triste estado de escravatura, sob o poder de Faraó no Egito, com o sangue do Cordeiro imolado. Deus mandou-lhes assim: “E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem. E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães asmos; com ervas amargosas a comerão. …Portanto guardai isto por estatuto para vós e para vossos filhos, para sempre” (Êx 12:7-8, 24).
Conforme a vontade do Senhor, os israelitas tinham que guardar a solenidade da Páscoa. “No mês primeiro, aos catorze do mês, pela tarde, é a Páscoa do Senhor” (Lv 23:5). “Que os filhos de Israel celebrem a Páscoa a seu tempo determinado, no dia catorze deste mês, pela tarde, a seu tempo determinado a celebrareis; segundo todos os seus estatutos, e segundo todos os seus ritos, a celebrareis” (Nm 9:2-3).
Já não era necessário pintarem as entradas das portas com o sangue derramado do cordeiro imolado, mas ainda comiam da sua carne assada no fogo, e com pão sem levedura e ervas amargas. Mas os israelitas, foram desobedientes à Palavra do Senhor, e negligentes em comer a Páscoa.
Leiamos 2 Crônicas 30:1-3: “Depois disto Ezequias enviou por todo o Israel e Judá, e escreveu também cartas a Efraim e a Manassés que viessem à casa do Senhor a Jerusalém, para celebrarem a Páscoa ao Senhor Deus de Israel. Porque o Rei tivera conselho com os seus maiorais, e com toda a congregação em Jerusalém, para celebrarem a Páscoa no segundo mês. Porquanto no mesmo tempo não a puderam celebrar, porque se não tinham santificado bastantes sacerdotes, e o povo se não tinha ajuntado em Jerusalém”.
Os israelitas não estavam reunidos no primeiro mês, aos catorze dias do mês, com o desejo de comer a Páscoa em Jerusalém, no lugar que o Senhor tinha escolhido, “para ali fazer habitar o Seu Nome” (Dt 16:2).
Além disso, os sacerdotes não se achavam em condições devidas, santas, para desempenhar a sua responsabilidade. Mas o Senhor havia previsto tal situação na lei de Moisés (Nm 9:9-11). Leia-se também o versículo 13, que mostra o desagrado do Senhor, quando o israelita não celebrava a Páscoa; “Tal homem levará o seu pecado”.
Ora, para o Cristão, que comemoração corresponde à Páscoa israelita? Sim, é a ceia do “Senhor”. Consideremos estes comentários: para a cristandade, “Egito” simboliza o “mundo”; “Faraó”, é uma figura do “diabo”, o “príncipe” deste mundo (Jo 13:13). A “páscoa” simboliza “Cristo morto por nossos pecados”: “Porque Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós” (1 Co 5:7). A “festa (solenidade) dos asmos” (Lv 23:6) apresenta a idéia da vida santa que o Cristão deve levar. “Pelo que façamos festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os asmos da sinceridade e da verdade” (1 Co 5:8).
Jesus, no momento de partir deste mundo, não nos deu um mandamento mosaico, mas sim expressou um ardente desejo quando instituiu a ceia:
“E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o Meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de Mim. Semelhantemente tomou o cálix (cálice), depois da ceia, dizendo: Este cálix (cálice) é o Novo Testamento no Meu sangue, que é derramado por vós” (Lc 22:19- 20). Dessa maneira comovente Jesus falou aos onze. E a nós, crentes n’Ele, não terá dito nada a esse respeito? Sim, por meio do apóstolo dos gentios, que é Paulo: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o Meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de Mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no Meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de Mim” (1 Co 11:23-25).
E, até quando, devem os remidos cumprir com o Seu pedido fervoroso? “Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (1 Co 11:26). “Até que venha”! E com que frequência? “Todas as vezes”, sem dizer a frequência. Mas pode inferir-se uma indicação, desta mesma escritura: “no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão” (At 20:7).
Em contraste com o israelita, que podia comer a Páscoa uma só vez no ano, não é comovedor o convite do Redentor do Cristão: “Fazei isto todas as vezes que beberdes em memória de Mim”.
(continua, querendo Deus)
As Escrituras dizem que:
“…uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos a fio de espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados {homens} (Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos e montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa; Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados” (Hb 11:35-40).
“E digo-vos, amigos meus: não temais os que matam o corpo, e depois não têm mais que fazer. Mas eu vos mostrarei a Quem deveis temer; temei Aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a Esse temei” (Lc 12:4-5).
Pensamento:
Um pequeno pecado num santo, é pior, do que um grande pecado num inconvertido.
