Origem: Revista Palavras de Edificação 10
Sobre o Livro dos Atos dos Apóstolos
(continuação do número anterior)
Capítulo 27:27-34
“E, quando chegou a décima quarta noite, sendo impelidos de uma e outra banda no mar Adriático, lá pela meia noite suspeitaram os marinheiros que estavam próximos de alguma terra. E, lançando o prumo, acharam vinte braças; e, passando um pouco mais adiante, tornando a lançar o prumo, acharam quinze braças” (vs.27-28). “Mas à meia noite ouviu-se um clamor: Aí vem o Esposo, saí-Lhe ao encontro” (Mt 25:6). Transcrevemos a seguir, o comentário de um escritor bíblico: “Os marinheiros eram da opinião que se aproximavam de alguma terra”. E nós também estamos aproximando-nos da nossa “terra”, a nossa pátria celeste! Lancemos a sonda e acharemos que este acontecimento bem feliz, depressa acontecerá: “vinte braças” e logo depois “quinze braças”. Sim, ouviremos com rapidez a Sua bendita voz, e veremos o Seu rosto glorioso; que sejamos portanto, como homens que esperam o seu Senhor.
Enquanto, os marinheiros, ansiavam que nascesse o dia, no entanto eles não se mantinham desocupados, pois, a passagem seguinte, indica que havia grande atividade a bordo. Também Paulo, cujo conselho, antes, havia sido desprezado, falou de novo: – O Senhor nos disse: “Negociai até que Eu venha” (Lc 19:13). – Não foram mais desanimados pelo vento e ondas porque confiaram em Deus.
As primeiras medidas tomadas, ao saberem que se aproximavam de uma terra, são muito instrutivas espiritualmente: “E, temendo ir dar em alguns rochedos, lançaram da popa quatro âncoras, desejando que viesse o dia” (v.29). Aqui vemos em figura, a justa atitude daqueles que procuraram, em dias de confusão e trevas, manter um testemunho de acordo com a mente de Deus. Existe o medo de ir ter em lugares perigosos. Também, existe humildade e a convicção de posição fraca, sem defesa. Esperam no Senhor, e depositam a sua confiança apenas n’Ele. O Espírito de Deus opera em poder levando as almas a Cristo, a Âncora.
Outra coisa, há que se notar, é a ânsia para que seja dia. Esta figura representa a esperança bem-aventurada da Sua vinda. Que lugar bendito: conscientes da fraqueza, mas apenas com Cristo, como a Âncora.
“Procurando, porém, os marinheiros fugir do navio, e tendo já deitado o batel ao mar, como que querendo lançar as âncoras pela proa, disse Paulo ao centurião e aos soldados: Se estes não ficarem no navio, não podereis salvar-vos. Então os soldados cortaram os cabos do batel, e deixaram-no cair” (vs.30-32). Essa tentativa, fala da atitude independente e voluntariosa, daqueles que deixam o testemunho coletivo estabelecido por Deus, para formar grupos sectários. O espírito de independência, não é de Deus: “Somos membros uns dos outros” (Rm 12:5).
Na ceia do Senhor, o fato de estar “um só pão” na mesa, fala-nos de “um só corpo”, de Cristo, composto de todos os verdadeiros filhos de Deus (1 Co 10:17).
O Senhor Jesus orou pela unidade no testemunho, segundo João 17:21: “Para que todos sejam um, como Tu, ó Pai, o és em Mim, e Eu em Ti; que também eles sejam um em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste”. Essa unidade realizou-se no dia de Pentecostes, quando “estavam todos reunidos no mesmo lugar” (At 2:1). Mas, depressa, tudo se foi abaixo nas mãos dos homens. Contudo, será que podem ser alterados, os pensamentos de Cristo sobre a Sua Igreja, que Ele amou e pela qual Se entregou a Si mesmo? Nunca! “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (Hb 13:8).
Oportunamente Paulo avisou: “Se estes não ficarem no navio não podereis salvar-vos”. Essa advertência impediu o propósito malévolo dos marinheiros. Podemos perguntar: “Estamos dispostos a abandonar os nossos propósitos?”; quando a palavra de Deus nos faz ver que estamos enganados. Que bom seria, se estivéssemos dispostos a obedecer às Escrituras em tudo, e em todo o tempo! Frequentemente, o orgulho influi em nós, e recusamo-nos a obedecer à Palavra de Deus, quando ela nos revela o nosso mau caminho. É verdade que “Deus resiste aos soberbos mas dá graça aos humildes” (1 Pe 5:5).
“E, entretanto que o dia vinha, Paulo exortava a todos a que comessem alguma coisa, dizendo: É já hoje o décimo quarto dia que esperais, e permaneceis sem comer, não havendo provado nada” (v.33).
“Paulo animou a todos para que comessem. Com a verdade celestial da Igreja, recuperada nestes últimos dias, grande abastecimento de comida espiritual foi fornecido aos crentes no Senhor Jesus; de modo que, aqueles a bordo da nave representam todos os verdadeiros membros do corpo de Cristo, todos os filhos de Deus pela fé n’Ele.
Essa comida não era nova, fresca; tinha estado a bordo durante toda a viagem, mas apesar dessa abundância, tinham permanecido em jejum. E, assim também, a verdade que Deus nos entregou não é nova, mas sim a que foi revelada nos dias dos apóstolos, e escrita na bendita Palavra de Deus, que não poderá apagar-se”.
Fim da transcrição de
G. H. Hayhoe (Adaptado)
“Portanto, exorto-vos a que comais alguma coisa, pois é para vossa saúde; porque nem um cabelo cairá da cabeça de qualquer de vós” (v.34). É para nossa saúde espiritual, que comemos deste rico manjar: a Palavra de Deus, que é comida indispensável que nutre a nossa alma. E, a promessa de que “nem um cabelo cairá da cabeça de qualquer de vós”, garante-nos a segurança eterna do crente no Senhor Jesus, o grande Pastor que disse: “E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da Minha mão” (Jo 10:28).
(continua, querendo Deus)
