Origem: Revista Palavras de Edificação 12
Sobre o Evangelho de Mateus
(continuação do número anterior)
Capítulo 8:1-17
“E descendo Ele do monte, seguiu-O uma grande multidão. E, eis que veio um leproso, e O adorou, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo. E Jesus, estendendo a mão, tocou-o dizendo: Quero; sê limpo. E logo ficou purificado da lepra. Disse-lhe então Jesus: Olha não o digas a alguém, mas vai, mostra-te ao Sacerdote, e apresenta a oferta que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho” (vs.1-4). “Seguiu-O uma grande multidão”, porém, não nos diz que criam n’Ele ou O adoravam. Só um pobre leproso, sentindo profundamente a sua necessidade, veio adorar a Jesus; e não somente isso, mas, expressou a sua confiança, no Seu poder de limpá-lo da sua enfermidade incurável: “Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo”. Porém, havia uma dúvida: “Será possível (podia perguntar-se) que Ele tenha misericórdia de um homem tão asqueroso como eu?” Logo, se dissipou a incógnita; Jesus disse-lhe em seguida: “Quero; sê limpo”.
Este homem, é representado pelo pecador preso na lepra do pecado, e sem esperança de cura, senão pela intervenção do Senhor Jesus, o bom Salvador, que morreu para expiar os seus pecados, e torná-lo limpo de uma única vez, diante do Deus três vezes santo.
O leproso, é também uma figura da nação de Israel, cuja única esperança é Cristo, o seu Messias, O qual desprezaram. Virá o dia em que, a nação se arrependerá do seu grave pecado, e receberá o Redentor: “Sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o espírito de graça e de súplicas; e olharão para Mim, a Quem traspassaram” (Zc 12:10).
“E, entrando Jesus em Capernaum (Cafarnaum – ARA), chegou junto d’Ele um centurião, rogando-Lhe, e dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa paralítico, e violentamente atormentado. E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saúde. E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado sarará; pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu criado: Faze isto, e ele o faz. E maravilhou-Se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que O seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé. Mas eu vos digo que muitos virão do Oriente e do Ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus; e os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores: ali haverá pranto e ranger de dentes. Então disse Jesus ao centurião: Vai, e como crestes te seja feito. E naquela mesma hora o seu criado sarou” (vs.5-13).
O coração de Jesus, foi consolado, pela fé deste centurião romano, um dos gentios que não tinha direito às bênçãos propostas aos judeus, mas menosprezado por estes. O Senhor, conforme a Sua bondade que se estendeu mais além dos confins de Israel (“José …seus ramos correm sobre o muro” – Gn 49:22), maravilhou-Se da fé do centurião, e curou o seu criado a vários quilômetros de distância dali.
Tipicamente, o centurião prefigura os gentios enxertados no lugar de Israel, na “oliveira” da promessa (Rm 11:17).
“E Jesus, entrando em casa de Pedro, viu a sogra deste jazendo com febre. E tocou-lhe na mão, e a febre a deixou: e levantou-se, e serviu-os” (vs.14-15).
É interessante notar, a propósito, que Pedro tinha uma esposa. O suposto primeiro papa (ainda que nunca o tivesse sido), era um homem casado, e não teve por missão servir ao Senhor entre os gentios, mas entre os judeus (Gl 2:7-9 e 1 Pd 1:1).
A sogra de Pedro estava “com febre”. Muitas vezes, os filhos de Deus, também estão “com febre”. Os seus espíritos estão excitados por muitas coisas, e não estão nas condições tranquilas que exige a comunhão doce e sossegada com o seu Senhor; por isso precisam do seu toque calmante e sanador. “Marta” estava com essa febre, quando “andava distraída em muitos serviços”, e perdeu a benção da qual Maria desfrutava. (Lc 10:39-42).
“E, chegada a tarde, trouxeram-Lhe muitos endemoninhados e Ele com a Sua palavra expulsou deles os espíritos, e curou todos os que estavam enfermos; Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, que diz: Ele tomou sobre Si as nossas enfermidades, e levou as nossas doenças” (vs.16-17).
Quando o Sol se pôs, e os homens já haviam deixado de trabalhar, Jesus continuava bendizendo a pobre humanidade. Com a Sua palavra poderosa, expulsou muitos demônios, curou a todos os enfermos: cumpriu-se assim a profecia de Isaías, que diz: “Ele tomou sobre Si as nossas enfermidades” (Is 53:4). Assim, Ele Se reafirmou como: o Sanador de Israel. No entanto, hoje em dia, nesta dispensação da graça de Deus, a saúde da alma é uma coisa imprescindível: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” (Mt 16:26)
Porém no mundo atual, faz-se muito movimento propagandístico, anunciando enganadores que pretendem usar dons de cura, mas vemos que mesmo Paulo, o apóstolo dos gentios e ministro da Igreja, não curou Timóteo, seu filho espiritual e companheiro de milícia, mas receitou-lhe um remédio (1 Tm 5:23); deixou “Trófimo doente em Mileto” (2 Tm 4:20). Teve “Lucas, o médico amado”, por companheiro (Cl 4:14).
(continua, querendo Deus)
Pensamento:
Não há qualquer poder espiritual sem que haja afeto pelo Senhor Jesus.
