Origem: Revista Palavras de Edificação 12

A Vinda do Senhor

(continuação do número anterior)

Terá Lugar Antes da Grande Tribulação 

Hoje em dia, há mestres cujos ensinos são errôneos. Um que se considera “doutor”, afirmava crer que a Igreja seria arrebatada ao encontro do Senhor, nas nuvens, antes que o anticristo se manifestasse, e os juízos do Apocalipse fossem derramados sobre a Terra; porém, agora mudou de pensamento, e crê, e prega que a Igreja será deixada na Terra até “o último momento da tribulação”.

Para dar apoio à sua idéia, cita a seguinte passagem de forma incompleta (com palavras suas intercaladas entre parêntesis): “Irmãos, rogamo-vos, pela VINDA de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa REUNIÃO com Ele, (o arrebatamento)… Ninguém de maneira alguma vos engane; porque (aquele dia) NÃO SERÁ ASSIM sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição” (2 Ts 2:1-3).

O primeiro parêntesis (o arrebatamento), é interpretação correta, pois a vinda do Senhor Jesus, segundo João 14:1-3 e 1 Tessalonicenses 4:13-18, é para recolher e arrebatar da Terra todos “os que são de Cristo, na Sua vinda” (1 Co 15:23).

O segundo parêntesis (aquele dia), é interpretação incorreta, pois, segundo este homem, refere-se ao arrebatamento do verso 1, o primeiro parêntesis introduzido dentro da citação. Porém “aquele dia”, na Bíblia, não se refere ao arrebatamento do verso 1, mas ao “dia do Senhor” (ARA) do verso 2, que o “doutor” eliminou da sua citação da Palavra de Deus!

Leiamos agora a passagem completa, para que não sejamos enganados: “Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com Ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o DIA DE CRISTO (DIA DO SENHOR – ARA) estivesse já perto. Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição; o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus” (2 Ts 2:1-4).

Talvez tenha confundido “a vinda do Senhor” (um evento que será consumado “num abrir e fechar de olhos” – 1 Co 15:52), com “o dia do Senhor” (2 Ts 2:2 – ARA), que começará com os juízos profeticamente anunciados no Velho Testamento, e também anunciados no Apocalipse, eventos que terão lugar progressivamente, durante alguns anos, antes do estabelecimento do reino milenar de Cristo, “o Filho do Homem” (Jo 12:34). “O dia do Senhor” (2 Ts 2:2 – ARA), é mencionado pelo menos 25 vezes no Velho Testamento, e muitas outras passagens aludem a ele. Para discernir qual será o seu caráter, é suficiente citar duas passagens: “Uivai, porque o dia do Senhor está perto; vem do Todo-Poderoso como assolação. Pelo que todas as mãos se debilitarão, e o coração de todos os homens se desanimará. E assombrar-se-ãoEis que o dia do Senhor vem, horrendo, com furor e ira ardente, para pôr a Terra em assolação, e destruir os pecadores dela” (Is 13:6-9).

“Ah! Aquele dia! Porque o dia do Senhor está perto, e virá como uma assolação do Todo-PoderosoDiante d’Ele tremerá a Terra, abalar-se-ão os céus; o Sol e a Lua se enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor. E o Senhor levanta a Sua voz diante do Seu exército, porque muitíssimos são os Seus arraiais; porque poderoso é, executando a Sua palavra; porque o dia do Senhor é grande e mui terrível, e quem o poderá sofrer?” (Jl 1:15; 2:10-11).

Porém, a bem-aventurança, da vinda do Senhor para os Seus, está expressa nesta passagem do Novo Testamento: “aguardando (não o dia do Senhor, mas) a bem-aventurada esperança” (Tt 2:13), que se harmoniza com 1 Tessalonicenses 1:9-10: “e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro. E esperar dos céus a Seu Filho, a Quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura”.

Assim, a vinda do Senhor Jesus para recolher os Seus, é a bendita esperança do crente, e molda o seu comportamento neste mundo de maldade, enquanto O espera, para ser como uma noiva à espera de seu esposo celestial.

Porém, os que, pelos seus ensinos errôneos, adiam a “vinda do Senhor” (1 Ts 4:15), até depois da manifestação do “filho da perdição” (2 Ts 2:3), o “anticristo” (1 Jo 4:3), e até depois da “grande tribulação” (Ap 7:14), tiram do crente a sua “bem-aventurada esperança” (Tt 2:13) e em troca apresentam-lhe uma perspectiva sem esperança e cheia de infortúnio.

Em 1 Tessalonicenses, o apóstolo Paulo falou-lhes da sua , …caridade, …e esperança” (1 Ts 1:3). Porém, em 2 Tessalonicenses, falou somente da sua , e caridade” (2 Ts 1:3), não da sua esperança. Os novos crentes, nessa assembléia, passavam por dura “perseguição” (2 Ts 1:4).

O inimigo das suas almas, o diabo, pôs na mente de alguém procurar enganá-los, dizendo que o “o dia do Senhor” (2 Ts 2:2 – ARA), já tinha chegado. Então, em vez de, estarem alegres com a perspectiva viva da “vinda do Senhor Jesus” (1 Ts 4:15), encheram-se de dúvidas e de medo. Talvez, fosse a maquinação de um espírito maligno, por uma comunicação verbal, ou ainda, por uma carta com a assinatura falsificada do próprio Paulo.

Porém, longe de terem que passar pela grande tribulação, eles estariam com o Senhor no céu “quando Se manifestar o Senhor Jesus desde o céu, quando vier para ser glorificado nos Seus santos” (2 Ts 1:6-10).

Confirmando a doutrina do Novo Testamento, temos tipos muito marcados no Velho Testamento. Por exemplo, “Enoque” (Gn 5:21-24) é uma figura da Igreja arrebatada ao céu. Enoque não morreu. Foi levado ao céu sem morrer. A Igreja (corpo celestial) será arrebatada ao céu, pois os mortos em Cristo ressuscitarão, e nós os que ficarmos, os que ficarmos vivos, seremos transformados e juntamente seremos arrebatados ao céu sem morrer. “Pela fé foi trasladado para não ver a morte” (Hb 11:5). Assim, Enoque, tinha uma esperança celestial. É a figura ou figura, da Igreja.

Por outro lado, “Noé” (Gn 6:8) teve que passar pelo dilúvio com a sua família. Eles foram preservados do juízo esmagador das águas que submergiram o mundo, e entraram num mundo purificado pelo juízo divino. Eles constituem uma figura do remanescente judeu (povo terreno), que se converterá depois do arrebatamento da Igreja, não havendo ouvido, e, consequentemente, não terão rejeitado o evangelho da graça de Deus. Porém, ouvirão, e crerão no evangelho do reino, as novas de que Cristo, o seu grande Messias, havia de voltar.

Assim como, Enoque é a figura da Igreja arrebatada, antes que se iniciem os eventos proféticos na Terra, Noé é a figura dos judeus crentes, que passarão pela grande tribulação: “Haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tão pouco há de haver” (Mt 24:21).

Outra confirmação da doutrina apostólica, apresenta-se na história de “José” (Gn 37:2) no Egito: Ele é a figura mais destacado do Senhor Jesus Cristo. Foi o filho muito amado do seu pai. Foi rejeitado, e vendido pelos seus irmãos. Foi entregue aos gentios, falsamente acusado e encarcerado. Pela providência divina, 13 anos depois, ele foi tirado do calabouço, e exaltado à destra de Faraó do Egito (Gn 41:46). José é a figura de Cristo morto, ressuscitado e glorificado à destra de Deus. Logo, Faraó lhe deu uma princesa por esposa, e companheira: “Asenate” (Gn 41:45), uma mulher escolhida entre os gentios. Ela é a figura da Igreja escolhida pelo Pai, e dada a Cristo durante a época em que os seus irmãos, os judeus que o crucificaram, ainda não O reconheceram. Chegarão os sete anos de fome (Gn 41:17-32), que correspondem figurativamente ao tempo da grande tribulação que há de vir. José tratou, muito sábia e fielmente, com os seus irmãos (Gn 45:1-5). Arrependeram-se, e, logo José se revelou a eles, e os perdoou. Assim vem o dia, depois do arrebatamento da Igreja, quando Ele vai humilhar os judeus, e logo em seguida perdoá-los.

Em resumo, os redimidos do Senhor desta dispensação da graça de Deus, a Igreja, subirão ao encontro do Senhor para estar com Ele; doutra forma, como poderiam acompanhá-Lo quando Ele sair do céu, acompanhado pelos seus redimidos para julgar o mundo e estabelecer o Seu reino? “Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo?Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos?” (1 Co 6:2-3)

Pensamento: 

O que alimenta o “EU” – honras, talentos, erudição, riquezas, importância, e qualquer outra coisa que deleite o homem animal – faz com que Cristo, seja menos precioso, e menos nós iremos desfrutar do Seu amor. Bendigamos a Deus por tudo o que suprime o EU.

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