Origem: Revista Palavras de Edificação 14
Contraste Entre Israel e a Igreja
(continuação do número anterior)
Os Livros divinamente inspirados
No princípio da história humana, não era necessário transmitir informação por escrito, já que a duração da vida dos patriarcas era medida em séculos e não em anos. Por exemplo, Sem, filho de Noé, e Isaque, filho de Abraão, foram contemporâneos durante cinquenta anos, de modo que Isaque poderia saber dos lábios de Sem, uma testemunha ocular, o que sucedeu quando Deus mandou o dilúvio universal, que afogou o mundo perverso de então. E Sem, foi contemporâneo de Matusalém e Lameque durante um século; e, estes com Adão, durante 240 anos e 50 anos, respectivamente. Adão viveu 930 anos e Sem 600. Assim, é fácil entender como o conhecimento de Deus foi transmitido oralmente, porém, com fidelidade.
Com o desenvolvimento da civilização no Oriente depois do dilúvio, a arte de escrever evoluiu também de vários modos. Chegou o tempo em que o Senhor quis comunicar os Seus propósitos por escrito, e mandou Moisés escrever (Êx 34:27-28) os cinco livros chamados “A lei de Moisés” (Lc 24:44): Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
O livro de Jó, uma história escrita provavelmente por “Eliú, filho de Baraquel o buzita, da família de Rão” (Jó 32:2), é também bastante antigo, talvez mesmo anterior aos livros de Moisés. “Buz” (pai dos buzitas) foi sobrinho de Abraão (Gn 22:21).
A seguir, o restante dos livros históricos do Antigo Testamento, e os escritos dos profetas, foram todos escritos por “homens santos de Deus… inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1:21), à medida que o Senhor quis comunicar os Seus propósitos. Esses livros enquadram-se em dois grupos, denominados pelo Senhor Jesus de “…nos profetas, e nos salmos” (Lc 24:44). Os “profetas” são os livros compreendidos de Isaías a Malaquias, 16 (dezesseis) volumes. Os “Salmos” incluem todos os volumes poéticos e históricos, incluindo o de Jó, num total de 18 (dezoito) volumes. Malaquias, que encerra o Antigo Testamento foi escrito uns 4 séculos a.C.
Os livros inspirados do Antigo Testamento são 39 (trinta e nove) volumes. Os apócrifos (a palavra significa: “de autoridade duvidosa”), que aparecem em algumas edições da Bíblia, não são inspirados por Deus. Há quatro razões, para que não sejam considerados, como fazendo parte do “cânon”, das Sagradas Escrituras:
- Os livros não têm este selo de autenticidade: “Assim diz o Senhor”, afirmação que está escrita centenas de vezes nos livros canônicos;
- Os sacerdotes israelitas, que guardavam as Sagradas Escrituras com um zelo e cuidado ardentes, não os reconheceram como canônicos;
- O Senhor Jesus Cristo e Seus apóstolos, que citaram muito do Antigo Testamento, não indicaram um só texto dos apócrifos;
- Jerônimo, o tradutor da Vulgata (4° século d.C.), a Bíblia católica, excluiu o apócrifo do cânon. No seu prefácio ao livro de Tobias, afirmou que não se encontrava nas escrituras hebraicas. Atanásio, Orígenes, Eusébio, pais Cristãos dos primeiros séculos, não reconheceram os livros apócrifos como canônicos. Toda a autoridade, judaica e Cristã, os refutou até o Concílio de Trento (1.545 d.C.).
O Antigo Testamento começou com a criação, a obra superior de Deus, mas terminou com uma maldição “para que eu não venha, e fira a Terra com maldição” (Ml 4:6), o resultado do fracasso do homem.
O Novo Testamento começa com o advento ao mundo do seu Criador, feito carne na Pessoa do Senhor Jesus Cristo, e termina com uma bênção: “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém” (Ap 22:21). O contraste entre o conteúdo dos livros do Antigo Testamento, dados especialmente aos israelitas, e o conteúdo dos livros do Novo Testamento dados especialmente aos Cristãos, expressa-se num único versículo: “Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1:17).
Os livros do Novo Testamento dividem-se em quatro: os 4 Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as 21 Epístolas e o Apocalipse, num total de 27 livros. Foram escritos exatamente como os livros do Antigo Testamento: “homens santos de Deus” (apóstolos e outros) escreveram, “inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1:21). “As coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor” (1 Co 14:37).
Foram todos escritos no curto intervalo entre o Dia de Pentecostes, o da formação da Igreja, e o fim do primeiro século d.C., à medida que o Senhor Jesus, a Cabeça da Igreja, viu a necessidade espiritual do Seu povo redimido; e, quis cumprir a Palavra de Deus, de forma escrita, não faltando nenhum ensinamento ou instrução: “… as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. Toda a escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (2 Tm 3:15-17).
