Origem: Revista Palavras de Edificação 14
A Instituição do Matrimônio
(continuação do número anterior)
O Ambiente do Lar
Isto se refere à influência preponderante num lar do seu ambiente. Quando entramos em qualquer casa, no mesmo instante sentimos se há calor, cordialidade, e amizade; ou somente um formalismo frio. Da mesma maneira, o desfrutar do cristianismo prático, será sentido da parte de todos quantos entrarem nas nossas próprias casas.
Deus interveio na natureza do mundo, e os egípcios tinham densas trevas nos seus lares, enquanto, “os filhos de Israel tinham luz em suas habitações” (Êx 10:21-23). Hoje, num sentido moral e espiritual, ocorre o mesmo. Os Cristãos, andando com o Senhor, têm a luz de Deus; e onde Ele é bem-vindo, ali, os que entram verão luz.
Onde quer que os israelitas obedecessem à palavra de Deus, havia uma influência constante nos seus lares. Foi-lhes ensinado: “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por testeiras entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas” (Dt 6:6-9).
Se alguém entrasse numa casa onde tudo isto fosse posto em prática, teria que dizer: “Bem-aventurado o povo a quem assim sucede! Bem-aventurado é o povo cujo Deus é o Senhor” (Sl 144:15). Os moradores desse referido lar viviam, e respiravam a atmosfera de temor e honra a Deus; e os filhos criados em tal ambiente seriam, na verdade, benditos.
Com frequência os nossos lares revelam, uma tendência de misturar, as coisas de Deus, com as coisas do mundo. Falamos juntos das coisas do Senhor como aqueles que encontram “grandes despojos”? Os tais são como pessoas que de repente herdam grandes riquezas, e delas falam ao levantar-se, ao andar no caminho, ao sentar-se em casa, e ao deitar-se? O salmista disse: “Folgo com a Tua palavra, como aquele que acha um grande despojo” (Sl 119:162).
Quão prontamente uma baforada de diversões do mundo faz com que se esfume um ambiente de amor! Podemos conversar juntos, alegremente, das coisas do Senhor em lugar de ouvir, no rádio, as coisas mundanas? Se temos nos regozijado nas coisas de Deus, os primeiros sons do mundo de “Caim”, terão o mesmo efeito em nós, que teria uma rajada de vento gelado do norte sobre uma planta tropical.
A última obra de grande envergadura do diabo, com a qual ele procura destruir o último vestígio de um ambiente de amor no lar do crente, é o televisor. As paredes e as portas das nossas casas devem excluir o mundo exterior, para que possamos desfrutar tranquilamente o nosso tesouro espiritual; mas Satanás descobriu, um canal para poder penetrar as paredes mais sólidas, e as portas mais espessas, mesmo as que têm ferrolhos; e, introduz o mundo por meio do televisor. Caro leitor Cristão, rogamos-lhe: Não permita que este utensílio invada o seu lar. Paulo exortou a Timóteo: “conserva-te a ti mesmo puro” (1 Tm 5:22). Permita-nos parafrasear esta afirmação e dizer: “conserve puro o seu lar. O televisor contamina-lo-á, sem sombra de dúvidas!”
Outra coisa: mantenhamos o ambiente no nosso lar, de tal forma, que nossos filhos encontrem nele o lugar, onde são sempre bem-vindos e desejados. No exterior, o mundo – com toda a sua atração – continua requerendo o seu coração, suas mãos e seus pés, mas o amor de pais Cristãos, e o calor de um lar Cristão, compensarão grandemente as influências mundanas perniciosas. O lar deve ser tão atrativo, para os filhos, para que não desejem ir em busca doutros lugares. Deve ser o local onde possam apresentar todos os seus problemas, e todas as suas alegrias, encontrando sempre ouvidos atentos. Os pais que estão demasiado ocupados, para desfrutar da companhia dos seus filhos, privam-se a si mesmos de um grande privilégio; e podem, inconscientemente, levar seus filhos para fora do lar, à procura do que deveriam ter encontrado lá: amor e compreensão.
Nestes dias de atividade e de luta, os pais têm a propensão para colocar os filhos em lugar secundário. A luta para ganhar a vida, ou ter a casa em perfeitas condições, talvez supere o interesse e atenção para com eles… O lar deve ser o seu lar, ao qual pertencem e onde devem gostar de estar. Não há nada que compense a perda da confiança filial nos pais, o fato de eles não se sentirem “em casa”, no lar. A segurança, que vem do fato de se sentirem amados, e de saberem que se ocupam deles, redundará num afeto recíproco, cujo valor é incalculável. Em seu desenvolvimento as crianças precisam de atenção e ocupações que sejam sãs e instrutivas: as suas energias devem ser canalizadas para caminhos retos. Quando estes interesses forem centralizados no lar e compartilhados com toda a família, criarão um elo de ligação que anulará todo o poder de atração do mundo.
Tratar negativamente dos seus problemas juvenis, de nada serve. Não os ajuda, nem adianta dizer-lhes: “Não faças isto, não faças aquilo”, sem dar uma explicação que os instrua no que agrada ao Senhor, ou sem lhes mostrar algo em que se possam ocupar.
Quisemos dar ênfase à necessidade de, por um lado, criar um ambiente no lar, de calor, interesse e amor e por outro lado, do temor de Deus. Mas para levar a cabo tudo isso, os pais terão que depender muito do Senhor. “Antes dá maior graça” (Tg 4:6).
(continua, querendo Deus)
Pergunta:
Por que é que foi necessário que a lança fosse cravada no lado de Cristo, visto que Ele já estava morto? Não foi a Sua morte o pagamento a Deus pelo pecado? Por que é que se diz que o sangue (não a morte) que faz a expiação?
Resposta:
A lança cravada no lado (o coração) de Cristo, demonstrou a todos que a Sua morte foi real, e além disso, fez brotar o sangue da expiação, e a água da purificação, sobre os quais descansamos e pelos quais somos lavados. A morte de Cristo, produziu plena expiação pelo pecado, mas o sangue fora do corpo, aparte dele, é uma comprovação da morte; (no corpo, é a sua vida); portanto, o sangue, é a voz uniformemente usada nas Escrituras para expressar o valor expiatório da morte de Cristo; não que o sangue vertido seja algo distinto da morte, mas uma evidência dela. “Consumando a expiação” – como o sangue é uma expressão mais apropriada que por meio da morte, porque significa a vida santa e perfeita entregue à morte. O sangue, que era a vida, derramado já em morte, é um elemento bastante precioso para Deus.
Notar-se-á que quando a Escritura menciona a morte de Cristo, relaciona-se mais em conexão com ressurreição, significando a verdade do resgate do pecado (Rm 6), mais que a expiação do pecado (Rm 3).
(Selecionado de The Young Christian, 1932, volume 22, pág. 82.)
