Origem: Revista Palavras de Edificação 14
Sobre a Primeira Epístola aos Coríntios
(continuação do número 08)
Introdução
A Epístola aos Coríntios, apresenta assuntos muito distintos dos que temos considerado na Epistola aos Romanos. Achamos nas cartas a Corinto temas morais especiais, a ordem interna de uma assembleia Cristã, com respeito à qual o Espírito de Deus distribuía Sua sabedoria de um modo direto. Não há menção alguma de anciãos ou de outros cargos na assembleia. Pelo trabalho do apóstolo Paulo, uma numerosa igreja local (pois Deus tinha muito povo nessa cidade), tinha sido formada no meio de uma população corrompida, onde as riquezas e o luxo se uniam a uma desordem moral, convertendo a cidade num adágio. Como noutros lugares, havia falsos mestres, geralmente judeus, que procuravam perverter a influência do apóstolo. O espírito filosófico também exercia a sua atividade prejudicial, ainda que Corinto não fosse, como Atenas, a sua sede principal. O ascendente moral e a autoridade do apóstolo foram comprometidos juntamente, sendo bastante grave tal estado de coisas…
“Os temas considerados nesta Epístola dividem-se facilmente, pela ordem seguinte. Em primeiro lugar, antes de censurar os Cristãos em Corinto, o apóstolo faz menção de todas as graças que Deus já havia repartido e ainda repartiria entre eles (1 Co 1:1-9). Desde o 1 Co 1:10 até 1 Co 4:21, trata do assunto de divisões, escolas de doutrina e sabedoria humana, em contraste com a revelação e a sabedoria divinas. O capítulo 5 trata da corrupção da moral sexual e da disciplina, seja pela autoridade (do Senhor Jesus Cristo), ou pela responsabilidade da assembleia. O capítulo 6 trata de assuntos temporais, de litígios; e volta outra vez ao assunto da fornicação, que era de suma importância para os Cristãos dessa cidade. O capítulo 7, considera-se o casamento. Devem-se casar os Cristãos? Qual era a obrigação dos que já estavam casados? Como proceder no caso de um marido convertido ou de uma esposa convertida, cujo cônjuge não o era? No capítulo 8 seguem-se os problemas de comer ou abster-se das coisas oferecidas aos ídolos. O capítulo 9 refere-se ao apostolado de Paulo. O capítulo 10 trata dos problemas dos Coríntios em geral; o perigo de serem seduzidos, seja pela fornicação ou pela idolatria e festas pagãs; e dos princípios referentes à mesa do Senhor. O capítulo 11, de questões relacionadas com a conduta a se seguir em problemas religiosos isolados, ou (v.17) na assembleia e da Ceia do Senhor. Depois, o capítulo 12 fala acerca do exercício dos dons espirituais, o seu verdadeiro valor, o propósito do seu uso, aumentando o valor comparativo do amor (1 Co 13). O capítulo 14, regula o exercício dos dons na assembleia. O capítulo 15 fala da ressurreição, que foi negada por alguns, e especialmente a dos santos. Por fim, o capítulo 16 trata da coleta dos pobres na Judéia, com algumas saudações, e dos princípios de sujeição aos que Deus consagrou para o Seu serviço, ainda quando não havia anciãos. É de grande importância ter estas, considerações diretamente do Senhor, e independente de qualquer organização humana, a fim de que a consciência individual, e a do um só corpo de Cristo, sejam exercidas”.
J. N. Darby
Capítulo 1:1-3
“Paulo (chamado apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus), e o irmão Sóstenes, à Igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados Santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso: Graça e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (vs.1-3).
Paulo era um apóstolo por “chamamento” (JND) direto do Senhor. Associava-se a “Sóstenes” (um irmão responsável da assembleia de Corinto, convertido depois do sucedido, segundo Atos 18:12-17). Considerando a gravidade da carta dirigida aos Corintos, a sabedoria divina guiou Paulo ao escrevê-la, e identificar-se com um crente dessa assembleia.
Ele reconheceu a igreja em Corinto como a assembleia de Deus, apesar de todo o mal que de entre os seus membros tinha brotado. Reconheceu-os como santificados em Cristo Jesus, separados para Deus, apesar de então a sua conduta não ser santa; e como que era um apóstolo por chamada divina, reconheceu-os da mesma maneira como santos por chamada divina. Ele olhava o povo de Deus “do cume das penhas” (Nm 23:9).
Não dirigiu somente a sua epístola à assembleia de Corinto, mas também a “todos os que em todo o lugar invocam o nome do nosso Senhor Jesus Cristo” (v.2), dando-nos a entender que a instrução espiritual dada aos Cristãos em Corinto, é a mesma para todas as igrejas Cristãs, em todo o mundo, e em todo o tempo. É dirigida, leitor Cristão, à sua igreja local. Portanto, deve ser de suma importância, exigir uma atenção reverente, e que sejam postas em práticas as suas instruções.
Na saudação: “Graça e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (v.3), mostra-nos a atitude benigna e benfeitora de Deus nosso Pai e nosso Senhor Jesus Cristo para os Seus. Nós, os crentes, com tantas falhas e preocupações, necessitamos sempre da graça infinita e da paz inefável que provém do coração de Deus.
(continua, querendo Deus)
