Origem: Revista Palavras de Edificação 14
Sobre o Evangelho de Mateus
(continuação do número anterior)
Capítulo 9:1 a 17
“E, entrando no barco, passou para a outra banda, e chegou à sua cidade. E eis que Lhe trouxeram um paralítico deitado numa cama. E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, tem bom ânimo; perdoados te são os teus pecados. E eis que alguns dos escribas diziam entre si: Ele blasfema. Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse: Por que pensais mal em vosso coração? Pois qual é mais fácil? dizer: Perdoados te são os teus pecados, ou dizer: Levanta-te e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na Terra autoridade para perdoar pecados (disse então ao paralítico): Levanta-te; toma a tua cama, e vai para tua casa. E, levantando-se, foi para sua casa. E a multidão, vendo isto, maravilhou-se, e glorificou a Deus, que dera tal poder aos homens” (vs.1-8).
Os habitantes da “província dos gergesenos” (capítulo 8:28-34) rogaram a Jesus “que Se retirasse, dos seus termos”, porque Ele permitiu que os demônios entrassem na sua manada de dois mil porcos que “se precipitou no mar por um despenhadeiro, e morreram nas águas”. Comer carne de porco não era lícito para os israelitas!
Jesus, então, rejeitado por aquela gente, voltou de barco à cidade de “Capernaum” {“Cafarnaum” ARA} (porque havia sido rejeitado de Nazaré – Mt 4:13). Uns amigos de um paralítico, agindo com fé, trouxeram-no a Jesus, o Messias. Ele disse-lhe: “perdoados te são os teus pecados”, declarando a todos os presentes que Ele era Deus. pois só Deus pode perdoar pecados. Mas os escribas, entre si, diziam: “Ele blasfema”. Jesus conheceu (sendo Ele Deus, que tudo via, como numa tela) os seus pensamentos, e censurou-os dizendo: “Porque qual mais fácil? dizer; perdoados te são os teus pecados, ou dizer: Levanta-te e anda?” Logo, para fazer ver aos escribas incrédulos que Ele, o Filho de Deus, encarnado na Terra como o “Filho do Homem”, tinha autoridade de perdoar pecados, disse ao paralítico: “Levante-te; toma a tua cama, e vai para tua casa”. Em seguida, o homem, recebendo forças, levantou-se, levou a cama em que antes jazia, e foi para casa, para dar testemunho aos seus familiares e vizinhos.
Assim sucede com o homem pecador: O Evangelho, que “é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Rm 1:16), levanta-o do lamaçal do pecado; dá-lhe voz para testificar a outros do seu grande Salvador, o Senhor Jesus Cristo.
“E Jesus, passando adiante dali, viu assentado na alfândega um homem, chamado Mateus, e disse-lhe: Segue-Me. E, levantando-se, O seguiu” (v.9).
Que poder de atração havia na Pessoa de Cristo e na Sua Palavra! Mateus tinha ouvido falar d’Ele. Talvez O tivesse visto quando fez milagres. Possivelmente havia pensado: “Gostaria de O conhecer, mas sou publicano, chamado homem pecador, e Ele não haveria de querer me conhecer”. Quão surpreso ficou quando Jesus lhe ordenou sem palavras prévias – “Segue-Me!” Obedeceu-Lhe: “E, levantando-se, O seguiu”.
“E aconteceu que, estando Ele em casa sentado à mesa, chegaram muitos publicanos e pecadores, e sentaram-se juntamente com Jesus e Seus discípulos. E os fariseus, vendo isto, disseram aos Seus discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Por que Eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento” (vs.10-13).
Mateus, – já discípulo do Senhor Jesus – não publicando as suas próprias boas obras, escreveu que Jesus estava “em casa sentado à mesa”, mas, modestamente, não mencionou que era a sua própria casa (Lc 5:27-32). Havendo sido publicano, convidou todos os seus colegas de ofício para o “grande banquete” que ofereceu em honra de Jesus. Os fariseus, sempre adversos ao Senhor, queixaram-Se dele, porque comia com os publicanos. Ele replicou-lhes que o médico trata dos seus enfermos e que Ele não tinha vindo para chamar os justos (os fariseus pretendiam sê-lo) ao arrependimento, mas os pecadores.
“Então chegaram ao pé d’Ele os discípulos de João, dizendo: Por que jejuamos nós e os fariseus muitas vezes, e os Teus discípulos não jejuam? E disse-lhes Jesus: Podem porventura andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias, porém, virão em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão” (vs.14-15).
“A lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1:17). O que Jesus trazia era algo completamente novo: “a graça e a verdade”, conjuntamente numa só coisa. Portanto, Ele não Se adaptava aos hábitos ou práticas do povo religioso, mas pregava o reino de Deus. Contestando os discípulos de João Batista, Ele falou de Si mesmo como os Seus companheiros de bodas. Quando fosse crucificado e tirado dentre eles, então jejuariam.
“Ninguém deita remendo de pano novo em vestido velho, porque semelhante remendo rompe o vestido, e faz-se maior rotura. Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam” (vs.16-17).
Por meio destas simples ilustrações, o Senhor ensinava que as coisas novas que Ele trazia Consigo do céu não tinham enquadramento nos antigos padrões judaicos, nem se adaptavam a eles. Não se podia remendar o “vestido velho” do judaísmo com o cristianismo; o velhos couros do mesmo, não tinham força para conter o vinho de salvação e gozo com que Jesus brindava “os publicanos e pecadores”.
(continua, querendo Deus)
