Origem: Revista Palavras de Edificação 15

Sobre a Primeira Epístola aos Coríntios

(continuação do número anterior)

Capítulo 1:4-17 

“Sempre dou graças ao meu Deus por vós pela graça de Deus que vos foi dada em Jesus Cristo. Porque em tudo fostes enriquecidos n’Ele, em toda a palavra e em todo o conhecimento. (Como foi mesmo o testemunho de Cristo confirmado entre vós). De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo. O qual vos confirmará também até ao fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de Seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor” (vs.4-9).

Antes de começar a censurar os coríntios carnais pelas suas faltas e pecados, o apóstolo Paulo – seu pai espiritual, com um coração transbordante de afeto por eles – colocou-os perante o fato de que eram sumamente enriquecidos em Cristo, que o testemunho de Cristo havia sido confirmado neles, que não lhes faltava nenhum dom espiritual e que esperavam a manifestação (ou revelação) de seu Senhor Jesus Cristo; acrescentou também que o Senhor – na Sua grande fidelidade – os confirmaria até ao fim, para que fossem irrepreensíveis no dia bem-aventurado do Senhor Jesus Cristo, quando Ele tiver consigo todos os Seus, o fruto do trabalho da Sua alma na Cruz.

De maneira semelhante, o próprio Senhor, como Cabeça da Igreja, ao apresentar-Se nas sete cartas às sete igrejas da província da Ásia, referiu em cada uma tudo quanto havia de bom e recomendável, antes de lhes chamar a atenção sobre faltas e pecados nalgumas delas (Ap 2 e 3).

“Fiel é Deus”. Paulo, apesar do triste estado espiritual da igreja em Corinto, pode apoiar-se no grande fato de que “Deus é fiel” (2 Co 1:18), e que tinha chamado os coríntios convertidos ao círculo bendito da participação (ou comunhão) de Seu próprio Filho, o Senhor Jesus, segundo o beneplácito da Sua graça soberana que excede todo o entendimento.

“Rogo-vos, porém, irmãos, pelo Nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo sentido e em um mesmo parecer” (v.10).

Nós, os crentes, não honramos como é devido o Nome de nosso Senhor Jesus Cristo, o “Nome que é sobre todo o nome” (Fp 2:9), se não falamos a mesma verdade, se não estamos de acordo em tudo, se não estamos perfeitamente unidos numa mesma mente e num mesmo parecer.

Temos o mesmo Senhor; temos o Espírito Santo morando em cada um de nós; temos a mesma Bíblia, a Palavra de Deus, nas nossas mãos. Donde vem, então, o desacordo? Não procederá da atividade da carne?

“Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós. Quero dizer com Isto, que cada um de vós diz: eu sou de Paulo; e eu de Apolo; e eu de Cefas; e eu de Cristo. Está Cristo dividido?” (vs.11-13).

Paulo, depois de os qualificar “irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo”, começou a censurá-los pelas suas inúmeras faltas, para que se arrependessem. E, é de notar que, ele não começou a sua crítica com a imoralidade crassa sem julgamento entre eles, mas com o espírito de sectarismo: “Eu sou de Paulo; e eu de Apolo; e eu de Cefas; e eu de Cristo”, pretendendo fazer dos servos do Senhor, e mesmo do próprio Senhor Jesus, líderes de partidos. “Está Cristo dividido?” {“Está dividido o Cristo?” – JND}. Não! “O Cristo” significa Cristo pessoalmente, a Cabeça, com a qual estão unidos todos os crentes, membros do Seu corpo, e a Igreja, como temos em 1 Coríntios 12:12-13: todos os membros, sendo muitos, são um só corpo assim é Cristo {“o Cristo” – JND} também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito”.

E este “um corpo” identifica-se em Efésios 1:22-23, como a Igreja: e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da Igreja, que é o Seu corpo, a plenitude d’Aquele que cumpre tudo em todos”.

Cristo e o conjunto dos crentes n’Ele, onde quer que se encontrem sobre a face da Terra, formam um só corpo, a Igreja. Não será, então, pecado dividir Cristo em partidos sectários?

“Está (“o” – JND) Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? Ou foste vós batizados em nome de Paulo? Dou graças a Deus, porque a nenhum de vós batizei, senão a Crispo e a Gaio. Para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome. E batizei também a família de Estéfanas; além destes, não sei se batizei algum outro. Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã” (vs.13-17).

Paulo, não foi crucificado pelos pecadores em Corinto; nenhum líder de qualquer seita, foi crucificado pelos pecadores. Foi Cristo, somente, Quem morreu por nós; foi somente a Cristo, que Deus constituiu Cabeça da Igreja, que é o Seu corpo. Não é nosso dever, como crentes, reconhecê-Lo como Cabeça? E não a Fulano de Tal. que se faz a si mesmo como chefe ou cabeça de uma seita, uma divisão da igreja professante?

No que diz respeito ao batismo com água, Paulo não foi comissionado pelo Senhor como um “João Batista” (Mt 3:1). A sua comissão foi a de pregar o evangelho da graça de Deus, pelo qual os pecadores ouvem acerca de Cristo, e da grande salvação oferecida por Seu intermédio, e, crendo, são salvos. Paulo batizou a Crispo, Gaio e a família de Estéfanas, talvez os primeiros crentes entre os coríntios, deixando, após, a administração do batismo com água aos irmãos locais da igreja de Corinto.

O batismo com água não salva; é somente uma mudança de posição no mundo: o “judeu”, ou o “grego” que se batiza faz profissão de fé em Cristo, talvez genuína, talvez falsa; somente o Senhor conhece os que são Seus. Mas o pecador arrependido que creu de coração no Senhor Jesus Cristo como o sacrifício pelo seu pecado, é perdoado, é salvo, é feito morada do Espírito Santo e unido a Cristo, a Cabeça, pelo mesmo Espírito, já constituído um membro verdadeiro da Igreja.

(continua, querendo Deus)

Pensamento: 

Nós, os Cristãos, estamos no mundo para Deus.

“O morrer é ganho. …tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (Fp 1:21,23).

No momento de desenlace, o crente parte para “estar com Cristo” o que é “muito melhor”. Há três aspectos a realçar acerca do estado dos que morreram em Cristo:

  1. a existência consciente;
  2. a relação consciente, porque o crente está “com Cristo”;
  3. A bem-aventurança consciente, pois afirma-se que é “muito melhor”.

A Escritura não assinala nenhum intervalo entre a morte do corpo do crente, e a sua presença com o Senhor.

A. P. G.

Compartilhar
Rolar para cima