Origem: Revista Palavras de Edificação 16
O Tigre Domado
Rao era um jovem que pertencia a uma tribo maometana que vivia na Montanha Negra, no noroeste da Índia. Certo dia, descendo as planícies, achou um exemplar do Evangelho de Lucas. Parou, encantado com o seu conteúdo, e perguntou a um amigo se sabia onde é que ele poderia obter outros livros desses. Foi dirigido até uma missão Cristã, e obteve os outros três evangelhos.
Não chegou a ler os pequenos livros duas vezes sem antes chegar à convicção não só da beleza, mas também da verdade do que lia. A pureza, a verdade, o amor, a sabedoria e a bondade do Profeta de Nazaré convenceram-no de que Jesus era mais do que um profeta, o próprio Filho de Deus. Rao creu e aceitou-O com gozo no seu coração como seu Salvador e Senhor.
De regresso ao seu lar na Montanha Negra, deu testemunho da sua fé ao seu povo, e mostrou-lhes os seus livros. Porém o seu pai era um guerreiro forte que odiava muito o cristianismo. Ficou tão furioso contra o seu filho que o quis matar. Porém, a sua mãe suplicou-lhe que poupasse a vida do seu filho, e o seu pai disse: “Dar-lhe-ei três meses para abandonar essa insensatez maldita, se não, matá-lo-ei como um cão”.
Rao ficou imediatamente doente, e parecia que ia morrer. “Olha – exclamou o seu pai exultante – não terei que o matar”. No entanto, Rao melhorou, e o seu pai mais furioso que nunca, disse: “Terei que o matar”.
Porém, Rao tinha um primo irmão que veio ter com ele e lhe disse: “Não acredito no teu cristianismo, mas tampouco te quero ver morto. Ajudar-te-ei a escapar para as planícies assim que tenhas forças para ir”. Rao chegou até a estrada de ferro, e, por fim, chegou a uma missão Cristã. Ali se batizou, e arranjou um emprego no hospital da missão.
Um dia, encontrou seu pai no mercado! Fugiu aterrorizado para o abrigo, na missão. Os missionários foram ao encontro do seu pai, e convidaram-no a ir à sua casa. O tratamento bondoso e respeitoso que recebeu, domou o espírito do “tigre selvagem”. Falou durante longas horas com o médico, dia após dia, até que lhe disse que teria que voltar a casa.
- “Mas, e o seu filho?”
- “Não é meu filho,” replicou ele, “vim cá com o propósito de o matar. Porém, já não o posso fazer. Os Cristãos são pessoas melhores do que eu tinha pensado. Tome-o e eduque-o como melhor lhe pareça”. Pegou na mão de Rao, e colocou-a na do médico.
- “Prometer-me-á fazer uma única coisa?” perguntou-lhe o médico. “Queria que lesse este livro”. Era um Novo Testamento escrito no seu próprio idioma.
- “É tudo? Certamente, lê-lo-ei se você assim o deseja”. Voltou para o seu lar na montanha. Passaram-se meses. Então um dia, o “tigre” voltou à casa do médico, e disse: “Venho com pressa; não posso passar tempo aqui. Temos lido esse livro belo que me presenteou. Visto que se chama Novo Testamento, pensamos que talvez haja um Velho também. Se for assim, queríamos lê-lo também”.
Foi-lhe dado um exemplar do Velho Testamento, e ele voltou em seguida para casa. Outra vez, passados alguns meses, ele voltou, e contou o seguinte:
- “Descobrimos que o Velho Testamento fala dos nossos próprios profetas, de Abraão, Moisés, Davi, Daniel, e de outros. Eles falaram de outro que havia de vir no Novo Testamento. Jesus de Nazaré disse que eles falaram d’Ele. O Seu ensino é muito belo assim como verdadeiro. É tão puro e tão bom que conquistou o meu coração. Vim para ser batizado”.
E assim foi. O coração do velho “tigre” já estava completamente domado, e as suas mãos antes manchadas de sangue, estavam agora erguidas em louvor e adoração a Deus pela Sua maravilhosa misericórdia e graça salvadora.
“Une-te pois a Ele, e tem paz, e assim te sobrevirá o bem” (Jó 22:21).
“Olhai para Mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da Terra; porque Eu sou Deus, e não há outro” (Is 45:22).
