Origem: Revista Palavras de Edificação 17

Sobre A Primeira Epístola Aos Coríntios

(continuação do número anterior)

Capítulo 2 

“E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e Este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A minha palavra, e a minha pregação, não consistiu em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder; para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” (vs.1-5).

Os gregos de outrora – cujo idioma demonstra, que tinham uma mentalidade inteligente e avançada – gabavam-se da sua sabedoria, e deleitavam-se na eloquência dos seus oradores. Não houve povo mais destacado do que eles, em expressar oralmente os seus pensamentos e idéias. Desta maneira, formaram escolas de filosofia, como, por exemplo, a dos “epicureus e estóicos” (At 17:18). E orgulhavam-se da sua filosofia.

A filosofia é o inútil esforço humano intelectual, para procurar saber as coisas de Deus; e, relacioná-las entre Ele e o homem, um esforço completamente vão, porque, só Deus pode revelar a Si mesmo, e dar a conhecer os Seus pensamentos e propósitos. “Porventura alcançarás os caminhos de Deus ou chegarás à perfeição do Todo-poderoso?” (Jó 11:7) Jamais!

Assim, o apóstolo Paulo não se dirigiu a eles com altivez de palavra, ou sabedoria humana, Ele não quis e nem pôde anunciar o testamento de Cristo – Aquele Homem humilde que viveu na Terra – dessa maneira. Para vergonha dos gregos (e dos coríntios em particular), Paulo se propôs a não saber nada entre eles, senão Cristo, e do modo mais humilhante: crucificado. A sua aparência pessoal concordava com a sua mensagem: exteriormente esteve entre eles em fraqueza (“presença do corpofraca”) disseram os seus opositores (2 Co 10:10); interiormente sentia muito temor e tremor, não pelo seu bem-estar pessoal, mas por não querer falhar ao apresentar a verdade acerca de Cristo aos coríntios.

Que grande diferença existente entre as “palavras persuasivas de sabedoria humana” e uma mensagem “em demonstração do Espírito e de poder”! Procuremos andar no Espírito e pregar uma mensagem simples e direta, mais do que dez mil palavras persuasivas. Uma fé fundada na “sabedoria dos homens” é como uma casa edificada ‘sobre a areia’. Mas uma fé fundada…“no poder de Deus” ficará firme.

“Todavia falamos sabedoria entre os perfeitos; não porém a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo que se aniquilam; mas falamos a sabedoria de Deus oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória; a qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da glória” (vs.6-8).

Acerca desta passagem, citamos o seguinte comentário: “Sem dúvida, que quando a alma está ensinada e confirmada na doutrina da salvação em Cristo, existe a sabedoria que o apóstolo falou; não a sabedoria deste século, tampouco a dos príncipes deste século, que parecem com ela; mas a sabedoria de Deus em mistério, um conselho secreto de Deus (revelado agora pelo Espírito), predeterminado segundo o Seu firme propósito para nossa glória antes que o mundo existisse – um conselho que nenhum dos príncipes deste século ainda conhecem, apesar de toda a sua sabedoria humana. Se O tivessem conhecido, não teriam crucificado Aquele em cuja Pessoa tudo haveria de ser levado a cabo”.

J. N. Darby

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