Origem: Revista Palavras de Edificação 2
A Instituição do Matrimônio
(continuação do número anterior)
Sacrifícios Cristãos
Até a Epístola aos Hebreus ter sido escrita, muitos sacrifícios de animais foram oferecidos por mais de 4 mil anos, desde o sacrifício feito por Abel. Mas tudo aquilo estava sendo deixado para trás e o escritor divinamente inspirado (sem dúvida que Paulo) lhes ensinava que a época da figuras do sacrifício de Cristo tinha já passado e que os crentes hebreus, (ou seja judeus) tinham sido introduzidos no que é “melhor” (Hb 8:6). Eles agora iriam adorar a Deus “pelo Espírito” e na própria presença de Deus, “dentro do véu” — “entrar no Santuário {Santo dos Santos – ARA}, …pelo novo e vivo caminho, …pelo véu” (Hb 10:19-20). O sangue dos cabritos e a gordura dos carneiros, ou qualquer das ofertas que eram ordenadas sob a dispensação da lei de Moisés, já não agradavam a Deus.
Talvez os hebreus Cristãos tivessem pensado: “Então não temos que sacrificar mais nada? Não haverá alguma coisa que tenhamos a oferecer ao nosso Deus?” Sim? Agora era um privilégio deles oferecer:
“A Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o Seu Nome” (Hb 13:15).
E não precisavam templo algum para oferecer este sacrifício, nem estavam limitados a certos dias de festa, mas antes estavam inteiramente livres para adorar “a Deus continuamente” (At 26:7). Tornava-se evidente que só aqueles que são “filhos de Deus” pelo novo nascimento e nos quais mora o Espírito podem apresentar esses novos sacrifícios. Isto está de acordo com:
“Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais: cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” (Ef 5:19) — (Veja também Cl 3:16).
Tratando então do matrimônio é importante insistir em que no meio de tantas bênçãos que Deus dá a um homem e à sua esposa no seu lar, nesta Terra (e aqui nosso Senhor não teve nenhum lar), deve abundar a voz de louvor. A epístola de Tiago lembra-nos de que se estamos “aflitos”, devemos orar; mas se estamos alegres, “cante louvores” (Tg 5:13). Por outras palavras, devemos tudo receber de Deus e tudo levar a Deus.
Num lar Cristão, onde se goza da presença e das bênçãos do Senhor Jesus Cristo, se ouvirão cânticos de louvor. Estes “sacrifícios espirituais” são “agradáveis a Deus por Jesus Cristo” (1 Pe 2:5). Que privilégio o do Cristão! Bem superior ao dos israelitas de antigamente!
E o escritor continua:
“E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus Se agrada” (Hb 13:16).
São duas classes a mais de “sacrifícios” que um Cristão pode e deve oferecer a Deus:
- Ele faz “beneficência”. Aqui se apresenta um extenso campo de ação pois que o Cristão pode fazer de muitas maneiras; “façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé” (Gl 6:10). Pode socorrer um doente necessitado que seja crente ou talvez uma pessoa não convertida a quem se apresente a oportunidade de testemunhar de Cristo. Que tenhamos um ouvido atento para ouvir a voz do Senhor e obedecer-Lhe para fazermos o bem. Talvez até ninguém venha a saber desse ato senão o Senhor e a pessoa beneficiada; mas é melhor assim, pois o nosso coração traiçoeiro e vaidoso não terá a oportunidade de se vangloriar.
- Da “comunicação”, trata-se de usar dos nossos bens ou dinheiro para ajuda de outros, pois também este é um “sacrifício” agradável a Deus. Sabemos que se exigia a Israel dar o dízimo — a décima parte dos seus rendimentos — a Jeová. Por que não há mandamento semelhante para os Cristãos? Precisamente porque não estamos sob a lei. Estamos sob a graça. Já não é uma questão de dar, obrigatoriamente, dez por cento dos rendimentos, mas de refletirmos, como fiéis banqueiros, em como vamos tirar o maior lucro dos cem por cento que o Senhor coloca nas nossas mãos! Tudo o que dermos ao Senhor deve ser com um coração cheio de gratidão pelo Seu grande amor para conosco (2 Cr 8:9).
(continua, o Senhor permitindo)
