Origem: Revista Palavras de Edificação 2

Sobre o Livro dos Atos dos Apóstolos

Capítulo 22:30 a 23:21

(Continuação do número anterior)

“E no dia seguinte, querendo saber ao certo a causa por que era acusado pelos judeus, soltou-o das prisões, e mandou vir os principais dos sacerdotes, e todo o seu conselho; e, trazendo Paulo, o apresentou diante deles. E, pondo Paulo os olhos no conselho, disse: {Varões – ARC} Homens irmãos, até ao dia de hoje tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência. Mas o sumo sacerdote, Ananias, mandou aos que estavam diante dele que o ferissem na boca. Então Paulo lhe disse: Deus te ferirá, parede branqueada; tu estás aqui assentado para julgar-me conforme a lei, e contra a lei me mandas ferir? E os que ali estavam disseram: Injurias o sumo sacerdote de Deus? E Paulo disse: Não sabia, irmãos, que era o sumo sacerdote, porque está escrito: Não dirás mal do príncipe do teu povo” (At 22:30; At 23:1-5).

“E Paulo, sabendo que uma parte era de saduceus e outra de fariseus, clamou no conselho: {Varões – ARC} Homens irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseu, no tocante à esperança e ressurreição dos mortos sou julgado” (At 23:6).

“E havendo dito isto, houve dissensão entre os fariseus e saduceus; e a multidão se dividiu. Porque os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito; mas os fariseus reconhecem uma e outra coisa. E originou-se um grande clamor; e, levantando-se os escribas da parte dos fariseus, contendiam, dizendo: Nenhum mal achamos neste homem, e se algum espírito ou anjo lhe falou, não lutemos contra Deus. E, havendo grande dissensão, o tribuno, temendo que Paulo fosse despedaçado por eles, mandou descer a soldadesca, para que o tirassem do meio deles, e o levassem para a fortaleza” (At 23:7-10).

“E na noite seguinte, apresentando-Se-lhe o Senhor, disse: Paulo, tem ânimo; porque, como de Mim testificaste em Jerusalém, assim importa que testifiques também em Roma” (At 23:11).

“E, quando já era dia, alguns dos judeus fizeram uma conspiração, e juraram, dizendo que não comeriam nem beberiam enquanto não matassem a Paulo. E eram mais de quarenta os que fizeram esta conjuração. E estes foram ter com os principais dos sacerdotes e anciãos, e disseram: Conjuramo-nos, sob pena de maldição, a nada provarmos até que matemos a Paulo. Agora, pois, vós, com o conselho, rogai ao tribuno que vo-lo traga amanhã, como que querendo saber mais alguma coisa dos seus negócios, e, antes que chegue, estaremos prontos para o matar” (At 23:12-15).

“E o filho da irmã de Paulo, tendo ouvido acerca desta cilada, foi, e entrou na fortaleza, e o anunciou a Paulo” (At 23:16).

“E Paulo, chamando a si um dos centuriões, disse: Leva este {moço – TB} jovem ao tribuno, porque tem alguma coisa que lhe comunicar. Tomando-o ele, pois, o levou ao tribuno, e disse: O preso Paulo chamando-me a si, me rogou que te trouxesse este jovem, que tem alguma coisa para dizer-te. E o tribuno, tomando-o pela mão, e pondo-se à parte, perguntou-lhe em particular: Que tens que me contar? E disse ele: Os judeus se concertaram rogar-te que amanhã leves Paulo ao conselho, como que tendo de inquirir dele mais alguma coisa ao certo. Mas tu não os creias; porque mais de quarenta homens dentre eles lhe andam armando ciladas; os quais se obrigaram, sob pena de maldição, a não comer nem beber até que o tenham morto; e já estão apercebidos, esperando de ti promessa” (At 23:17-21).

No princípio do serviço de Paulo, como apóstolo, está escrito que ele se achava “cheio do Espírito Santo” (At 13:9); mas agora, pobre Paulo! Perante o concílio dos judeus começa a testemunhar, não de Cristo mas de si mesmo. E eis que sem querer amaldiçoou o Sumo Sacerdote dizendo-lhe: “Deus te ferirá, parede branqueada” (At 23:3). E depois, arrependido teve que confessar: “Não sabia, irmãos” (At 23:5). Tudo isto foi o resultado de não ter ouvido os avisos do Espírito Santo para que não fosse a Jerusalém (At 21:11-14). O Senhor Jesus nunca teve que confessar: “Não sabia”.

Um erro conduz a outro erro: Paulo, em vez de declarar a verdade conforme a doutrina celestial que lhe foi dada por revelação quando já não era judeu, mas sim Cristão, declarou-se: “fariseu, filho de fariseu”. Dá-nos a impressão que fez isso com o objetivo de se libertar, pois que mais tarde ele próprio escreveu:

“Não há grego nem judeu,mas Cristo é tudo em todos” (Cl 3:11).

No Cristianismo temos também na realidade “saduceus”, que são os modernistas que não acreditam que Cristo ressuscitou dos mortos; tal como também temos “fariseus”, os formalistas, religiosos, (tanto católicos como protestantes) que aceitam na verdade que “há ressurreição,anjo” (At 23:8) mas, confiados na sua própria justiça, não se arrependem dos seus pecados nem aceitam o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador.

A confissão de fé de um verdadeiro Cristão deve ser esta: Pertenço a Cristo. Ele morreu por mim, um pecador perdido, e ressuscitou para minha justificação. Ele é tudo para mim; Ele é o:

“Filho de Deus, o qual me amou, e Se entregou a Si mesmo por mim” (Gl 2:20).

Isso vale muito mais ainda do que apoiar-se num título ou numa congregação, dizendo: “sou católico”, ou “sou protestante”, ou “sou judeu”. E assim Paulo foi de novo conduzido para a fortaleza, preso sob o poder romano. Na segunda noite que passava em cadeias, o grande amor do seu carinhoso Salvador se manifestou, mesmo depois de ter fracassado no seu testemunho (At 23:11).

Que bondoso foi o Senhor em ter aparecido a Paulo nesse momento dando-lhe uma mensagem tão alentadora! Como isso deve ter comovido o seu coração tão desanimado! E assim é também hoje para nós ao reconhecer que o mesmo Senhor de Paulo, é, também, o nosso Senhor, que sabe fazer-nos sentir o calor do Seu grande amor ainda que tenhamos nós mesmos fracassado, e possivelmente até muito mais do que Paulo! (At 23:12-15).

Aqui podemos até aplicar aquele dito popular que diz: “O homem põe e Deus dispõe”.

“O coração do homem planeja o seu caminho {O homem põe}, mas o SENHOR lhe dirige os passos {Deus dispõe} (Pv 16:9).

“Não há sabedoria, nem inteligência, nem conselho contra o SENHOR” (Pv 21:30).

O Senhor constrangeu “Gamaliel” a que desse o seu conselho para salvar as vidas dos apóstolos (veja At 5:29-42). Noutra ocasião, para salvar Paulo e os seus companheiros, o mesmo aconteceu com o “escrivão” de Éfeso (veja At 19:28-40). E agora o Senhor utiliza o “sobrinho de Paulo” que tinha ouvido falar na conspiração para matar seu tio. Vejamos o que sucedeu: (At 23:17-21).

(continua, o Senhor permitindo)

Ponto de Reflexão: 

Aquele que anda de mãos dadas com os que odeiam o Senhor Jesus Cristo é um inimigo da Cruz de Cristo.

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