Origem: Revista Palavras de Edificação 20

O Leitor Pergunta

Recebemos uma carta de uma irmã em Cristo, que se mostrava bastante atribulada por acreditar que poderia perder sua salvação e, após termos indicado a ela o que a Palavra de Deus nos mostra a respeito do assunto, nos alegramos em receber uma carta onde ela, com o coração cheio de alegria, demonstrava haver compreendido que estava salva eternamente. Em sua próprias palavras, “…foi como se tivesse tirado um pesado fardo de meus ombros”.

Em pesquisa realizada por meio da série “Cartas aos Cristãos” constatamos que cerca de 75% das pessoas que nos escreveram, acreditavam que podiam perder a salvação. Tal engano, lança o crente sincero em um lamaçal de ansiedade, dúvidas e temores, quando não o leva até mesmo ao desespero.

Da mesma forma como respondemos àquela irmã, gostaríamos de apresentar o que a Palavra de Deus nos ensina a respeito, esperando que muitos possam ser tranquilizados e venham a desfrutar de uma comunhão mais sublime com nosso Senhor Jesus Cristo.

O fato de aceitarmos a Cristo e crermos n’Ele não é obra nossa, mas de Deus. Se chegamos ao ponto de reconhecer que somos pecadores necessitando de perdão, é porque o Espírito Santo já estava operando em nosso coração nos convencendo do pecado. “E, quando Ele (o Espírito Santo) vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. Do pecado, porque não crêem em Mim (Jo 16:8-9).

Quando o Espírito nos leva a esse ponto, nos indicando a Cristo como Salvador, nossa responsabilidade é de crermos n’Ele, e, em Seu sacrifício na cruz do calvário. Ali na cruz, o Senhor levou o nosso pecado, ou seja, nós deveríamos morrer e ser condenados, mas Ele nos substituiu, tomando o nosso lugar. Embora, não tendo nenhum pecado de Si próprio, Ele assumiu os nossos pecados e se fez pecado em nosso lugar, “Levando Ele mesmo em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro” (1 Pe 2:24).

Uma vez que Cristo recebeu os nossos pecados, Deus O condenou e O abandonou na cruz, lançando sobre Ele todo o juízo que deveria cair sobre nós. Então, Deus reconheceu que o sacrifício de Cristo havia sido eficaz e suficiente para salvar o pecador, pois O ressuscitou de entre os mortos, e O exaltou à Sua mão direita. Todo o Evangelho está resumido nisto: “Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Co 15:3-4).

Portanto, quando alguém crê em Cristo, está aceitando tudo o que Ele é e tudo o que Ele fez, o que passa então a ficar valendo para o que crê no Senhor Jesus. No momento em que crê, a pessoa é perdoada de todos os seus pecados, pois Jesus Cristo morreu por todos eles sem distinção (sejam presentes, passados ou futuros), e é selada com o Espírito Santo. “Em Quem (Cristo) também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo n’Ele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor (garantia) da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da Sua glória” (Ef 1:13-14).

Resumindo: Deus, por meio do Seu Espírito, toca em nosso coração, nos convencendo de que somos pecadores, e precisamos de um Salvador. Então, Ele nos leva a crer em Jesus Cristo; e, pela fé n’Ele e em Sua obra, recebemos a salvação; e, o perdão de todos os nossos pecados. Como a partir daquele momento passamos a ser propriedade exclusiva de Deus, Ele nos sela com o Espírito Santo que passa a habitar em nós, sendo a garantia de nossa redenção ou livramento. É isso que significa “penhor da nossa herança’‘; penhor é uma garantia de algo que não está em nossas mãos no momento, mas que nos pertence. Como a nossa dívida para com Deus já foi paga na cruz, só nos resta aguardarmos o momento em que Cristo virá nos buscar, para recebermos a nossa herança nos céus. E, a garantia de que seremos levados, é o Espírito Santo que habita em todos os que verdadeiramente crêem em Cristo.

Portanto, você deve compreender que em nossos dias, não existe um crente verdadeiramente salvo que não tenha o Espírito Santo, pois “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é d’Ele. E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. E, se o Espírito d’Aquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, Aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo Seu Espírito que em vós habita” (Rm 8:9-11).

Talvez neste ponto alguém poderia dizer que não basta crer, mas é preciso fazer algo mais. E este “algo mais” são tantas coisas quantas são as pessoas que pensam assim. Em João 3:16 lemos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. O que diz neste versículo? “…para que todo aquele que faz boas obras, é justo e honesto, frequenta igrejas, etc. não pereça, mas tenha a vida eterna”? É assim que está escrito na Bíblia? Certamente que não! Diz apenas: “para que todo o que n’Ele (Cristo) crê”!

O apóstolo Paulo escreveu uma carta aos crentes da Galácia, os quais afirmavam que para ser salvo era necessário não apenas crerem Cristo, mas também guardar a lei, ou seja, praticar determinadas obras. A eles Paulo responde: “Ó insensatos gálatas! …Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?” (Gl 3:1-3).

“Mas agora, conhecendo a Deus, ou antes, sendo conhecidos de Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos” (Gl 4:9-10). “Corríeis bem; quem vos impediu, para que não obedeçais à verdade? Esta persuasão não vem daquele que vos chamou. Um pouco de fermento (má doutrina conforme Mt 16:12) leveda toda a massa” (Gl 5:7-9). Veja que o apóstolo compara a doutrina da necessidade de obras para salvação com o fermento, a mesma comparação feita pelo Senhor a respeito da doutrina dos fariseus.

Só Cristo pode nos salvar, pois morreu na cruz sendo castigado por Deus no lugar do pecador. “Todo aquele que n’Ele crê… tenha a vida eterna” (Jo 3:15), está salvo eternamente. E, isso não depende do que fazemos, mas do que Cristo fez; “e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2:8). Portanto, a única obra que poderia nos salvar foi totalmente consumada pelo Senhor Jesus Cristo na cruz do Calvário. A salvação não depende de nós, pois se dependesse de nós, a glória seria nossa. Não depende de nós que somos pecadores, e sempre propensos a pecar, mas, mesmo que venhamos a pecar, não perderemos a nossa salvação. “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis: e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo. E Ele é a propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 2:1-2).

Quando digo que o crente não perde a salvação, obviamente, estou me referindo àqueles que realmente creram de coração no Senhor Jesus Cristo, e são nascidos de novo, “nova criatura (nova criação – JND) (2 Co 5:17), criada por Deus. Não estou me referindo à pessoas que se fazem membros de alguma religião, por pensarem que por isso serão salvas, das quais acabam se desviando, e caindo novamente no mundanismo. Pessoas assim não perderam a salvação; na verdade eles nunca tiveram a salvação, e haviam apenas aceitado algumas normas religiosas, nunca tendo nascido de novo. É verdade que, pode acontecer de um verdadeiro crente cair ou se desviar, pois como diz a Palavra, “sete vezes cairá o justo, e se levantará” (Pv 24:16). A diferença entre um verdadeiro crente, e um incrédulo não é que o primeiro não caia; ele também cai, mas, ao contrário do incrédulo ou falso crente, ele se levanta. Pense em uma ovelha, e em uma porca, andando juntas. A ovelha é o crente verdadeiro, a porca é o falso. De repente, as duas caem em uma poça de lama, e o que acontece? A ovelha procura sair o mais rápido possível, triste por ver sua lã toda suja. Você pode imaginar a cena? Ali está a ovelhinha, trêmula e triste por seu descuido e arrependida por ter-se afastado do seu pastor, caindo na poça de lama. Agora, dê uma olhada na porca… Lá está ela, contente, dentro da lama, rolando e se sujando mais e mais, pois, é ali que gosta de estar.

Portanto, quem é verdadeiramente salvo, terá um desejo ardente de conhecer a vontade do Senhor para andar de uma maneira agradável a Ele; não para ganhar a salvação ou para não perdê-la, mas porque a nova vida que tem dentro de si, almeja agradar ao seu Senhor, em profunda gratidão por Ele haver dado Sua vida para salvá-lo.

Pensar que alguém recebe a salvação por andar fazendo boas obras, é negar a eficácia da obra de Cristo. Da mesma forma, pensar que somos salvos pela obra de Cristo na cruz, mas que nos conservamos salvos se andarmos em boas obras, é o mesmo que dizer que; a obra de Cristo, não foi suficiente para nos manter salvos.

Como se vê, a salvação, assim como a sua conservação, é uma obra de Deus somente. Assim como, nós não pudemos fazer coisa alguma, para nascermos de nossos pais, nada pudemos fazer para nascer de Deus. Tudo é obra d’Ele, pois é o Espírito Quem nos convence do pecado; é Deus Quem nos dá a fé para crermos. Em Efésios 2:8 nos diz que a fé “é dom (dádiva) de Deus”, e, é Cristo Quem morreu em nosso lugar para nos salvar. Assim como, não pudemos ajudar a Deus para nos salvar, não podemos ajudá-Lo a nos manter salvos! (Ec 3:14). Mesmo porque, a nossa salvação não foi uma decisão nossa, mas, Deus “nos elegeu n’Ele (em Cristo) antes da fundação do mundo,e nos predestinou para filhos de adoção” (Ef 1:4-5; 1 Pe 1:2; Rm 8:27-30). Veja bem, “antes da fundação do mundo” Deus nos elegeu! Quando você creu, não foi por acaso, mas já estava tudo preparado para você. E, foi Deus Quem preparou tudo, pois se acharmos que Ele não tem domínio sobre isso, estaremos considerando que Deus é limitado.

A sua salvação teve um preço altíssimo: custou a vida do Filho de Deus. Se achamos que a vida de um filho é algo precioso, o que pensar então de Deus haver entregue o Seu próprio Filho. Quando lembramos que o Filho também é Deus, podemos pensar que, de certo modo, Deus entregou também a Si próprio, ou seja, tudo! Deus, entregou tudo, para nos salvar; e, não vai querer perder-nos por nada neste mundo. “E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da Minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de Meu Pai” (Jo 10:28-29).

Está bem claro que, uma ovelha (que já tem a Jesus como Pastor), não poderá ser tirada da mão do Pai. Mas, alguém poderia dizer que, embora ninguém possa tirá-la da mão do Pai, o próprio Senhor poderia se desfazer dela. “Tudo o que o Pai Me dá virá a Mim; e o que vem a Mim de maneira nenhuma o lançarei fora. Porque Eu desci do céu, não para fazer a Minha vontade, mas a vontade d’Aquele que Me enviou. E a vontade do Pai que Me enviou é esta: que nenhum de todos aqueles que Me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia” (Jo 6:37-39). Está perfeitamente claro que, a salvação é algo que um crente nunca poderá perder, pois é o próprio Deus que não quer nos perder. Se acharmos que o pecado pode nos fazer perder a salvação, estaremos considerando que o pecado é mais forte do que Deus; ou, do que o sangue de Cristo. Se acharmos que Satanás pode nos fazer perder a salvação, estaremos dizendo que o lobo é mais poderoso do que o Pastor. E, se dissermos que Deus mudou de ideia, e quer nos tirar a salvação, estaremos negando a Sua Palavra que diz: “Os dons (aquilo que Deus dá) e a vocação (escolha) de Deus são sem arrependimento” (Rm 11:29). “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa: porventura diria Ele, e não o faria? ou falaria, e não o confirmaria? Eis que recebi mandado de abençoar: pois Ele tem abençoado, e eu não o posso revogar” (Nm 23:19-20).

Quando uma pessoa crê em Cristo, torna-se membro do Seu corpo, do qual Ele próprio é a Cabeça. E é o próprio Senhor que a acrescenta ao Seu corpo, que é a Igreja (At 2:47). Portanto, nada temos a temer: Cristo não irá arrancar um membro do Seu próprio corpo, e ninguém conseguirá fazê-lo. Se, por exemplo, tentarem afogar o meu pé, este estará seguro enquanto a minha cabeça se mantiver acima da água. Da mesma forma, enquanto a Cabeça, que é Cristo, se mantiver acima das águas que assolam o corpo (e a Cabeça está bem acima de tudo, no céu), então não haverá perigo de perder qualquer membro do corpo, por mais insignificante que ele pareça ser.

Portanto, se você crê realmente que Cristo morreu por você, o seu lugar está assegurado no céu; e, não há nada que poderá fazer com que você venha a perdê-lo. “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna” (Jo 3:36). Aqui não diz que terá, mas que já “tem a vida eterna” (Jo 3:18; 5:24 e 1 Jo 5:10-13). É Deus Quem afirma isto, e Ele não pode mentir. Nossos sentimentos podem nos enganar, mas a Palavra de Deus jamais volta atrás e é nela que devemos descansar.

M. J. Persona

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