Origem: Revista Palavras de Edificação 21

Arrependimento e Conversão

Arrependimento envolve o julgamento moral de nosso ser sobre a ação da Palavra de Deus, pelo poder do Espírito Santo. É a descoberta de nossa total pecaminosidade, culpa e ruína; nossa pobreza desesperadora e o fato de estarmos perdidos. Arrependimento é expresso nas palavras de Isaías: “Ai de mim! Estou perdido!” (Is 6:5 – ARA), e nas comoventes palavras de Pedro “Senhor, ausenta-te de mim, que sou um homem pecador” (Lc 5:8).

O arrependimento é uma necessidade permanente para o pecador, e quanto mais profundo for, melhor. É o arado revolvendo a alma e trabalhando no solo duro. O arado não é a semente, mas quanto mais profundo for o sulco, mais fortes serão as suas raízes. Que deleite nos traz uma obra verdadeira e profunda de arrependimento numa alma.

Tememos, porém, que haja muito pouco disto no que é hoje (1989) chamado de “movimento de reavivamento”. Os homens têm tanta ansiedade de simplificar o evangelho e fazer a salvação parecer simples, que falham em mostrar à consciência do pecador, os direitos e demandas da justiça de Deus.

Sem dúvida alguma, a salvação é tão gratuita quanto a graça de Deus a pode fazer. Além disto, tudo vem de Deus, do começo ao fim. Deus é sua fonte, Cristo o seu canal e o Espírito Santo o poder para a sua realização e para desfrutá-la.

Tudo isto é, bendito seja Deus, verdadeiro. Mas, não devemos nos esquecer de que, o homem é um ser responsável – um pecador culpado – chamado imperativamente a arrepender-se e a voltar-se a Deus. Não é que o arrependimento tenha em si mesmo alguma virtude salvadora, senão, também, poderíamos dizer que o desespero de um homem que está morrendo afogado poderia salvá-lo, ou ainda que alguém pudesse fazer uma fortuna com títulos de falência escritos contra si. Salvação é totalmente pela graça; salvação é obra de Deus, em cada um de seus estágios e em cada aspecto. Nunca é demais enfatizar isto; mas, ao mesmo tempo, devemos nos lembrar; o bendito Senhor e Seus apóstolos constantemente exortavam os homens, judeus e gentios, à solene obrigação do arrependimento.

Sem dúvida alguma, há uma vasta quantidade de má doutrina sobre este assunto; muito legalismo e obscuridade, pelos quais o bendito evangelho da graça de Deus é obscurecido. A alma é introduzida a apoiar-se em suas próprias descobertas, em vez de basear-se na obra consumada de Cristo, e de estar ocupada com um certo processo de cujo resultado depende seu direito de vir ao Senhor Jesus. Resumindo: o arrependimento é visto como um tipo de boas obras, em vez de ser a dolorosa descoberta de que todas as nossas obras são más a nossa natureza incorrigível.

Mas devemos ser cuidadosos de como guardamos a Verdade de Deus, e se, por um lado, repudiamos totalmente o falso ensino da cristandade, sobre o tão importante assunto do arrependimento, não devemos cair no outro extremo, negar a premente necessidade que todos têm que se arrepender.

Tomemos, por exemplo, dois homens que estão em um barco salva-vidas, após um naufrágio em alto mar. Um, foi resgatado após duas horas, de terrível luta contra as ondas e a mais profunda agonia pelo medo da morte. O outro, foi recolhido das águas logo após o naufrágio, poucos minutos depois da colisão, e mal teve tempo de sentir-se em perigo. Os dois estão no barco salva-vidas. Ambos estão igualmente salvos. Eles estão sãos e salvos no barco salva-vidas e isto não depende da intensidade dos sofrimentos e agonias que sofreram, mas simplesmente do fato de estarem no barco salva-vidas.

Sem dúvida alguma, o primeiro terá uma compreensão maior do valor do salva-vidas, mas isto é um assunto de suas experiências e sentimentos, e não uma questão de salvação. Não existem dois casos iguais de conversão. Alguns passam por uma experiência profunda antes de se converterem, tornando-se mais estáveis e consistentes em sua vida Cristã. Mas somos salvos por Cristo e não pela nossa experiência.

Estamos seguros de que é necessário, para o dia em que vivemos, e para que o homem se torne totalmente livre de tudo o que este mundo iníquo tem para oferecer, é uma total e completa consagração a Cristo, de inteiro coração – um rompimento total com o mundo em cada um de seus aspectos – um descanso perfeito e satisfação de coração em Deus. Se não houver isto, será em vão buscar progresso verdadeiro na vida Cristã.

Compartilhar
Rolar para cima