Origem: Revista Palavras de Edificação 21
Uma Carta a Pais Cristãos
Há algum tempo eu estava na casa de um amigo, quando ele pediu a seu filhinho que fechasse a porta. A resposta foi:
- “Eu não quero!”
“Então o pobre papai terá que fechar ele mesmo a porta”.
“Não me importo; eu já disse que não quero fechá-la!”
E eu vi, o “pobre papai”, se levantar e fechar a porta. Sem controle aos seis anos; um delinquente aos dezesseis?
Devo confessar, que de imediato, pareceu-me que a criança deveria receber uns quinze minutos de disciplina, mas uma reflexão mais aprofundada fez-me ver que era, na realidade, o pai quem precisava de disciplina.
Um dos mais perigosos sinais dos tempos; é o deterioramento da vida familiar, causando um crescente desrespeito das crianças para com os pais e outras autoridades. Em 2 Timóteo 3, o apóstolo Paulo, descrevendo os últimos dias, nos apresenta com clareza a época atual.
Quanto mais eu vivo, mais posso testemunhar das alegrias e tristezas, sucessos e fracassos desta vida; e cada vez mais fico convencido que o problema do lar é o maior que existe hoje. O lar é o centro de tudo. Seja ele de pessoas humildes ou ricas, o lar é aquilo que, mais do que qualquer coisa neste mundo, proporciona as maiores possibilidades de alegria ou tristeza. A ruína de muitas vidas tem seu início na vida familiar, enquanto que a mais doce figura que podemos presenciar neste mundo é a de uma família, onde todos andam juntos em seu caminho para o céu. Da porta de nosso lar, nós saímos para entrar no mundo civil, social e moral. O que nós somos em casa será o que seremos na assembleia e em todos os aspectos da vida.
Quando o próprio Deus estava para fundar uma nação, Ele fez da vida no lar um fator decisivo. Ao escolher Abraão é dito a respeito dele: “Porque Eu o tenho conhecido, que ele há de ordenar a seus filhos e a sua casa depois dele” (Gn 18:19). Aqui encontramos duas idéias fundamentais para um lar bem sucedido – autoridade e exemplo – sem as quais não podemos ter um lar, assembleia ou nação feliz. A nação ideal de Deus começa no lar, com o pai, o cabeça do lar, ordenando a seus filhos e a sua casa após si, “para que guardem o caminho do Senhor, para obrarem com justiça e juízo” (Gn 18:19).
A anarquia não nasceu nas ruas das grandes cidades. A questão da obediência à lei é iniciada na infância. A criança que não obedece a seu pai e à sua mãe, provavelmente não irá obedecer às leis sociais, civis ou divinas. Quando Deus falou, “Filhos, sede obedientes a vossos pais” (Ef 6:1), revelou onde a obediência tem origem.
A um pai e uma mãe que criaram seis filhos Cristãos, sem ter uma ovelha negra entre eles, foi perguntado como haviam feito isso. Com um sorriso o pai respondeu: “Com oração e uma varinha”. Nunca houve dois instrumentos melhores do que estes. Isto não significa encorajar a punição brutal das crianças, mas quando muita oração e alguma autoridade são colocadas em prática, as crianças permanecem obedientes e piedosas. “Instrui ao menino no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Pv 22:6). No que diz respeito à autoridade, nós como pais, devemos exercitá-la em uma atitude Cristã de amor. Temos visto crianças fugirem de suas casas devido à aplicação severa e brutal da autoridade paterna. Nossos atos disciplinares, devem ser temperados com grandes doses de amor e compreensão, exatamente como nosso Deus Pai tem feito conosco, “porque o Senhor corrige o que ama, …Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o Pai não corrija?” (Hb 12:6-11).
Autoridade em si não é suficiente. Como foi dito acima, um exemplo piedoso também é necessário. Estamos nós, como pais, exibindo nossa obediência para com as autoridades às quais devemos nos sujeitar – não apenas à Palavra de Deus – mas às autoridades civis que Ele colocou acima de nós? Que tipo de exemplo estamos deixando para nossos filhos?
Nossa época requer, mais do que nunca, oração, a fim de buscarmos o entendimento e recebermos a ajuda necessária para podermos guiar nossos filhos como servos do amor de Deus. Um dia, em breve, devemos prestar contas a Deus, de nosso zelo para com as crianças que Ele deixou aos nossos cuidados.
A propósito, uma história verdadeira me vem à mente, a qual tocou meu coração. Era um lindo dia de calor, certo pai levou sua filhinha para um pequeno passeio pelas colinas. Assim que ele se deitou sob a sombra de uma árvore, sua filhinha saiu correndo em busca de flores, trazendo-as a ele e dizendo, com seu limitado vocabulário, “Bonitas, bonitas!” Logo o pai adormeceu e a criança se afastou.
Quando ele despertou, seu primeiro pensamento foi: “Onde está Nancy?” Ele a chamou, gritando com toda força, mas tudo o que ouvia era sua própria voz ecoando de volta. Então ele olhou por sobre um penhasco próximo e, sobre as pedras e arbustos abaixo, pôde ver o corpo de sua amada Nancy. Desde então ele se acusou de ser o assassino de sua filha, pois, enquanto dormia, ela caiu no precipício.
Quantos pais estão agora dormindo? enquanto seus filhos andam sobre perigosos penhascos, caindo em indiferença e pecado! Quantos pais, consciente ou inconscientemente, encorajam seus filhos a desrespeitarem as autoridades e a Palavra de Deus? Já é hora de guiarmos nossos filhos no caminho em que devem andar. Que dia trágico será se acordarmos de nossa indiferença espiritual, para constatar que, enquanto dormíamos, nossos filhos se afastaram!
(Christian Truth – Jan/80)
