Origem: Revista Palavras de Edificação 23
Política
Após muitos anos, este país volta a ter eleições para presidente, e as mudanças previstas são sempre acompanhadas com grande interesse. A luta pelo poder, domina completamente algumas pessoas, e a disputa que resulta disso tem o efeito de mexer, em graus variados, com as paixões humanas. Milhões são gastos nessa imensa maratona em busca da fama e do poder.
Em um ano de eleições nos Estados Unidos, um irmão escreveu algo que gostaríamos de transcrever aqui, pois cremos que nos será de grande utilidade:
“Quando a campanha política começa a se aquecer, e o mundo é envolvido com clamores contra ou a favor, deste ou daquele candidato, os Cristãos que são conscientes de sua chamada celestial podem continuar serenos; sabendo que os homens, estão tão somente executando o que Deus já predeterminou por Sua mão, e por Seus desígnios. Apesar de Satanás ser o príncipe deste mundo, e estar cegando as mentes daqueles que não crêem em Cristo, Deus continua acima de todas as coisas, e Se move por detrás dos cenários para executar Seus conselhos e propósitos. Talvez não seja o que os homens pensem ser o melhor, mas devemos nos lembrar que este mundo, na forma em que se encontra, não está caminhando para um futuro brilhante, e sim para uma tribulação tal como nunca se viu antes. Este mundo é culpado de haver expulsado o Filho de Deus, e ainda não se arrependeu do que fez; o justo juízo de Deus paira sobre este mundo, pronto para ser derramado assim que os verdadeiros Cristãos sejam tirados daqui.
É um erro, os verdadeiros Cristãos, pensarem que por meio da política, poderão aprimorar este mundo arruinado. Quando o próprio Senhor esteve aqui, Ele não tentou melhorar o sistema do mundo; Ele se recusou a julgar uma causa entre dois irmãos (Lc 12:14), a remover o iníquo Herodes ou a impedir o perverso Pilatos. Ele deixou este mundo assim como o encontrou, exceto pelo fato de que quando saiu daqui, o mundo havia se tornado culpado por rejeitá-Lo. Será que nos achamos capazes de fazer o que o Senhor não fez? Acaso Deus terá mudado Seus pensamentos com respeito a este mundo? Ele enviou o Seu Filho para testificar d’Ele; e foi para isto também, que o Filho nos enviou a este mundo.
Assim sendo, o Cristão que desejasse ajudar na escolha, ou a exercer domínio sobre o poder político estaria agindo de uma maneira completamente diferente da do Senhor. Cristo é o Herdeiro deste mundo e somos co-herdeiros com Ele; poderíamos nós, co-herdeiros, desejar um lugar ou posição aqui, antes mesmo do próprio Herdeiro? Não passamos de seguidores d’Aquele que foi rejeitado, esperando o momento quando Ele nos levará para o lar. Nossa posição é bem parecida à dos israelitas que, protegidos pelo sangue do cordeiro no Egito, enquanto este se encontrava sob a divina sentença, esperavam pela ordem de partir. Seria um absurdo os israelitas se envolverem com a política do Egito, ou buscarem melhorias para aquela terra condenada!
O Cristão é exortado, a respeitar a todos aqueles que se encontram revestidos de autoridade, e tratá-los como tendo sido estabelecidos pelo próprio Deus, mas ao mesmo tempo devem viver como estrangeiros e peregrinos. O lar do Cristão não é aqui; ele está apenas de passagem. Ele se encontra aqui para representar Aquele que está no céu – para manifestar Cristo e Suas obras, que foram sempre tão plenas de graça e verdade.
Um certo escritor traduziu Filipenses 3:20 da seguinte maneira: “Nossa política está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo”. Quão grande conforto isto nos traz! E que encorajamento! Este sentimento deveria nos libertar de toda a participação, e até mesmo de qualquer ansiedade em qualquer agitação política, seja ela onde e quando for. Logo, iremos ouvir aquele chamado para partirmos, e nos encontrarmos com nosso Senhor nos ares. Que possamos ser achados buscando em Cristo tudo aquilo que precisamos, o Cordeiro que foi morto e levou todo o juízo em nosso lugar, e por cujo sangue precioso estamos protegidos, enquanto nos encontramos prontos (“vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão”), para partir (Êx 12:8-12).
Se estamos, portanto, aguardando nosso Senhor e Salvador para qualquer momento, podemos agora mesmo deixar que este mundo se ocupe com suas próprias disputas em busca de posição e poder. Para o mundo tudo isso irá durar muito pouco. Por outro lado, quando Cristo vier mais tarde conosco para estabelecer o Seu reino em poder e grande glória, sabemos que irá durar por mil anos”.
Paul Wilson (1899-1966)
Cabe aqui uma palavra de esclarecimento. Em nosso país o voto é obrigatório a todos os eleitores, e o não comparecimento aos locais de votação é considerado como transgressão da lei. Como todo Cristão deve estar sujeito à lei e às autoridades (Rm 13:1-7), é conveniente que exerça a sua função de eleitor. Porém o Cristão, como qualquer outro, tem o direito de não escolher um candidato, se assim o desejar. Que cada um pondere estas coisas em seu coração e, diante de Deus, procure obedecer às leis e autoridades de nosso país, e ao mesmo tempo agir conforme a sua condição de estrangeiro e peregrino neste mundo.
Pensamento:
A fé, por si mesma, não diminui o perigo, pois sabe qual é a nossa natureza. Por outro lado, a fé não desfalece ao enfrentar o perigo, pois sabe qual é a natureza de Deus.
