Origem: Revista Palavras de Edificação 27

O Falso Messias

Uma determinada pessoa, um homem judeu e apóstata, é o anticristo que encontramos nas profecias das Escrituras. Há aqueles que costumam apresentar o anticristo como o líder civil do império romano, mas não é verdade. O anticristo é o falso messias, o ministro de Satanás para com os judeus em Jerusalém, operando sinais e fazendo maravilhas por meio de um poder vindo diretamente de Satanás. Ele se assenta no templo de Deus, que estará construído em Jerusalém, e exige ser adorado como Deus. A besta (Roma), o falso profeta ou anticristo, e também o dragão (Satanás) são deificados e adorados, numa imitação da adoração que é devida ao Pai, Filho e Espírito Santo. A nação apóstata de Israel aceita o anticristo como seu rei.

Ele definitivamente não se trata de um grande poder político. É verdade que exerce influência sobre a cristandade, mas no seu aspecto religioso, e não politicamente. O governo do mundo ocidental, civil e político, está nas mãos do grande chefe gentio. É ele, cujo trono se encontra em Roma, quem rege politicamente sob o comando de Satanás. O anticristo tem seu trono em Jerusalém, enquanto que o líder do domínio gentio, o tem em Roma. Os dois homens são ministros de Satanás, aliados em iniquidade. Um é judeu, o outro gentio. Ambos, estão presentes por ocasião da vinda do Senhor em juízo, e ambos, são lançados vivos no lago de fogo – uma sentença eterna.

O termo anticristo, é usado apenas pelo escritor do Apocalipse, o que faz por quatro vezes, em 1 João 2:18, 22; 4:3 e 2 João 1:7, uma delas no plural (1 Jo 2:18). Destas passagens tiramos muitas coisas importantes:

  1. O surgimento de anticristos é uma marca clara do “fim dos tempos” (Dn 11:13) e eles são apóstatas;
  2. O anticristo se coloca em direta oposição àquilo que é vital ao cristianismo, a saber, a revelação do Pai e do Filho, e também à verdade distinta do judaísmo – Jesus, o Cristo (1 Jo 2:22).
  3. A Santa Pessoa do Senhor é também objeto do ataque satânico. Tudo isso atinge o seu clímax no anticristo que vem; nele toda sorte de mal religioso chega ao seu mais alto grau.

Paulo, em uma de suas mais antigas e breves epístolas (2 Ts), apresenta o esboço de uma personalidade caracterizada pela impiedade, insubordinação e arrogância, a qual supera em muito tudo aquilo que o mundo já viu. Um caráter claramente idêntico ao do anticristo, citado por João. Em ambos os casos trata-se da mesma pessoa.

É evidente que Paulo instruiu pessoalmente, os Cristãos tessalonicenses, acerca do assunto solene que é a chegada da apostasia, ou o público abandono do cristianismo, e conseguinte a “apostasia”, a revelação do “homem do pecado” (2 Ts 2:3). Sua carta é um complemento à sua admoestação verbal.

São usados três adjetivos para o anticristo:

  1. o iníquo;
  2. o homem do pecado;
  3. O filho da perdição.

O primeiro sugere que ele se coloca em direta oposição a toda autoridade divina e humana.

O segundo estabelece que ele é a personificação de toda forma e classe de mal – o pecado personificado.

O terceiro demonstra ser ele o apogeu da manifestação do poder de Satanás, e, como tal, tem a perdição e o juízo como sua porção.

Esse medonho caráter usurpa o lugar de Deus sobre a Terra, assentando-se no templo então edificado em Jerusalém, exigindo a honra e adoração que é devida a Deus (2 Ts 2:4).

Sua influência religiosa – pois ele não é, de modo algum, um político – domina as massas de Cristãos professos e judeus. Eles caem na armadilha de Satanás. Eles, que já haviam abandonado a Deus e renunciado publicamente à fé Cristã e à verdade essencial do judaísmo, agora recebem do Senhor, em justa retribuição, a horrível “operação do erro” de receberem o homem do pecado, enquanto crêem ser ele o verdadeiro Messias (2 Ts 2:11). Que engano! O anticristo recebido e crido no lugar do Cristo de Deus!

Quando se compara 2 Tessalonicenses 2:9 com Atos 2:22, fica evidente um notável paralelo. Os mesmos termos – “poder (maravilhas), sinais e prodígios” – são encontrados em ambos os textos. Por estes sinais Deus iria credenciar a missão e o serviço de Jesus de Nazaré (At 2:22). Pelas mesmas credenciais Satanás apresenta o anticristo ao mundo apóstata (2 Ts 2:9-10).

O próprio Senhor faz referência ao anticristo e à sua aceitação por parte dos judeus como seu messias e profeta (Jo 5:43). No livro dos Salmos, ele é descrito profeticamente em seu caráter do “homem, que é da Terra” (Sl 10:18), e também como “o homem sanguinário e fraudulento” (Sl 5:6). Estes adjetivos descritivos são, em si mesmos, uma característica do ímpio em geral na grande crise que se aproxima, embora exista uma pessoa, e somente uma, à qual se aplicam no seu mais completo significado. É o caráter do anticristo que se encontra diante de nós nestes e em outros Salmos.

Daniel, no capítulo 11 de sua profecia, faz referência a três reis: o rei do Norte (Síria), o rei do Sul (Egito), e o rei na Palestina (o anticristo). As guerras, alianças familiares e intrigas, detalhadas tão minuciosamente nos primeiros trinta e cinco versículos deste interessante capítulo, tiveram um cumprimento histórico exato na história dos reinos da Síria e do Egito, formados após a ruína do poder do império Grego.

No versículo 36 um rei é repentinamente introduzido na história. Esse rei é o anticristo cujo reinado na Palestina precede o reino do verdadeiro Messias, do mesmo modo como o rei Saul precedeu o rei Davi; o primeiro prefigurando o rei antiCristão e o segundo prefigurando Cristo, o verdadeiro Rei de Israel. Esta parte do capítulo (Dn 11:36-45) fala de um tempo futuro, levando-nos até o “fim do tempo” (Dn 11:40). O rei se exalta, e se eleva acima de todo homem, e de todo deus. O orgulho do diabo está personificado nesse terrível personagem judeu. Somente o lugar que é devido a Deus pode satisfazer sua ambição. Que contraste com o verdadeiro Messias, “Jesus, que humilhou-Seaté à morte, e morte de cruz” (Fp 2:5-8).

Por meio de Daniel 11:37 fica evidente que o anticristo é descendente de judeus, o que também pode ser deduzido do fato, de que se assim não fosse, ele não poderia nem reivindicar, mesmo entre os judeus apóstatas, o direito ao trono de Israel. O rei, ou anticristo, é atacado do Norte e do Sul, ficando a sua terra, a Palestina, entre dois fogos. Ele é incapaz, mesmo com o auxílio de seu aliado, o poderoso líder ocidental, de se livrar dos repetidos ataques de seus inimigos do Norte e do Sul. O primeiro é o mais amargo e determinado deles. A Palestina é invadida pelos exércitos conquistadores vindos do Norte, mas seu rei, o anticristo, escapa da vingança do grande opressor do Norte, prefigurado pela infame memória de Antíoco Epifânio (rei da Síria a partir do ano 175 a.C.). O anticristo é alvo do juízo do Senhor na Sua vinda dos céus (Ap 19:20).

Em Apocalipse 13, duas bestas são contempladas em uma visão. A primeira, é o poder romano com sua cabeça blasfema sob o controle direto de Satanás (Ap 13:1-10). A segunda besta, é a pessoa do anticristo (Ap 13:11-17). A primeira, é caracterizada por força bruta e trata-se do poder político daqueles dias, e daquele a quem Satanás “deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio” (Ap 13:2). A segunda besta, está claramente subordinada ao poder da primeira (Ap 13:12) e seu caráter é religioso; não tem pretensões políticas. Sua pretensão religiosa é amparada pelo poder e força da Roma apóstata, e assim as duas bestas agem juntas sob seu grande líder, Satanás. Os três são igualmente adorados.

A segunda besta, ou anticristo, é idêntica ao falso profeta, citado nos capítulos Ap 16:13; Ap 19:20 e Ap 20:10. As respectivas cabeças da rebelião contra Cristo, em Seus direitos reais e proféticos, são dois homens diretamente controlados e revestidos de poder pelo próprio Satanás. Trata-se de uma espécie de trindade do mal. O dragão deu seu poder exterior à primeira besta (Ap 13:2). À segunda ele dá seu espírito, para que possa falar como um dragão (Ap 13:11). Finalmente, Zacarias se refere ao anticristo como “pastor inútil” que acaba por abandonar o rebanho (Israel) sobre o qual exerce poder de rei, sacerdote e profeta. Mas sua alardeada autoridade (“seu braço”) e sua altiva inteligência (“seu olho direito”), por meio das quais sustenta suas pretensões na Terra, são totalmente arruinadas. E ele próprio é lançado vivo na morada da miséria eterna, “o lago de fogo” (Zc 11:15-17; Ap 19:20).

Ao nosso ver, a estrela caída por ocasião do primeiro “ai” é, sem dúvida alguma, o anticristo (Ap 8:10-11; Ap 9:12). A que outro personagem do Apocalipse poderia se aplicar tal descrição? As reivindicações espirituais, e pretensões religiosas de Satanás, são sustentadas e cumpridas pelo anticristo, enquanto que sua soberania temporal sobre o mundo é estabelecida no reinado, e, na pessoa do príncipe romano. A agonia que se segue, é agonia da alma e da consciência, e não agonia física. O anticristo parece ser o instrumento escolhido pelo diabo, para aflição da alma e da consciência, enquanto que, para o sofrimento do corpo, a força bruta da besta recebe total liberdade de ação, satisfazendo-se com cenas de crueldade e derramamento de sangue, atormentando os corpos dos seres humanos.

Christian Treasury Jul/90

W. Scott

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