Origem: Revista Palavras de Edificação 29

O Espírito Santo – Sua Pessoa, Sua Vinda e Sua Obra

Prefácio 

Este breve esboço a respeito do Espírito Santo não busca apresentar qualquer novidade, mas o autor sentiu a necessidade de apresentar aos amados santos de Deus o ensino das Escrituras sobre este importante assunto. Que este esboço possa levar o leitor a uma cuidadosa meditação sobre as passagens bíblicas que são constantemente citadas neste estudo. Aqueles que desejam um ministério que dê uma explanação mais ampla do assunto devem buscá-lo nos escritos de J. N. Darby, W. Kelly e Dr. W. T. P. Wolston.

Que o Senhor abençoe abundantemente Sua própria Palavra a todos os que venham a ler este esboço.

H. E. Hayhoe

O Espírito Santo – Sua Pessoa, Sua Vinda e Sua Obra 

Uma busca cuidadosa nas Escrituras irá mostrar que toda obra de Deus tem sido, e sempre será, em Trindade. É sempre Deus o Pai, em Seu propósito; Cristo, o Filho, como Aquele que executa esses propósitos, e o Espírito, o poder, Cujos propósitos são executados.

O Espírito Santo é Eterno (Hb 9:14). Ele é uma Pessoa, não apenas uma influência, pois o Senhor Jesus diz em João 14:16, “E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará Outro Consolador, para que fique convosco para sempre”.

Ele convence “o mundo do pecado”, e avisa “do juízo” prestes a vir (Jo 16:8-11).

Ele guia “em toda a verdade”; Ele glorifica a Cristo, e cuida das coisas de Cristo, e as mostra para nós (Jo 16:13-14).

Ele, o Espírito Santo, fala em João 16:13, Atos 13:2, 1 Timóteo 4:1 e Apocalipse 14:13.

Ele reparte a cada um conforme Ele quer (1 Co 12:11). Ele “ajuda as nossas fraquezas”; e intercede pelos santos (Rm 8:26).

Ele possui os pensamentos de Deus, por isso temos a mente do Espírito, conforme a vontade de Deus (Rm 8:27).

Ele é o Espírito de verdade – sendo as próprias palavras das Escrituras a expressão do Espírito (Jo 16:13; 1 Co 2:13).

O que caracteriza esta presente dispensação (que começou no dia de Pentecostes e terminará com a vinda de Cristo como Noivo para a Sua noiva), é a presença do Espírito Santo de Deus sobre este mundo como uma Pessoa divina. Ele habita na casa professante da cristandade (At 2:2; 1 Co 3:16-17; Ef 2:22).

Ele também habita em cada crente (1 Co 6:19). Ele é para nós a Testemunha de tudo o que Cristo é, e de tudo o que Ele fez para a glória de Deus. É pelo Espírito, também, que somos levados à privilegiada posição de aceitação em Cristo e de glória vindoura juntamente com Ele. Ele pode ser entristecido por nossa conduta, mas nunca nos deixará (Ef 4:30; Jo 14:16).

Toda obra de Deus é, como sempre foi, pelo Espírito. No Antigo Testamento, o Espírito de Deus foi o poder na criação (Gn 1:2, Sl 104:30).

O Espírito de Deus desceu sobre os santos do Antigo Testamento, mas não habitou neles (2 Cr 15:1). Algumas vezes isso aconteceu mesmo com aqueles que não pertenciam à família de fé, como Balaão e Saul, no Antigo Testamento (Nm 24:2; 1 Sm 10:10), e Caifás, no Novo Testamento (Jo 11:51).

A vida eterna, agora recebida por fé, é desfrutada pelo poder de um Espírito não entristecido (Jo 7:37-39).

O entendimento das coisas de Deus é fruto de um andar na presença de um Espírito não entristecido (1 Co 2:15).

O Espírito de Deus irá sempre ocupar a mente, e encher o coração com Cristo, nunca com o próprio “eu”, salvo nos casos em que o “eu” precise ser julgado. Isto nos mantém humildes e alegres. Humildes por sermos tão pouco conformados a Ele, e alegres por Ele nos amar tanto, Nascidos do Espírito.

A cada um da família da fé, sempre foi dado vida pelo Espírito (Ez 11:19; Ez 36:26-27; Jo 3:5; 6:63).

Agora todo crente tem, “vidacom abundância” (Jo 10:10). Trata-se de vida em Cristo ressuscitado (Jo 20:22), de forma que possuímos uma vida sobre a qual o pecado não tem domínio (Rm 6:14), sobre a qual a morte não tem nenhum direito (1 Co 3:22), e sobre a qual Satanás não tem qualquer poder (1 Jo 5:18). Essa vida será manifestada na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, conforme 1 Tessalonicenses 4:15-17.

Os santos do Antigo Testamento possuíam vida pelo Espírito, mas não aquela vida à qual as Escrituras se referem como, “vida abundante”. A vinda do Espírito Santo e Sua habitação em nós deu-nos o conhecimento de filiação, que significa um parentesco consciente, que nos capacita a dizer: “Aba, Pai” (Gl 4:6). Uma vez de posse desta vida, temos comunhão de pensamento em unidade de vida, por termos vida no Filho que nos revelou o Pai. O Espírito testifica d’Ele e da Sua obra, de modo que, por meio da fé, possamos nos regozijar do conhecimento do parentesco que hoje temos.

Somos nascidos de Deus (1 Jo 5:1), participantes da natureza divina (2 Pe 1:4; Ef 4:24), e habitados pelo Espírito Santo (1 Co 6:19).

O Batismo do Espírito Santo 

O batismo do Espírito Santo aconteceu no dia de Pentecostes, quando todo aquele grupo reunido no andar superior da casa recebeu o Espírito Santo. Naquela ocasião o Espírito Santo “encheu toda a casa” (At 2:2), e encheu também cada um dos que estavam na casa (v.4). As “línguas repartidas” (At 2:3), demonstravam o propósito de Deus em fazer tanto judeus como gentios um em Cristo, enquanto que o fato de serem “como que de fogo”, (figura de um juízo), nos faz lembrar que “a santidade convém à Tua casa, Senhor, para sempre” (Sl 93:5). Isto tornou-se evidente no julgamento de Ananias e Safira (At 5). Algo similar ao batismo com o Espírito aconteceu quando os gentios foram publicamente recebidos, em Atos 10:44 e 11:15. É a isso que se refere 1 Coríntios 12:13, quando foi dada a Paulo a revelação da verdade da Igreja como sendo o corpo de Cristo.

Uma vez que a Igreja foi formada, o batismo com o Espírito não se repete em nossos dias. Hoje os crentes são “acrescentados”, à medida em que cada um recebe o Espírito Santo individualmente, como consequência de sua fé em Cristo e na Sua obra (Ef 1:13).

É bom frisar que, em nossos dias, o Espírito não é dado pela imposição de mãos. Além disso, mesmo na igreja primitiva, o Espírito nem sempre foi recebido desta maneira (At 10:44), mas Deus usou este meio em ocasiões especiais para preservar a Igreja dos grupos nacionais independentes entre si. Foi o cumprimento de João 11:52. Podemos ver isto quando os samaritanos foram recebidos (At 8:17). Também quando foi recebido Saulo de Tarso, para que a ele pudesse ser dada a verdade de que os crentes em Cristo são “um com Ele”, e para que Saulo pudesse se identificar com eles (At 9:4,28). Vemos isto novamente quando alguns gentios, que conheciam apenas o batismo de João, foram recebidos (At 19:6). “Há um só corpo e um só Espírito” (Ef 4:4). Preciosa Verdade!

A Unção do Espírito 

A unção do Espírito é dada para o serviço (Lc 4:18). O sacerdote em Israel era ungido para o serviço (Êx 29). A unção era para separar pessoas para o Senhor, ou, no caso da adoração de Israel, coisas usadas na adoração. Hoje, nós que somos salvos, somos ungidos pelo Espírito (2 Co 1:21; 1 Jo 2:27).

O Selo do Espírito 

O selo do Espírito serve para marcar aqueles que crêem, como sendo de Cristo (2 Co 1:21-22). Sendo assim, é dito que “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é d’Ele” (Rm 8:9), para um homem até estar selado pelo Espírito, não pode ser manifestadamente declarado sendo de Cristo, mesmo que uma obra de Deus pelo Espírito possa ter começado em sua alma (Fp 1:6). Todo crente, uma vez selado, é selado até “o dia da redenção” (Ef 4:30).

O Penhor do Espírito 

O penhor do Espírito significa que o Espírito que habita no crente é a garantia de que, com absoluta certeza, estaremos na glória vindoura, para os privilégios que Ele procura trazer para que desfrutemos desde já (2 Co 1:22; 2 Co 5:5; Ef 1:14).

Cheios do Espírito 

Somos exortados a “nos encher do Espírito” (Ef 5:18), pois quando estamos assim cheios, nos rendemos à energia do Espírito que deseja ocupar nossa mente e preencher o nosso coração com Cristo, na glória da Sua Pessoa, e na plenitude da Sua obra. Sua obra perfeita glorificou a Deus, e tornou possível que a graça viesse a nós em toda a plenitude dos propósitos de Deus. Para nos rendermos, é necessário que mortifiquemos os desejos do corpo, a fim de podermos viver no poder do Espírito, e quando estamos assim cheios, vivemos para Cristo (Rm 8:13). Não se trata de algo que é feito de uma vez para sempre, mas trata-se da aplicação prática e diária da verdade (Lc 9:23; 2 Co 4:10).

Uma pessoa cheia do Espírito não estará ocupada consigo mesma, e nem tampouco com o próprio Espírito, mas com Cristo, Aquele de Quem o Espírito fala (Jo 16:13-14). Estevão é um maravilhoso exemplo disto (At 7:55).

Os Dons do Espírito 

Alguns dos dons do Espírito foram dados para “sinais”, e, como tal, serviram para confirmar a Palavra para aqueles que eram incrédulos (At 14:3; 1 Co 14:22). Eles não eram para ser utilizados, mesmo quando possuídos, exceto para edificação. Quando se tratava de falar em línguas, devia-se permanecer em silêncio a menos que alguém pudesse interpretar o que era falado, de forma a edificar a assembléia (1 Co 14:27-28).

Quanto ao dom de línguas do versículo acima citado, não existe promessa de sua continuação, nem de qualquer um dos outros dons de sinais (1 Co 12:28-31). A continuidade é prometida para aqueles dons que expressavam o amor de Cristo para com a Igreja (Ef 4:11-16).

O dom de línguas servia para demonstrar a unidade de todos os crentes de todas as nações, unidade formada por Deus através da vinda do Espírito (At 2:4-11; 1 Co 12:13). Visto que a Igreja de Deus falhou de forma tão significante em expressar exteriormente esta unidade, o dom de línguas, assim como todos os dons de sinais, já não são manifestos em nossos dias. Aqueles que professam possuir estes dons devem ser provados à luz das Escrituras. O dom de línguas na Bíblia não se tratava da manifestação de línguas ininteligíveis, mas línguas bem conhecidas e faladas neste mundo (At 2:8). Quando se tratava de efetuar curas, ninguém saía desapontado. Todos eram curados (At 5:16). É bom testar aqueles que afirmam ter o dom de línguas e de cura hoje, por meio dessas Escrituras (1 Co 4:19-20).

Além do mais, “os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas”. O Espírito de Deus não força um homem a falar a qualquer hora, ou de qualquer maneira, e quando alguém ministra, seu ministério deve ser objeto de um julgamento espiritual por parte de seus irmãos. Além disso, aqueles que falam línguas, devem falar um de cada vez, caso contrário, haverá confusão (1 Co 14:27-33).

Os dons do Espírito não se tratam de “habilidades santificadas”, mas de uma verdadeira comunicação daquilo que não era possuído anteriormente, embora colocado em um vaso preparado por Deus para esse uso.

Os dons apresentados em 1 Coríntios 12 eram as várias manifestações do Espírito, ali dispostas por Deus, e administradas pelo Senhor, e suas operações eram pelo Espírito. Seu uso devia ser para edificação (1 Co 14).

Quando a Igreja de Deus se transformou numa “grande casa”, a palavra em 1 João 4:1 é: “provai se os espíritos são de Deus”. Duas coisas devem caracterizar o verdadeiro ministério pelo Espírito: primeiro, deve haver a confissão da verdadeira Deidade e Humanidade de Jesus Cristo; segundo, deve haver submissão à doutrina dos apóstolos conforme é dada na Palavra. Isto é muito importante (1 Jo 4:2,6).

Conclusão 

Todo crente é habitado pelo Espírito, e sabe disso pelo amor de Deus que é derramado em seu coração (Ef 1:13; 1 Co 6:19; Rm 5:5).

Toda bênção Cristã é um dom. Não recebemos essas bênçãos por nossos próprios esforços ou orações. Nós as recebemos quando a fé recebe a Cristo, e crê no evangelho da Sua graça (Ef 1:3). Aqueles que creram no evangelho no dia de Pentecostes, receberam também o dom do Espírito (At 2:38).

O nosso desfrutar daquilo que temos recebido depende do nosso andar (Rm 15:13; Ef 4:30; 1 Co 2:15). Andemos cuidadosamente, em oração, submissos à Palavra, e julgando tudo aquilo que possa impedir a ação do bendito Espírito de Deus em nos mostrar as coisas que pertencem a Cristo.

É importante lembrar que as Escrituras são inspiradas pelo Espírito de Deus (2 Pe 1:21), e que o Espírito nunca guiará alguém por um caminho contrário à Palavra.

Qual foi o motivo que Tu, Deus de Amor,
Nos deste o Espírito, o Consolador,
Que enchendo de paz e de amor divinal,
Selou corações com um Selo eternal?

Foi o amor, foi o amor, infinito amor!
Que a Ti motivou, nosso Pai, Deus de amor!
Amor que o Espírito em graça nos deu,
O Consolador que assim nos proveu.

“HINO nº12” (hinar.io)

H. E. Hayhoe

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