Origem: Revista Palavras de Edificação 3
A Instituição do Matrimônio
(continuação do número anterior)
Sacrifícios Cristãos
Há um importante assunto, que merece toda a consideração, quando um jovem casal estabelece o seu lar; é a questão da doação segundo um espírito Cristão. Naturalmente, tanto o esposo como a esposa já tinham a sua própria maneira de doar antes de se casarem; mas agora, convém que façam este serviço em comunhão de propósitos, pois é um importante aspecto do sacrifício Cristão.
Bem sabemos que, existe uma tendência de não mencionar este tema para não parecer que se está colocando os Santos de Deus sob o jugo de lei, tal como antes se obrigava na lei a dar o dízimo, quer quisesse ou não. Concordamos com tudo isso, mas não haverá atitude de gratidão com Deus por tudo quanto fez por nós? Desfrutaremos de todas as Suas bênçãos gratuitas, como a salvação, a vida eterna, tudo, sem nada Lhe oferecer de nossa parte; não para pagar, mas num espírito de reconhecimento, para Lhe mostrar o nosso agradecimento? Ou haveríamos de receber todas as abundantes bênçãos materiais que nos queira dar, e usufruir delas nós mesmos e em nossos lares? Responder “sim”, a estas perguntas, seria colocar o Cristão numa posição menos digna do que o judeu de antigamente. Se o judeu tinha que dar dos seus bens ao Senhor, com muito mais razão é natural ao Cristão desejar fazê-lo.
No que diz respeito às ofertas Cristãs, há princípios expostos no Novo Testamento. O Cristão deve dar segundo o que Deus o tenha feito prosperar.
“Porque, se há prontidão de vontade, será aceita segundo o que qualquer tem, e não segundo o que não tem” (2 Co 8:12).
Se Deus nos deu muito, então convém sermos generosos para com outros filhos Seus que estejam necessitados, e para com as próprias necessidades da obra do Senhor. Deus não nos obriga a dar, porque o crente não está “debaixo da lei” (Rm 6:14). Mas a Deus agrada ver uma alma generosa:
“A alma generosa engordará” (Pv 11:25).
Paulo, escrevendo aos Coríntios sobre este assunto, terminou com esta exclamação:
“Graças a Deus, pois, pelo Seu dom inefável” (2 Co 9:15).
Alguém se poderá comparar a Deus quanto a dar? De forma alguma!
“Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (At 20:35);
E, Deus certamente é O mais bem-aventurado, porque deu a maior dádiva de sempre: o Seu próprio Filho!
Deus não quer “que os outros tenham alívio, e vós {ou nós} opressão” (2 Co 8:13), quer dizer, oferecermos além das nossas possibilidades. Contudo, Paulo achou muito bom que:
“Às igrejas da Macedônia; …houve abundância do seu gozo, …segundo o seu poder, e ainda acima do seu poder, …que se fazia para com os santos” pobres da Judéia (2 Co 8:1-5).
E, o próprio Senhor Jesus louvou a viúva pobre que lançou:
“Na arca do tesouro; …duas pequenas moedas; e disse: …da sua pobreza, deitou todo o sustento que tinha” (Lc 21:1-4).
Ela poderia ter dado uma das moedas e guardado para si a outra, e já daria metade do que tinha. Mas não cremos que ela tenha passado necessidade como resultado da sua abnegação. Que bom seria que os Cristãos dessem mais de seus bens ao Senhor!
Para o crente, como despenseiro dos bens do Senhor, existe esta recomendação:
“No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar” (1 Co 16:2).
Porque no “primeiro dia da semana” (At 20:7)? Na Bíblia não há palavras sem significado. Não é justamente, porque foi nesse dia que o Senhor ressuscitou dos mortos? A Sua ressurreição é o que nos garante a nossa justificação perante Deus. Foi também no primeiro dia da semana que os discípulos se juntavam para “partir o pão”, quer dizer, para se lembrarem do Senhor e da Sua morte:
“Fazei isto em memória de Mim” (Lc 22:19).
Então o Cristão, tendo o seu coração e o seu entendimento entregues ao seu bondoso Senhor:
“O qual Se deu a Si mesmo pelos nossos pecados” (Gl 1:4);
Nesse dia especial provavelmente estará mais sensível perante a grandeza dessa dívida que o Senhor Jesus pagou por ele, e assim mais disposto a dar com o seu coração agradecido.
Um irmão em Cristo disse certa vez que quando tomou à letra este versículo “no primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte” (1 Co 16:2), e começou assim a reservar para o Senhor, nesse dia, parte dos seus recursos monetários, passou sensivelmente a receber do Seu Salvador muito mais do que antes! E esta experiência e este testemunho são muito frequentes.
Assim, ao estabelecer um novo lar, num nível de vida proporcional aos rendimentos, não se deve esquecer a parte reservada ao Senhor.
“Honra ao SENHOR com {a tua fazenda – TB} os teus bens, e com {as primícias de toda a tua renda – TB} a primeira parte de todos os teus ganhos” (Pv 3:9).
Esta exortação do Velho Testamento está relacionada com as do Novo Testamento. Não terá realmente Deus o direito de reclamar “as primícias” da nossa renda? Tudo vem d’Ele e tudo é um dom da Sua parte, porque Quem foi que nos deu a capacidade e a força, a habilidade e a inteligência para trabalhar? Não devemos, então, demorar em reconhecer a Sua bondade devolvendo-Lhe “as primícias” daquilo que Ele, afinal, nos dá. E quando damos generosamente a Deus não ficaremos mais pobres por isso, porque o Senhor é suficientemente rico para nos dar largamente.
Mas há ainda outro aspecto: é que devemos ser justos antes de sermos generosos. Se um Cristão deve dinheiro a alguém convém que pague o que deve, antes ainda de dar ao Senhor. Deus não quer receber como oferta aquilo que não nos pertence, pois que estamos devendo a outros. Pois bem, existe uma dívida que todos nós temos. A Escritura diz:
“A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros” (Rm 13:8).
Por vezes perguntamos: Devemos colocar na coleta, aos domingos, tudo o que queremos dar ao Senhor? É justo que ofereçamos coletivamente para a obra do Senhor ou para os crentes necessitados, mas há casos de emergência e outras categorias de ofertas que não cabem dentro da responsabilidade da assembléia Cristã. Se um Cristão colocar à parte regularmente em sua casa aquilo que pela graça de Deus estiver nas suas posses, assim terá sempre alguma coisa com que ajudar em casos especiais, da forma como o Senhor o orientar. Dizem as Escrituras:
“Que façam bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis” (1 Tm 6:18).
Há ainda outro sacrifício que os Cristãos podem oferecer a Deus e que se acha mencionado em Romanos:
“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12:1).
Esta exortação, com base nas misericórdias de Deus e não na lei mosaica, impulsiona-nos ao sacrifício de nós próprios, à entrega de si mesmo, como também nos recomendou o Senhor mesmo:
“Se alguém quiser vir após Mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-Me” (Mt 16:24).
Podemos servir ao Senhor de mil maneiras diferentes. Não vivamos para nós mesmos.
(continua, o Senhor permitindo)
Ponto de Reflexão:
A fé une Cristo e o pecador. Quando se encontram nunca mais se separarão.
