Origem: Revista Palavras de Edificação 3

Sobre o Evangelho de Mateus

Capítulo 3

(continuação do número anterior)

No princípio do Evangelho segundo Lucas lemos os detalhes referentes à concepção e à chamada divina de João Batista (Lc 1:5-17), ao seu nascimento e ainda mais sobre a sua chamada (Lc 1:57-79); e que:

“O menino crescia, e se robustecia em espírito. E esteve nos desertos até ao dia em que havia de mostrar-se a Israel” (Lc 1:80).

Mateus apresenta a João Batista quando este estava já no princípio do seu ministério, 30 anos depois de ter nascido:

“Apareceu João o Batista pregando no deserto da Judéia. E dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mt 3:1-2).

Esse profeta de Deus tinha vivido na presença de Deus, enquanto estivera andando pelos desertos, longe de Jerusalém, cidade cheia de pecado e de hipocrisia religiosa. Ele sabia aquilo que devia pregar: “Arrependei-vos”. A obra de Deus no coração começa com o julgamento de si próprio; e é a “benignidade” de Deus que leva o pecador ao “arrependimento” (Rm 2:4).

João Batista era uma figura austera, que convinha à sua solene missão:

“Tinha as suas vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre” (Mt 3:4).

Vestia-se e alimentava-se pois da forma mais simples. Os gafanhotos eram animais limpos e que podiam ser comidos por um israelita (Lv 11:21-22).

A missão de João Batista em Israel foi anunciada profeticamente por Isaías sete séculos antes do Senhor Jesus nascer:

“Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do SENHOR; endireitai no ermo vereda a nosso Deus” (Is 40:3).

A referência que Isaías fez a Jeová nesta passagem, demonstra que Jesus é Jeová; e João Batista preparou-Lhe o caminho. Muitos vinham ter com João e batizavam-se no Jordão:

“Confessando os seus pecados” (Mt 3:5-6).

João disse-lhes:

“E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento” (Mt 3:11).

No Velho Testamento não se faz menção de batismo com água. A própria palavra “batizar” quer dizer “mergulhar”. Batizando-se, aqueles israelitas davam a conhecer assim o seu arrependimento. Era um batismo israelita e não Cristão.

Mas no que dizia respeito aos fariseus e aos saduceus não havia nenhuma espécie de arrependimento; vieram ali apenas para observar os atos desse desprezível João, como eles o consideravam. Este, por sua vez, chama-os “raça de víboras” (Mt 3:7), e avisou-os de que depois dele viria o Messias, o qual:

“Vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo” (Mt 3:11), quer dizer: ou em bênção ou em julgamento:

“Em Sua mão tem a pá, e limpará a Sua eira, e recolherá no celeiro o Seu trigo, (símbolo da Sua bênção) e queimará a palha com fogo que nunca se apagará (o Seu juízo) (Mt 3:12).

Mas quando Jesus foi batizado, esse batismo foi inteiramente diferente daquele que João Batista fazia, que era de arrependimento;

“N’Ele não há pecado” (1 Jo 3:5);

“Não conheceu pecado” (2 Co 5:21);

“Não cometeu pecado” (1 Pe 2:22).

Jesus foi batizado por João para “cumprir toda a justiça” (Mt 3:15). Ele era Justo, e convinha que Se identificasse com os arrependidos.

Nesse momento em que Jesus Se batizava:

“Se Lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre Ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o Meu Filho amado, em Quem Me {agrado – TB} comprazo” (Mt 3:16-17).

Aqui, também pela primeira vez, se manifestou a Trindade: o Filho, encarnado como Homem que era batizado, o Espírito que O selava, por esse ato, e o Pai que exprimiu o Seu “agrado” n’Ele.

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