Origem: Revista Palavras de Edificação 3

Sobre o Livro dos Atos dos Apóstolos

Capítulo 23:22 a 24:16

(Continuação do número anterior)

“O tribuno. Chamando dois centuriões, lhes disse: Aprontai para as três horas da noite duzentos soldados, e setenta de cavalaria, e duzentos arqueiros para irem até Cesaréia; E aparelhai cavalgaduras, para que, pondo nelas a Paulo, o levem salvo ao presidente Félix” (At 23:22-24).

O Tribuno sabendo que Paulo era Romano e que a sua vida estava em perigo, tomou todas as precauções para evitar que viesse a ser assassinado pelo grupo dos quarenta judeus (At 23:21), e mandou-o ao governador da província, a Félix, tratando-o muito humanamente.

“E escreveu uma carta, que continha isto: Cláudio Lísias, a Félix, potentíssimo presidente, saúde. Esse homem foi preso pelos judeus; e, estando já a ponto de ser morto por eles, sobrevim eu com a soldadesca, e o livrei, informado de que era romano. E, querendo saber a causa por que o acusavam, o levei ao seu conselho. E achei que o acusavam de algumas questões da sua lei; mas que nenhum crime havia nele digno de morte ou de prisão. E, sendo-me notificado que os judeus haviam de armar ciladas a esse homem, logo to enviei, mandando também aos acusadores que perante ti digam o que tiverem contra ele. Passa bem” (At 23:25-30).

Cláudio Lísias escreveu uma mentira ao governador Félix; disse que: “sobrevim eu,e o livrei, informado de que era romano”. O tribuno, na verdade, perguntou a Paulo: “Não és tu porventura aquele egípcio? (At 21:38). Contudo para se dar mérito aos olhos de Félix escreveu uma mentira.

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso” (Jr 17:9).

“Tomando, pois, os soldados a Paulo, como lhe fora mandado, o trouxeram de noite a Antipátride. E no dia seguinte, deixando aos de cavalo irem com ele, tornaram à fortaleza. Os quais, logo que chegaram a Cesaréia, e entregaram a carta ao presidente, lhe apresentaram Paulo. E o presidente, lida a carta, perguntou de que província era; e, sabendo que era da Cilícia, disse: Ouvir-te-ei, quando também aqui vierem os teus acusadores. E mandou que o guardassem no pretório de Herodes” (At 23:31-35).

Foi assim que Paulo começou essa sua grande viagem que iria terminar em Roma. Iria comparecer perante “reis” (At 9:15), conforme a profecia dada por Ananias, o discípulo em Damasco.

“E, cinco dias depois, o sumo sacerdote Ananias desceu com os anciãos, e um certo Tértulo, orador, os quais compareceram perante o presidente contra Paulo. E, sendo chamado, Tértulo começou a acusá-lo, dizendo: Visto como por ti temos tanta paz e por tua prudência se fazem a este povo muitos e louváveis serviços, sempre e em todo o lugar, ó potentíssimo Félix, com todo o agradecimento o queremos reconhecer” (At 24:1-3).

Tértulo, se era judeu também mentiu, pois os judeus odiavam os romanos, seus opressores. Ou talvez fosse até um advogado romano contratado pelo Sinédrio. Em todo o caso usou de uma lisonja mentirosa.

“Mas, para que não te detenha muito, rogo-te que, conforme a tua equidade, nos ouças por pouco tempo” (At 24:4).

“Temos achado que este homem é uma peste, e promotor de sedições entre todos os judeus, por todo o mundo; e o principal defensor da seita dos nazarenos; o qual intentou também profanar o templo; e nós o prendemos, e conforme a nossa lei o quisemos julgar. Tentou mesmo profanar o templo. Nós, porém, o prendemos. Mas, sobrevindo o tribuno Lísias, no-lo tirou de entre as mãos com grande violência, mandando aos seus acusadores que viessem a ti; e dele tu mesmo, examinando-o, poderás entender tudo o de que o acusamos. E também os judeus o acusavam, dizendo serem estas coisas assim” (At 24:5-9).

Este discurso de Tértulo estava cheio de falsidades e acabou com uma queixa injusta dirigida a Félix, o governador, contra o seu subordinado, o tribuno Lísias;

“Não acuses o servo diante de seu senhor” (Pv 30:10).

E logo Félix lhe cortou a palavra, assim como ao sumo sacerdote Ananias, e ao resto dos judeus, e fez sinal a Paulo que falasse:

“Paulo, porém, fazendo-lhe o presidente sinal que falasse, respondeu: Porque sei que já vai para muitos anos que desta nação és juiz, com tanto melhor ânimo respondo por mim” (At 24:10). Paulo reconheceu a posição de Félix, mas não fez uso de lisonja.

“Pois bem podes saber que não há mais de doze dias que subi a Jerusalém a adorar; e não me acharam no templo falando com alguém, nem amotinando o povo nas sinagogas, nem na cidade. Nem tampouco podem provar as coisas de que agora me acusam. Mas confesso-te isto que, conforme aquele caminho que chamam seita, assim sirvo ao Deus de nossos pais, crendo tudo quanto está escrito na lei e nos profetas. Tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição de mortos, assim dos justos como dos injustos” (At 24:11-15).

“Aquele caminho” refere-se ao testemunho de nosso Senhor Jesus Cristo já então estabelecido no mundo. Fala-se dele sete vezes em Atos, ainda que nem sempre por meio da mesma palavra. Leiam-se as seguintes passagens:

“A fim de que, se encontrasse alguns daquela seita” (At 9:2) {literalmente: “daquele caminho”};

“E lhe declararam mais precisamente o Caminho de Deus” (At 18:26);

“Como alguns deles se endurecessem,falando mal do Caminho” (At 19:9);

“Houve um não pequeno alvoroço acerca do Caminho” (At 19:23);

“E persegui este Caminho” (At 22:4);

“Conforme aquele Caminho que chamam seita” (At 24:14); e,

“Havendo-me informado melhor deste Caminho” (At 24:22).

É claro que os judeus com as suas acusações não podiam fazer uso das Escrituras; mas Paulo apoiava-se na Palavra de Deus:

“Crendo tudo quanto está escrito na lei e nos profetas” (At 24:14).

Ele deu a saber que tinha “esperança em Deus” (At 24:15) uma esperança que os próprios fariseus afirmavam ter – de que os mortos ressuscitariam: “assim dos justos como dos injustos” (At 24:15).

O anúncio da ressurreição toca a consciência:

“E por isso procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens” (At 24:16).

Os que não procuram manter “a fé, e a boa consciência, …fizeram naufrágio na fé” (1 Tm 1:19).

Os que tornam atrás, “dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência” (1 Tm 4:1-2).

Para os incrédulos “nada é puro;antes o seu entendimento e consciência estão contaminados” (Tt 1:15). Como é importante manter sempre uma “boa consciência” sem remorsos, em relação a Deus e perante os homens!

(continua, o Senhor permitindo)

Texto Bíblico: 

“Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca. Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do SENHOR. Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade” (Lm 3:25-27).

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